Memória Roda Viva

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Jon Hall

19/10/2009

Guru do software livre, o presidente da Linux International fala sobre liberdade de software e defende a preponderância dos softwares livres no cenário atual

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[programa ao vivo]

Heródoto Barbeiro: Boa noite. Ele é considerado o "guru" do software livre. E passa boa parte do tempo viajando pelo mundo para defender a idéia de um software livre, uma forma de garantir maior liberdade para os usuários e também mais segurança para o sistema operacional de computadores [liberdades do software livre]. E faz isso na condição de representante do software livre mais conhecido no mundo, o Linux [kernel Linux], principal concorrente do Windows, da Microsoft, que, exatamente por ser livre, pode ser usado, modificado, copiado, distribuído, sem pagamento de licença. O Roda Vida de hoje faz aqui uma edição especial do Futurecom, aqui em São Paulo, um evento de informática, de telecomunicações e de tecnologia internacional. E nós estamos aqui reunidos com uma das estrelas, um dos nomes desse evento de hoje. Nós temos aqui a participação como nosso convidado de uma das estrelas desse encontro, um velho conhecido dos programadores de computadores, Jon Hall, presidente da Linux International.

[Vídeo narração Valéria Grillo]: Jon "Maddog" Hall nasceu em sete de agosto de 1950, em Baltimore, nos Estados Unidos, e tem formação em comércio e em engenharia. Ficou conhecido como “Maddog” [cachorro louco] apelido que, segundo ele, veio da época em que dominava menos seu temperamento forte. Veterano de peso no mundo da computação, foi professor de informática e trabalhou em grandes empresas de tecnologia nos Estados Unidos. Já esteve no Brasil outras vezes. Voltou agora como convidado do Futurecom, evento de telecomunicações e tecnologia de informação, realizado entre 13 e 16 de outubro de 2009 no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Além de oferecer uma mostra de produtos e serviços, o encontro reuniu especialistas do Brasil e de outros países em um seminário internacional sobre o futuro do mundo da Telecom e da tecnologia de informação; Jon "Maddog" foi um deles. Desde 1995, ele dirige a Linux International, uma associação sem fins lucrativos que divulga o Sistema Operacional Linux, um software que pode ser obtido gratuitamente e que, por ter código aberto, permite alterações que outros sistemas não permitem. O Linux foi criado no início dos anos 1990 pelo estudante finlandês Linus Torvalds em uma brincadeira. Ele queria fazer seu próprio sistema operacional e abriu o código fonte do programa para qualquer pessoa, sem cobrar por isso. Desde então, o Linux recebe ajuda e contribuições de milhares de usuários do mundo inteiro que vão aperfeiçoando o sistema também de forma gratuita. O Linux se transformou no principal concorrente do Windows, que hoje domina o mercado de computadores pessoais. Já em órgãos governamentais, incluindo alguns no Brasil e nas empresas que usam supercomputadores, a situação é inversa, o Linux é o sistema mais procurado. A experiência com esse sistema operacional deu as bases para uma crescente discussão em torno do software livre. Embaixador do Linux no mundo, Jon Hall dedica grande parte do seu tempo para realizar viagens para promover o sistema e as vantagens do software livre.

Heródoto Barbeiro: E para entrevistar Jon "Maddog" Hall, nós convidamos aqui o sociólogo Sérgio Amadeu, professor de pós-graduação em comunicação e tecnologia da Faculdade Cásper Líbero; conosco também o Rodolfo Lucena, editor do caderno Informática, da Folha de S.Paulo e editor do blog de tecnologia Circuito Integrado, da Folha Online; conosco também Wilson Moherdaui, que é diretor editorial do Informática Hoje; e do Pedro Dória, editor chefe de conteúdos digitais do jornal O Estado de S. Paulo. Aqui, ao meu lado, está o Paulo Caruso, que acompanha a entrevista com o seu talento, tintas e pincéis. E também minha colega da TV Cultura, a repórter Carmen Amorim, que apresenta aqui as perguntas que são encaminhadas pelos nossos telespectadores ao nosso endereço eletrônico. Quero lembrar a você que o programa Roda Viva é transmitido toda segunda-feira ao vivo pela internet à partir das seis e meia da tarde, e também pode ser visto, na íntegra, sem edição ou corte, às dez e dez da noite na nossa TV Cultura. Eu quero aproveitar a oportunidade e agradecer também a presença de mister Jon Hall que está aqui conosco, senhor Hall, thank you for coming.

Jon Hall: É um grande prazer estar aqui. Muito obrigado.

Heródoto Barbeiro: Gostaria de ouvir um comentário seu... Durante a feira aqui do Futurecom, o governo de São Paulo anunciou que está procedendo uma forma mais barata de acesso à internet e que  custaria para as camadas C, D e E da população, aproximadamente, uns trinta reais ou 13 dólares. Eu gostaria de perguntar se isso é uma forma de universalização do acesso à banda larga da internet.

Jon Hall: Sim! É! Mas não se trata apenas do custo do serviço, que permite acesso à internet, é preciso dar às pessoas as ferramentas para que elas possam usar melhor a internet. E creio que o software livre seja uma das ferramentas que permitem às pessoas um melhor uso da internet.

Heródoto Barbeiro: Wilson.

Wilson Moherdaui: Jon, você se comporta como um missionário, se veste como um missionário, percorre o mundo como um missionário. Isso não é um jeito meio esquisito de tratar tecnologia?

Jon Hall: Há muito tempo a difusão da tecnologia tem sido uma função dos missionários. Os escribas eram as pessoas que escreviam os livros, os únicos livres que ensinavam as pessoas. E isso era, em geral, feito pela Igreja. Portanto, ser um missionário da tecnologia é, na verdade, uma ocupação bastante antiga.

Rodolfo Lucena: Já que começamos a falar um pouco sobre como a pessoa age, como vive. Eu queria começar a perguntando... O senhor é conhecido, o seu apelido é conhecido como "Maddog", queria perguntar qual a razão desse apelido. Como o senhor chegou aí, ao mundo do Linux? E se defender software livre é algo de maddogs?

Jon Hall: Tenho 59 anos e acho que tenho um bom domínio sobre meu temperamento. Mas quando eu tinha 27 anos, eu não tinha tal controle. Meus alunos, que me viram em discussões com meu orientador, acharam que as discussões eram muito acaloradas, entre um descontrolado e um inglês, meu orientador era britânico e eu seria o descontrolado. Entretanto, usar software livre faz parte de quem eu sou. Porque como estudante, aos 19 anos, eu não tinha os cem mil dólares para comprar um compilador para traduzir [programa de computador que transforma código escrito por humanos em linguagem de máquina]. Portanto, eu pertencia a uma sociedade chamada Decus [Digital Equipment Computer Users' Society], no qual as pessoas criavam software para seu próprio uso e, então, os davam para outras pessoas, pois queriam ajudá-las a usarem sistemas de computação. Como estudante, eu só tinha cinco dólares para comprar aquele software. E então eu o copiava e dava para meus amigos por um dólar cada. Pois eu estava lhes fornecendo o serviço de copiar o software e dá-lo a eles. No final, eu recuperava todo o dinheiro que eu havia gastado. Eu podia ter o meu software e a minha cerveja.

Rodolfo Lucena: Era um momento... Era um modelo comercial e não livre, essa sua atuação?

Jon Hall: Na verdade, quando falamos em software livre, não falamos, necessariamente, do custo, mas da liberdade de alterar o software para que ele atenda às suas necessidades. E da liberdade de usar o software da maneira como você quiser, para qualquer propósito. É disso que falamos ao dizer “free software”. Em português isso fica muito mais claro: “software livre”. Liberdade de software.

Sérgio Amadeu: Jon, o Eric S. Raymond [conhecido também como ESR, ícone da facção open source do movimento software livre, ligada aos empresários. Autor de A catedral e o bazar, em que defende o modelo aberto como o mais eficiente para a produção de software] costuma dizer que os hackers construíram a internet a partir dos anos 1960, quando a internet ainda era Arpanet [projeto do Departamento de Defesa estadunidense. Foi a primeira rede de computadores]. O sociólogo Manuel Castells [professor de sociologia e de planejamento regional da Universidade de Berkeley desde 1979. Notabilizou-se como autor da trilogia A Sociedade em Rede, em que defende o papel destacado das tecnologias de informação no capitalismo do século XXI], no livro A galáxia da internet, diz que os hackers são fundamentais para terem construído uma rede aberta, uma rede colaborativa, sem dono, que é a internet. Os hackers, segundo o Richard Stallman [famoso hacker, fundador do movimento software livre, do projeto GNU, e da Free Software Foundation], são os principais desenvolvedores de software livre. Você é um hacker?

Jon Hall: Nunca me considerei um hacker, sou um programador. Já fui administrador de sistemas, uma pessoa que cuida dos sistemas computacionais para outras pessoas. Também fui educador em nível universitário. Portanto, já tive muitos empregos. O termo hacker refere-se a alguém que cria códigos de uma maneira engenhosa, que habilita o código a fazer coisas não usuais. Trata-se de um programador muito inteligente. Alguém que faz uma ótima programação, muito rapidamente. Nunca fui um hacker. Faça programação muito lentamente.

Heródoto Barbeiro: Doria.

Pedro Doria: Jon, já que a gente começou falando desse ímpeto evangelizador, qual é a sua mensagem? Por que código aberto, por que software livre?

Jon Hall: Como eu disse, faço programação há quarenta anos. E, nesses quarenta anos, tive sorte o suficiente de sempre poder mudar os programas que eu usava para atender minhas necessidades. Nunca tive de esperar por alguém que me fornecesse assistência para um problema, por alguém que fizesse com que o programa funcionasse da maneira como eu queria. Outras pessoas não têm a mesma sorte, e ficam a espera que o fabricante do software lhes dê a assistência de que precisam, ou a melhoria de que precisam para que seu negócio funcione e eu acho isso um crime. As pessoas deveriam ter controle sobre o software que usam. E fazer as decisões de negócios usando o software da maneira que ele funciona, da maneira que o receberam ou fazendo alterações que atendam às suas necessidades.

Pedro Doria: Mas a maioria das pessoas não tem essa capacidade ou mesmo interesse de mexer no código de um software, não é verdade?

Jon Hall: A maioria das pessoas usa o software como ele é, já que elas o compraram como um produto ou baixaram pela internet. Mas com o software livre, você tem a escolha de fazer alterações, se desejar. Como o software de fonte fechada, essa escolha não existe. Você não tem permissão para fazer tais mudanças. Apenas o fabricante do software pode fazer isso. É o mesmo que um trabalho: você pode trabalhar e receber por isso, e, se não gostar do trabalho, você pode ir para outro lugar. Mas um escravo não pode deixar seu mestre. O escravo está preso ao mestre que tem. Portanto, você tem liberdade de software ou é escravo do software. Eu prefiro o software que lhe dá liberdade.

Wilson Moherdaui: Jon, o Sérgio se referia aos hackers. O Brasil tem um jeito – eu vou falar de um assunto correlato – o Brasil tem um jeito muito peculiar de exercitar esse modelo de negócio do software livre que a gente prefere chamar aqui de “pirataria”. A cada esquina que você vai, você é capaz de comprar o software que você quiser, o sistema operacional, o aplicativo, ou isso para uso doméstico e até para uso nas empresas por cinco dólares, dez reais. Eu queria saber o que você acha da “pirataria”?

Jon Hall: Piratear software é o mesmo que roubar software. Creio que, ao roubar software, você desvaloriza as habilidades do programador do software. Por não pagar nada pelo software ao roubá-lo, você faz com que ele não tenha valor algum. O software livre lhe é dado, não é algo que você roube. Quando você quer alterá-lo, você pode ter de pagar um programador para isso. E isso significa que você valoriza suas habilidades, mas a pirataria o torna [o programador] sem valor, e por isso é ruim. O software livre não é pirataria de software, mas um software que lhe é dado. Há modelos de negócio onde as pessoas ganham mais dinheiro com o software livre do que vendendo software proprietário.

Heródoto Barbeiro: Jon, só um esclarecimento.

Wilson Moherdaui: Você acha que a pirataria não é boa, mesmo ela sendo ruim para a indústria de software proprietário?

Jon Hall: Creio que a pirataria de software é sempre ruim e que deveria ser detida. Isso significaria que o software livre teria uma vantagem adicional, porque ele chega sem preço.

Sérgio Amadeu: Jon, como bloquear a pirataria de software se o que garante a hegemonia do software proprietário na residência das pessoas é a pirataria no Brasil? Ninguém paga pelo Office [pacote de programas de escritório da Microsoft]. Há dois anos, a suite Office custava mil e quinhentos reais, era mais caro que um computador. Se você perguntar aqui quem pagou licença de Office, ninguém pagou. Então, a pirataria, Jon, não seria o que garante o software proprietário hegemônico no Brasil?

Jon Hall: O mercado de computadores tem mudado nos últimos quarenta anos. Como eu disse, um compilador custava cem mil dólares, três vezes o valor de uma casa. Ao se fabricado, o preço do software caiu, seu custo foi dividido entre muitas pessoas. Digamos que as pessoas no mundo todo tivessem comprado suas cópias do Microsoft Office. Isso significaria que a Microsoft estaria ganhando muito mais dinheiro com o Microsoft Office, e poderia conseguir baixar seu preço para cem dólares.

Sérgio Amadeu: Sem dúvida.

Jon Hall: E ainda ganhar tanto dinheiro quanto hoje. Mas devido à pirataria do software, a Microsoft tem de cobrar mais por ele do que normalmente o faria, o que é ruim para todos. No Vietnã, uma pessoa comum ganha quatro dólares americanos por dia. E para que ela compre o Microsoft Office por trezentos dólares, ela teria de passar um ano inteiro sem comprar alimento, sem pagar habitação e sem sair com um namorado ou uma namorada. O problema é que nós, como sociedade, dizemos que elas precisam do computador para fazer negócios, precisam do computador para se comunicarem. Elas são colocadas em um beco sem saída. Elas pensam não ter outra escolha senão piratear o software. Mas se usarem o software livre, terão a mesma funcionalidade, baixando-o da internet...

Sérgio Amadeu: Com segurança.

Jon Hall: E o que elas podem fazer? Podem, dentro de sua situação econômica, gastar meio dia aprimorando aquele software. Elas não têm condições de pagar o que um programador americano cobraria. Mas podem contratar um programador vietnamita para fazer isso mais barato. Portanto, o software livre cria um novo setor econômico, diferente de tudo que tivemos antes. Onde a moeda de troca é software.

Sérgio Amadeu: Agora, Jon...

Heródoto Barbeiro: Agora Jon, eu queria só fazer um esclarecimento, por favor. Você traduziu a palavra free, do inglês para o português, com o significado de livre. Mas, muitas vezes, nós lemos aqui free como sendo alguma coisa grátis, que não se paga por ela. Então, eu gostaria de saber se o software free é free de liberdade de expressão, de liberdade de criação ou se esse free é grátis, como muitas vezes a gente vê no supermercado.

Jon Hall: O termo free software, como veio da Free Software Foundation, significa free no sentido de liberdade e não no sentido de grátis. Não significa um software grátis, mas liberdade em termos de software.

Heródoto Barbeiro: Por favor.

Carmem Amorim: Jon, eu gostaria de fazer uma pergunta, agora, no setor da educação. Marcos Sebastião, de São Paulo, ele pergunta de que maneira o software livre pode ser levado para o setor da educação a distância para educar de maneira eficaz e barata nas regiões isoladas do Brasil. Principalmente porque essas regiões são pobres, população de baixa renda. De que maneira o Linux pode ajudar?

Jon Hall: Há muitos projetos na área de software livre que visam a educação. Por exemplo, o Sistema de Gerenciamento de Conteúdo Moodle. É uma interface que ajuda professores a apresentar projetos e informações a estudantes. Há também um conjunto de softwares desenvolvido na Espanha para fins educacionais. E ele está disponível, gratuitamente, na internet. Há muitos projetos que utilizam o software livre para ensinar crianças desde o jardim da infância até o 12º ano. Se você está na universidade, o software livre lhe ensina duas coisas: você pode aprender a usar o software livre para resolver seus problemas, sejam eles em biologia ou em matemática. Mas você também pode ver como o software funciona. Portanto, você fica sabendo como o software ajuda você a resolver o problema. Você está aprendendo as duas coisas. Na verdade, três vezes. Digamos que eu queira aprender como os sistemas operacionais funcionam. Posso usar o software livre para ver como um sistema simples, como o freeDos [é um sistema operacional que visa dar compatibilidade com os programas que possuem sistemas operacionais compatíveis com DOS] funciona ou como muitos sistemas Unix funcionam. E ver se consigo fazê-los funcionar melhor. Assim, em uma sala de aula, ao estudar um sistema operacional, estou vendo não apenas o que ele faz, como vejo com o Windows da Microsoft, mas como o sistema operacional faz isso. E, em um projeto em sala de aula, posso mudar o sistema operacional para ver como ele é afetado, o que é muito importante.

Carmem Amorim: O custo também seria baixo? A pergunta aqui está se referindo a eficaz e barato.

Jon Hall: Todos os softwares que mencionei são gratuitos, através da internet. Vocês podem baixá-los e usá-los.

Heródoto Barbeiro: Ok. Nós vamos fazer um intervalo. Nós estamos hoje aqui com o nosso convidado, senhor Jon Hall, diretamente do Expo Transamérica, em São Paulo, onde está se desenvolvendo a feira do Futurecom. Eu queria lembrar também que o nosso programa está sendo visto e comentado por três twiteiros que eu gostaria de apresentá-los agora. Conosco está aqui o engenheiro de projetos em TI [Tecnologia de Informação] o Dalton Rocha de Oliveira; conosco também o jornalista Rafael de Souza Cabral, do caderno Link do Estadão e o engenheiro e desenvolvedor de software livre, que é o Rodrigo Rodrigues da Silva. Fazemos, portanto, um intervalo e a gente volta já, já com o nosso entrevistado em instantes.

[intervalo]

Heródoto Barbeiro: E nós voltamos aqui com essa edição especial do Roda Viva de hoje, transmitido diretamente do Futurecom, um evento sobre telecomunicações e tecnologia de informação realizado no Transamérica Expo Center, em São Paulo, entre 13 e 16 de outubro de 2009. O nosso entrevistado de hoje é um dos convidados desse encontro internacional. Nós estamos aqui com o nosso convidado que é Joh "Maddog" Hall, presidente da Linux International, conhecido em todo mundo por sua campanha em defesa do software livre.  Jon Hall, agora há pouco você lembrou dos copistas da Idade Média que entendiam a liberdade da organização, de expressão etc, eu pergunto a você se essa cruzada que se faz a favor do software livre no mundo tem um conteúdo de caráter ideológico quanto às empresas que monopolizam esse software como, por exemplo, as multinacionais do setor? 

Jon Hall: Pessoalmente, não vejo problema em relação a empresas que ganham dinheiro fornecendo serviços às pessoas na forma de software. Algumas empresas tornam-se tão grandes que sua influência na área de TI deveria ser considerada com cautela. Essa é uma das razões pelas quais, nos Estados Unidos, há leis diferentes relativas às empresas de tamanhos distintos. E quando uma empresa torna-se conhecida como um monopólio, há um conjunto diferente de leis que se aplicam a ela, diferentes das que se aplicam em empresas menores. Há coisas que os monopólios não podem fazer, mas que empresas menores podem. Precisamos, portanto, de um limite para o poder dessas empresas sobre o restante da sociedade. Tendo dito isso, não há nada legalmente errado em ser um monopólio nos Estados Unidos. Há muitos monopólios e alguns deles são concedidos. Por exemplo, empresas de energia elétrica ou de telefonia. Mas são monopólios regulados, são altamente regulamentados pelo governo quanto ao que podem fazer e o que podem cobrar. Outras grandes empresas não são, necessariamente, reguladas, e esse é um problema.

Heródoto Barbeiro: Você está se referindo à Microsoft?

Jon Hall: Estou me referindo a qualquer grande empresa que tenha sido considerada um monopólio e que, acredita-se, esteja fazendo coisas ilegais como monopólio.

Heródoto Barbeiro: Por favor.

Rodolfo Lucena: Bom, ao longo... aqui no programa, o senhor vem apresentando uma série de fatores que seriam... demonstrariam as vantagens do software livre em relação aos programas proprietários. O que, então, limita a expansão do software livre no mundo? O que faz com que as pessoas ou os usuários, afinal, o grande público de computador não seja usuário de software livre?

Pedro Doria: Se vocês me permitem dar só uma emendada e pegar uma carona na pergunta do Rodolfo. Por que, Jon, você acha que as pessoas preferem comprar uma cópia pirata de Windows ao invés de baixar uma cópia legítima e gratuita de Linux, na internet?

Jon Hall: A resposta é a mesma para as duas perguntas. Há uma certa inércia no mundo. Se você começa a rolar uma pedra, ela tende a continuar rolando até que você a pare. Se há muitas pessoas usando algo em especial, quando outras pessoas começam a usar aquilo, elas se sentem mais confortáveis com isso do que se sentiriam usando algo novo. Portanto, ao usarem um novo software, elas se perguntam: “Vou usar aquele com o qual já estou familiarizado ou vou usar algo totalmente diferente?” Há também a questão de onde conseguir o suporte para o software. Como muitas pessoas usam o Windows, pode-se pedir ajuda a um vizinho: “Pode me ajudar com isso?” Além disso, devido à história dos PCs, a maioria deles já vem com o Windows, com alguma versão do Windows.

Pedro Doria: Correto.

Jon Hall: Assim, há pessoas que recebem uma cópia do Windows com o hardware que compraram. E elas têm a impressão de que ele é gratuito, mas não é, pois o preço do PC é mais alto devido à cópia do Windows. Não importa o quão pouco a Microsoft cobre por ela. Além disso, tendo o Windows, você tende a adquirir produtos que rodem no Windows. E você paga por eles. Há muito dinheiro gerado por esses produtos e software, principalmente se eles já vêm com o PC que você adquire em uma loja. Gostaria de comentar o que você disse sobre poucas pessoas estarem usando software livre. Se você já recebeu um e-mail, ele deve ter passado por um software chamado Sendmail ou Postfix. Se você já usou um navegador, deve tê-lo feito com um servidor chamado Apache, um software livre. Se já usou o Google, você usou software livre, pois o Google usa Linux como sistema operacional e o Apache Web Server.  Se já usou o Firefox como navegador, você usou software livre. Se você já acessou a internet, você usou software livre devido a um software de DNS chamado Bind, um software livre. As pessoas usam software livre o tempo todo; 90% dos super computadores mais velozes do mundo rodam com Linux. Linux é o sistema operacional mais usado no desenvolvimento de novos produtos, como telefones celulares, ou novos televisores, ou rádios, que chamamos de sistemas embarcados. Linux é vendido hoje em mais da metade de todos os sistemas de servidor do mundo. Quando os netbooks começaram a surgir, eles eram Linux. Pois as pessoas não queriam pagar mais por software proprietário. Portanto, o Linux está ganhando uma penetração cada vez maior. Mas isso leva tempo devido à inércia.

Wilson Moherdaui: Você, como um bom missionário, como eu disse no começo, evita falar o nome do demônio. O Heródoto perguntou especificamente sobre a Microsoft, e você evitou falar o nome para, de alguma forma, exorcizar aqui da roda a empresa que é o alvo principal da campanha do software livre do Linux. E um dos grandes argumentos de vocês, defensores do software livre, é de que é muito importante que o conhecimento seja disseminado e que desenvolvedores locais produzam, gerem renda que vai ser consumida e vai ser utilizada localmente. Aqui, no Brasil, uma das maiores redes de varejo, uma das maiores rede de lojas de varejo do Brasil usa, intensivamente, Linux, software livre. Um dos maiores bancos públicos do Brasil utiliza software livre. Só que nessas grandes implementações de grandes empresas que usam, pesadamente, o software livre, eles precisam do apoio de empresas multinacionais, como IBM, HP, Sun. Essas empresas, da mesma forma que a Microsoft remete divisas para o exterior, essas empresas, ao prestarem serviços de implementação do software livre, também remetem divisas para o exterior. Qual é a diferença entre elas? Por que a Microsoft é o demônio?

Jon Hall: Em primeiro lugar, um dos motivos para eu evitar dizer Microsoft é que não se trata da Microsoft. Trata-se de software de código fechado. E muitas empresas criam software de código fechado. Essa é a parte ruim. Isso é o que o impede de ter um software que faça o que você quer que ele faça. Portanto, as empresas que criam o software de código fechado são os demônios e não uma empresa em especial. As outras empresas que você mencionou – IBM, Hewlett-Packard – empregam brasileiros para fazer integrações, empregam brasileiros para fazer instalações e fornecer suporte. Assim, grande parte do dinheiro fica no Brasil e dá empregos aos brasileiros. Mas se você pensar no software proprietário como um todo, posso gerar um software em Bremerton, Washington, sem trazer dinheiro ou criar empregos no Brasil.

Wilson Moherdaui: Mas os defensores do software proprietário da Microsoft alegam, em sua defesa, que a Microsoft emprega indiretamente mais de quinhentas mil pessoas no Brasil. São quase vinte mil empresas parceiras da Microsoft, trabalhando no Brasil, desenvolvendo software no Brasil. Você acha que o Linux pode exibir números tão poderosos? E em quanto tempo isso pode acontecer?  

Jon Hall: 90% de todas as pessoas no mundo que trabalham com software não criam software proprietário. Essas pessoas ganham dinheiro ensinando o software, ensinando às pessoas como usá-lo. Elas ganham dinheiro instalando software, integrando o software, ganham dinheiro vendendo a hardware com o software... Essas são maneiras pelas quais 90% das pessoas ganham dinheiro com qualquer tipo de software. Portanto, são maneiras pelas quais se pode ganhar dinheiro com software livre. Todas elas são maneiras de ganhar dinheiro com software livre. A diferença é que com o software livre você pode ganhar dinheiro de uma forma adicional. É possível mudar o software para que ele atenda às necessidades do cliente. E isso é uma coisa que você, como brasileiro, não pode fazer com o software da Microsoft. Pois a Microsoft não lhe mostra o código fonte. E ainda que você conheça o código fonte, ela não lhe permitirá mudá-lo. Portanto, ela tira de você a possibilidade de, como brasileiro, ganhar dinheiro. E você envia grande parte desse dinheiro para a empresa fora do Brasil. Mais de um bilhão de dólares por ano deixam o Brasil e nunca voltam. Pois é uma enorme quantidade de cachaça que Bill Gates pode tomar.

Wilson Moherdaui: Mas eles alegam – eu não quero polarizar a discussão, depois eu passo a palavra – mas a Microsoft alega que para cada unidade monetária – vamos falar de real no Brasil – para cada unidade monetária do custo do software que ela vende; doze vezes esse custo, doze unidades monetárias, portanto, doze reais, ficam no país. Como você responde a isso?

Jon Hall: Eu diria que todo aquele dinheiro poderia ficar no país com o software livre.

Wilson Moherdaui: Totalmente.

Jon Hall: E dinheiro algum sairia do Brasil. Um sétimo de todo o dinheiro está deixando o Brasil.

Wilson Moherdaui: Jon, não é verdade quando eu te falo da IBM e da HP, o dinheiro não fica todo no Brasil, ele também é remetido. Uma parte dele é remetida para fora. Certo?

Jon Hall: Isso é verdade. Afinal, são empresas globais, com sede fora do Brasil. Mas há também empresas como Positivo, no Brasil, gerando hardware e coisas do tipo. Elas poderiam ter software livre em seu hardware e todo aquele dinheiro ficaria no Brasil. Mas ao usarem software da Microsoft parte do dinheiro deixa o país. Você pode escolher.

Sergio Amadeu: Jon, você que viajou o mundo aí, você tem uma noção sobre o desenvolvimento de software livre. Nós sabemos que, quem acompanha o mundo das redes sabe que a internet, a infraestrutura de TI é, praticamente, majoritariamente, software de código fonte aberto. Não é à toa que a Microsoft quer comprar o Yahoo. Porque, no mundo, onde está caminhando a tendência, ela é do código aberto. [E] me preocupa muito, Jon, que o Brasil, um país que tem muitos usuários de software livre... Mas, se a gente for no Source Forge, que é um dos repositórios de softwares de código fonte aberto no mundo, nós temos lá mais de 160 mil softwares abertos, e me preocupa saber se, dessa quantidade enorme de software de código fonte aberto que continua sendo feito, quantos são brasileiros desenvolvedores de softwares livre de código fonte aberto? Você acredita que o Brasil tenha, já, uma grande comunidade de desenvolvedores de software livre?

Jon Hall: O Brasil tem uma comunidade bastante grande de desenvolvedores de software livre. A Debian, sistemas operacionais, é muito grande no Brasil. Tem havido muito trabalho por parte do governo, projetos governamentais para seu desenvolvimento, [mas] não tanto quanto eu gostaria de ver. O problema do Brasil é que apenas 7% dos estudantes universitários estão estudando problemas tecnológicos, em relação a outros países onde esse número é 30%. Isso significa que o Brasil está para trás em termos tecnológicos. É importante que se saiba isso porque quando os alunos estudam, principalmente ciências da computação, a menos que eles encontrem bons empregos no Brasil eles irão para outro lugar. É preciso ter empregos muito bons no Brasil para incentivar os alunos a ficarem aqui com um programa que sustente a tecnologia. Quando estive na Venezuela, muitos anos atrás, aquele era um país da Microsoft. Os únicos empregos que os alunos conseguiam ao sair da universidade era na instalação de produtos da Microsoft. Muito dinheiro era pago para que as pessoas fizessem aquilo. E não havia o suficiente para os alunos se desenvolverem. Portanto, os alunos iam para Inglaterra e Espanha, pois ali podiam ganhar dinheiro fazendo programação e instalando sistemas. Isso fez com que a área de TI na Venezuela ficasse cada vez mais velha, pois os jovens estavam indo embora. Vocês não podem deixar que isso aconteça no Brasil. Vocês têm de criar um ambiente em que as pessoas possam ter bons empregos fazendo programação, empregos que as desafiem, empregos que lhes paguem bem. E o software livre significa isso.

Carmem Amorin: Jon, por favor. Uma pergunta, aliás, duas perguntas, uma tem a ver com a outra. O que impede um Linux ser um software tão intuitivo quanto o Windows? É a pergunta do Giovane de São Paulo. E eu emendo com a pergunta do Marcelo, de São José dos Campos, que ele diz o seguinte: "o software livre ainda é encarado como problemático no meio corporativo. É devido à falta de suporte. O que fazer? O que está sendo feito para mudar isso?"

Jon Hall: Em primeiro lugar, se você acha que usar o Windows é algo intuitivo, sugiro que talvez você precise redefinir a palavra intuitivo. Creio que o que as pessoas pensam ao falar em intuitivo é que elas estão acostumadas a ele.

Carmem Amorin: Intuitivo mais fácil, né? Mais fácil. Seria mais fácil.

[...]: Para desligar tem que apertar iniciar... [referência ao caminho necessário para o desligamento de um Windows].

Jon Hall: Não é mais fácil. Elas estão acostumadas a ele. Se as pessoas estão pensando em um software mais fácil de ser usado, ele poderia ser o da Apple. Não creio que o Windows seja mais fácil do que o Linux. Perdão, qual a segunda parte da pergunta?

Carmem Amorin: O setor corporativo. O software livre ainda é encarado como um sistema problemático, devido à falta de suporte. Essa é a pergunta do Marcelo, de São José dos Campos. Ele quer saber o que tem sido feito, o que pode ser feito para mudar isso.

Jon Hall: As universidades poderiam começar a usar mais software livre para ensinar os alunos, para que eles ficassem mais familiarizados com o software. Recentemente, houve um estudo patrocinado pela Microsoft para descobrir qual o preço total de propriedade [o chamado TCO, total cost of ownership] do software livre em relação ao software deles. E descobriu-se que o preço total de propriedade era o mesmo. Com o software deles, você começava pagando uma licença, mas o custo do suporte era mais barato, pois podia-se pagar menos pelo suporte. O software livre era gratuito em termos de licença, mas era preciso pagar mais para ter o suporte. Portanto, em um período de cinco anos o custo era o mesmo. Ao saber disso o que pensei foi: quem trabalha com software livre ganha mais dinheiro do que as pessoas que trabalham com a Microsoft. E um dos motivos é haver escassez dessas pessoas. Se estivesse nas universidades eu ensinaria meus alunos como ganhar mais dinheiro do que trabalhando com a Microsoft, fornecendo às indústrias mais pessoas capacitadas, como elas precisam, a fim de economizar dinheiro.

Heródoto Barbeiro: Ok. senhor Jon Hall, nós vamos fazer aqui mais um intervalo, nessa nossa edição especial do Roda Viva, e voltamos em instantes. Até já.

[intervalo]

Heródoto Barbeiro: E você acompanha hoje aqui, no nosso Roda Viva especial, a entrevista com o Jon Hall, presidente da Linux International, entidade que promove a divulgação do software livre em todo mundo. Nós estamos com a nossa edição de hoje diretamente do Expo Transamérica, em São Paulo, onde ocorre a Futurecom. Senhor Jon Hall, eu li um discurso do presidente Lula e ele dizia ainda bem que havia a possibilidade de a gente, ao invés de ter um prato pronto – que você tira do forno, está fechado – você pode fazer o seu próprio prato – pode ser um feijão com arroz  – ele dizia assim bastante simples, mas você constrói e você pode desenvolvê-lo. Obviamente, o presidente estava se referindo ao software. Por isso eu pergunto a você o seguinte: o presidente Lula também é um adepto do Linux, do software livre?

Jon Hall: Creio que o presidente Lula é favorável à criação de empregos locais. Creio que ele entenda a diferença entre comprar um produto, entre comprar alimento, ou ter o serviço, ter o alimento criado para você. Muitas pessoas não gostam de sair para comprar comida, de levá-la para casa, cozinhá-la e, então, ter de lavar os pratos. O que elas gostam é do serviço de ter uma refeição feita para elas da maneira como gostariam. Elas não gostam de comprar um carro porque o que realmente querem é o transporte. Portanto, creio que o software como serviço, adaptado às suas necessidades, é mais importante do que tê-lo como um produto, que você não pode modificar. Acho que o presidente Lula entende isso.

Heródoto Barbeiro: Ele falou também sobre o laptop, que é, aproximadamente, uns cem dólares. Bem barato, mas que fosse uma coisa boa, que as pessoas pudessem utilizar. Você acha que um software fechado, comprado, ele inviabilizaria você ter um Laptop popular ao preço de cem dólares, por isso, ele, necessariamente, ele teria que ser Linux. [referência ao projeto One Laptop per Child, inicialmente conhecido como o “laptop de cem dólares”, voltado a fins educacionais]

Jon Hall: Isso dependeria se as pessoas que fabricam o software fechado quererem ou não cobrar um valor baixo para o modelo de um Laptop bem barato, qualquer coisa é possível. E há muitos modelos que permitiriam que alguém vendesse seu sistema operacional por um dólar para comprar um Laptop barato. Mas a questão é: por que pagar? Por que não ter um software livre no laptop? O problema do software fechado é que você não pode mudá-lo para atender às suas necessidades. Esse é o problema.

Heródoto Barbeiro: Ok.

Rodolfo Lucena: Quando a gente fala de software livre ou quando se fala em software livre, logo começam a surgir grandes questões políticas, filosóficas ou mesmo tecnológica e de desenvolvimento... Os desenvolvedores têm mais liberdade para trabalhar da forma que acham melhor. Eu queria saber o seguinte: para um cidadão comum, um sujeito que acaba de comprar o seu computador de mesa ou o seu computador portátil, o que poderia fazer com que ele jogasse fora o sistema operacional que recebe “de graça” [faz aspas com as mãos] na sua máquina e trocá-lo por alguns dos sabores aí do Linux, como, por exemplo, um Ubuntu ou qualquer outro? [Ou seja] que razões práticas poderiam convencer esse usuário de desktop ou de computador portátil a fazer essa troca?

Jon Hall: Em primeiro lugar, gostaria de dizer que não acredito que o software livre seja uma questão política. Ele não está ligado à política. Não é parte de um ou outro partido político. Trata-se de uma questão econômica. Uma questão de dar emprego às pessoas, empregos locais. E qualquer política, independente de seu partido, deveria ser a favor disso. Trata-se de manter a balança comercial do país sob controle. E qualquer partido político deveria tratar disso. Eu só queria dizer isso, pois há muitas pessoas que dizem que o software livre é um movimento político, não é! Trata-se de uma questão econômica. Quanto à segunda pergunta, sobre por que alguém se desfaria do software novíssimo de um computador novíssimo para usar o software livre, pode ser que as pessoas não fizessem isso. Poderiam dizer que o software que veio com o computador atende perfeitamente às suas necessidades e que vão começar a usá-lo. Mas, no futuro, eles vão querer vender aquele computador a um amigo, para que possam comprar um novo computador. Mas a licença que você recebe com aquele computador novo não lhe permite isso, pois a transferência daquele software é ilegal. Você tem de dar o computador sem nenhum software. E a pessoa que o está comprando tem de comprar uma nova cópia do software para colocar naquele computador mais antigo. E isso é custa dinheiro. Se você tem software livre, você pode dar aquele computador com o software e isso é perfeitamente legal. E aquela pessoa pode usá-lo. Digamos que eu queira ter o mesmo software que tenho no meu computador no meu sistema do serviço, porque gostaria de uma interface e não quero ter de ficar mudando quando passar desse laptop para o sistema do serviço, e isso é possível com o sistema de software livre. Posso ter o mesmo sistema operacional do meu telefone. E posso programar os três com a mesma interface. Posso ter o mesmo sistema operacional, seja ele um Intel chip, Motorola ou Alpha, e não preciso ter sistemas operacionais diferentes para isso. Você teria a liberdade de usar. Agora, a maioria dos usuários de computadores não se importa com isso. Mas algumas pessoas da indústria se importam e isso seria o suficiente para elas se livrarem do sistema operacional que veio com o computador em vista de um novo.

Wilson Moherdaui: Jon, no começo do programa eu disse que você se comportava como um missionário, você percorria o mundo pregando com o fervor de missionário, um fervor quase fanático de missionário que a gente está vendo aqui, e eu disse que você se vestia como um missionário. Isso porque eu sempre vi você com uma camiseta escrito "Linux" e, só para me contrariar, hoje você está com uma camiseta escrito "Projeto Cauã". Eu ouvi e li alguma coisa a respeito desse projeto que me parece é para desenvolver, justamente, um computador acessível para iniciantes, que esse projeto pode gerar até três milhões de empregos na América Latina e que parece que já existe um parceiro brasileiro, uma empresa brasileira envolvida nesse projeto. Eu queria saber o seguinte: primeiro, como é esse milagre de gerar três milhões de empregos e, segundo, qual é essa empresa brasileira envolvida no projeto?

Jon Hall: Trabalho no Projeto Cauã há mais de cinco anos e, há cerca de um ano atrás, uma empresa chamada OpenS, em Florianópolis, procurou-me e disse que achava que meu projeto poderia ajudá-los a resolver o problema da inclusão digital. O problema da inclusão digital, na verdade, é muito maior do que a maioria das pessoas imaginam, porque se você der um computador a todo mundo no Brasil - a todos que não tenham - você pode vir a precisar de setenta milhões de computadores . E, se cada um deles usar trezentos watts de energia elétrica, você terá de construir uma nova represa do tamanho de Itaipu para que aqueles computadores funcionem e uma outra represa do tamanho de Itaipu para resfriar os computadores. Portanto, a primeira coisa a fazer é reduzir a energia elétrica utilizada por um sistema comum de computador. A segunda coisa sobre a qual conversamos foi facilitar o uso de computadores. A maioria das pessoas sabe usar um computador, mas elas também precisam saber como combater um vírus, livrar-se de um spam, como fazer backups. Minha mãe acha que fazer um backup é estacionar um carro de ré e que se acaba com vírus fazendo uma sopa. Se tudo que ela tivesse que fazer fosse o login, ler seus e-mails e navegar pela internet, ela provavelmente conseguiria fazer isso. Mas há outras coisas, como a instalação do novo softwares, a eliminação de um vírus, coisas em geral feitas em grandes empresas por alguém conhecido como "administrador de sistemas" [se refere ao termo fazendo aspas]. Mas minha mãe não tem acesso a alguém assim. Portanto, minha idéia é a de criar milhões de empregos para administradores de sistemas para que mantenham servidores e usem Thin clients para que as pessoas consigam se conectar e tenham o acesso à internet que querem ter. E o projeto Cauã é uma maneira de fazer isso criando entre dois e três milhões de empregos onde as pessoas seriam as proprietárias desse negócio, seriam seus próprios chefes e cuidariam dessas máquinas. Isso poderia ser feito em um ambiente de grande concentração de pessoas. E se você olhar São Paulo, com edifícios de apartamentos e escritórios muito altos e bairro bastante densos, isso seria possível. E você poderia ter uma bolha de rede sem fio, uma internet sem fio para dar às pessoas acesso grátis à internet com acesso em qualquer lugar que estivessem. O projeto Cauã trata disso e falarei a respeito [do projeto] semana que vem, no Latinoware, em Foz do Iguaçu.

Pedro Doria: Jon, a gente estava conversando sobre política e você, imediatamente, se defende dizendo que a questão do free software não é uma questão política. Se você me permite, eu queria questionar isso. Seu companheiro de causa, Richard Stallman, certamente é um sujeito extremamente político e tudo o que a gente está conversando aqui, o tempo todo... Eu tenho certeza que nenhum político é contra a liberdade, até porque - evidentemente que eles têm muito poder - e jamais vão fazer um discurso contra a liberdade, pois eles têm muito poder. Mas, no discurso, sempre vão falar em liberdade, até os ditadores falam em liberdade. Dizem que eles têm, no fim das contas, uma maneira de garantir liberdade para os seus povos. E eu não estou dizendo que eles têm razão ou não, mas a maneira de definir liberdade e a maneira de alcançar a liberdade é justamente o embate político. Existem milhões de visões e maneiras diferentes de você chegar a esse ponto, e eu tenho certeza que tanto nos Estados Unidos quanto aqui no Brasil quanto em qualquer democracia você vai encontrar muita gente que vai defender o método da Microsoft, dizendo que isso é o livre mercado, isso é uma maneira de você conseguir a livre iniciativa... E antes que eu me perca demais... Afinal, essa não é uma questão política, não é uma causa política? Se não fosse político, não haveria a necessidade de haver evangelizadores como você.

Wilson Moherdaui: Só para complementar a pergunta. Eu li que você, na juventude, era um democrata e, na maturidade, virou um republicano. E, já que você citou o George Bush [Sucedeu Bill Clinton na presidência dos Estados Unidos (1995-2009). É do Partido Republicano e filho do ex-presidente americano George H. W. Bush. Seu mandato notabilizou-se pela reação aos ataques de 11 de setembro de 2001 (na chamada Guerra ao Terror), pela invasão do Iraque e outros], durante o governo dele você voltou a ser democrata, é verdade isso?

Jon Hall: Sim, é verdade, mas não tem nada a ver com software livre.

[Risos]

Jon Hall: Mais uma vez, acredito que o software livre é uma questão econômica. Acredito que ele cria empregos locais e mantém o dinheiro dentro do país. No que se refere à política e a alguém ser livre ou escravo, eu acho que a maioria das pessoas entende o que é escravidão. Quando um escravo recebe ordens quanto ao que fazer, para onde ir, quando se casar, quando ter filhos, isso é muito parecido com uma empresa lhe dizendo quando operar seu software, quantas pessoas podem usá-lo, quando você deve se aposentar...

Pedro Doria: Jon, eu sei. E a metáfora é boa até um ponto, porque, afinal de contas, é como se existisse só dois estados: ou de escravidão, ou de liberdade. Como se a gente não pudesse definir liberdade de muitas maneiras diferentes. Eu tenho certeza que pessoas absolutamente... Eu tenho certeza que Bill Gates [Willian Henry Gates  III, nascido nos Estados Unidos em 1955, é fundador da  empresa de tecnologia informática Microsoft, um dos homens mais ricos do mundo] não é um senhor de escravos, por mais que eu possa ter algumas dificuldades com ele. A metáfora se aplica de todo? E [quanto à] economia, a maneira de se conduzir economia não é, afinal de contas, uma questão política?  

Sérgio Amadeu: Mas, Pedro, política que o Maddog está falando - e ele sempre fala, eu já ouvi várias vezes - ele está separando esta política que você está dizendo, que de fato é, de política partidária. Quem aplicou software livre na Bahia foi o governo do DEM, dos Democratas, não foi o governo do Lula, foram partidos até de direita. O que o Maddog está dizendo, e nós constatamos empiricamente, é que não existe vinculação entre a defesa da liberdade do código a uma outra situação política. Há os conservadores que defendem um modelo de código fonte fechado e há aqueles que defendem a liberdade do conhecimento. E o que é liberdade do conhecimento? É permitir acessar o código fonte do software.

Heródoto Barbeiro: Eu pediria que o Jon Hall respondesse a essa pergunta.

Jon Hall: Em meu país temos dois partidos políticos principais: o Republicano, que acredita em um governo pequeno, mas concedendo aos cidadãos tanto poder quanto possível para uso dos governos estaduais e locais. E, do outro lado, temos o Democrata, que tende a acreditar em um governo maior, entregando mais serviços ao povo. Os dois são uma "democracia" [faz aspas com a mão], ou "república" [faz aspas com as mãos], se você preferir. Portanto, há o modelo econômico versus o modelo político. O problema, quando se fala em comunismo, é que a maioria das pessoas que fala em comunismo inclui também a ditadura nessa descrição. Ditadura é a parte política versus a parte econômica, seja ela comunismo, capitalismo ou socialismo. Então, eu acredito que, de fato, o software livre é um exemplo do lado econômico disso, e que ele dá às pessoas uma vantagem econômica, especialmente em um país como o Brasil. Há outras vantagens em que o Brasil deveria pensar. Porque, digamos que os Estados Unidos criassem um embargo contra o Brasil. Há um país pequeno na costa da Flórida sobre o qual você deve ter ouvido falar, Cuba. Cuba sofre embargo econômico há quarenta anos. Tanto tempo que a maioria das pessoas dos Estados Unidos se esqueceu do que se trata o embargo. E empresas americanas não podem vender legalmente computadores ou software para Cuba. Fidel Castro não pode ligar para o Bill Gates e dizer: [muda o tom de voz] "Ei, Bill, estou tendo um problema com o meu software. Você pode consertar para mim? Eu lhe dou uma caixa de charutos?" 

[Risos]

Jon Hall: E Bill Gates, como leal cidadão americano, não pode ajudá-lo, mesmo gostando de charutos. Portanto, esse é o problema. Se você procurar empresas nos Estados Unidos elas lhe dirão que não podem vender seus produtos para Cuba, ou Irã, ou uma lista de outros países, ou até mesmo para determinados indivíduos. Esse é um problema, se você está tentando manter a segurança e integridade do seu país. Por que, o que acontece se o software desaparecer?

Pedro Doria: Jon, a gente está falando de política, não?

Jon Hall: Eu estou de falando de política. Isso é política internacional. Um embargo é uma ferramenta internacional da política para que o seu país faça o que outros países querem que faça. E você tem de se proteger contra isso. O software livre é desenvolvido no mundo todo, não é propriedade de país algum. Então, você tem todo o direito de usá-lo quanto qualquer outro país. 

Heródoto Barbeiro: Ok. Jon Hall, nós vamos fazer aqui nosso último intervalo, nessa nossa edição especial do Roda Viva, e voltamos em instantes. Até já.

[Intervalo]

Heródoto Barbeiro: Bem, nós voltamos agora para o último bloco do Roda Viva de hoje, uma edição especial, diretamente do Futurecom, em São Paulo, um evento que reúne especialistas nas áreas de telecomunicações, tecnologia e informação [...] E o nosso convidado de hoje, Jon Hall, presidente da Linux International, está conversando conosco a respeito da difusão do software livre no mundo. Jon Hall, no bloco anterior, você falou da universalização da internet. E as pessoas querem essa universalização e o Brasil precisa promovê-la. Há um debate interno aqui, no Brasil, da possibilidade de se restaurar uma empresa estatal, a Telebrás, e ela seria responsável por fazer com que esse software chegasse até essa população que hoje ainda não tem acesso à internet. Eu pergunto o seguinte: você acha que o Estado deve participar diretamente dessas etapas, dessa cadeia para que as pessoas de baixa renda possam ter acesso universal à internet?

Jon Hall: Acho que a sociedade deveria ajudar na educação das pessoas o mais possível. Uma das coisas que fez os Estados Unidos um grande país foi o conceito de educação pública acessível gratuitamente para quem a deseje. Quando você tira das pessoas a capacidade de obter informações, você tira delas a capacidade de elas se ajudarem, de ter um emprego ou uma vida melhor. Há inúmeras coisas que a informação pode oferecer às pessoas, como por exemplo a forma de evitar e tratar doenças e não lhes dar isso é crime. Há muito o que o governo pode fazer. E cabe às pessoas e às empresas pensar em formas inovadoras de ajudar para se chegar ao objetivo de levar informação às pessoas. Houve muita crítica ao projeto "Um laptop por criança" [One laptop per child]. E as pessoas diziam: "Por que dar um laptop a uma criança quando o que elas precisam é de água e comida?" Bem, se você lhes der a informação elas podem aprender como ferver a água e matar os germes; podem aprender como cultivar os alimentos. Esse é o pressuposto do projeto "Um laptop por criança". Acho que o acesso à internet é, de fato, o que deveria ser feito e farei o que for possível para ajudar nisso.  

Carmen Amorim: Então, há um internauta aqui, o Marcelo Marques, ele faz a seguinte pergunta: "O Brasil será sede das olimpíadas em 2016. Se houvesse um olimpíada tecnológica, quem seria medalha de ouro no software livre e no software proprietário?" Mas antes de você responder a essa pergunta vou passar um comentário de outro internauta, a Bia. Ela faz a seguinte pergunta: "Quem da platéia está usando Linux para assistir a entrevista do Jon, aqui no estúdio?" 

Jon Hall: Acho que metade da platéia diria que sim e metade diria que não. E então eu lhes perguntaria: "quem não está usando software livre?" E é uma pergunta capciosa porque a maioria das pessoas está usando software livre de uma maneira ou de outra. No entanto, uma pessoa levantaria a mão e eu diria: "senhor Gates, o senhor não vale!" [risos]

Carmen Amorim: Sobre as olimpíadas, quem seria medalha de ouro no software livre e no software proprietário, em sua opinião?

Jon Hall: Essa é uma pergunta muito difícil, pois depende de como você avalia a medalha de ouro nas olimpíadas. É mais ou menos como perguntar a quem dar o prêmio Nobel da paz, é uma pergunta muito difícil. Eu gostaria de mudar ligeiramente a pergunta: se eu fosse pensar a quem dar o prêmio Nobel do software, acho que haveria um empate entre Grace Murray Hooper, uma das primeiras programadoras e que criou a linguagem Cobol, e Douglas McIlroy, uma das pessoas que ajudou na criação do sistema operacional Unix [ou sistema operacional portável, multitarefa e multiusuário. Foi criado por um grupo de programadores da AT&T e dos Bell Labs, que incluem Ken Thompson, Dennis Ritchie e Douglas McIlroy. O GNU/Linux segue a mesma lógica do Unix, foi criado tendo-o como espelho] e no desenvolvimento de pipes e filtros. Há inúmeras pessoas que ajudaram no desenvolvimento do software que conhecemos. A maioria dessas inovações ocorreram antes dos direitos autorais e das patentes relativas à software. Portanto, as pessoas que acreditam que precisamos de direitos autorais e patentes relativos à software para incentivar a inovação estão simplesmente equivocadas, está provado que elas estão erradas. Temos, hoje, um número enorme de pessoas brilhantes por toda a internet contribuindo com a idéia de software livre. E uma das razões pela qual eu gosto de software livre e da internet é que podemos chegar até essas pessoas, podemos ver quem elas são. Elas emergem como a nata do leite. E não sou tão egocêntrico de pensar que o próximo Albert Einstein do software virá dos Estados Unidos. O software livre nos permite ver essas pessoas na China, Tibet, Brasil, ou até mesmo em um lugar tão improvável quanto Helsinque, na Finlândia, de onde veio Linus Torvalds. Então, podemos ver essas pessoas com o software livre. O software proprietário esconde o brilho dessas pessoas por trás das fontes do código fechado do próprio software, não conseguimos vê-los. Isso é um problema.

Sérgio Amadeu: Jon, hoje a informação que circula na rede é fundamental, até mesmo para desenvolver software livre. Mas é também fundamental para que qualquer pessoa possa acessar alguma coisa. Tanto é que os sites de mais acessos no planeta são mecanismos de busca - o Yahoo e Google. Um deles, o Google, está se tornando uma grande empresa com vários ramos na área de informação, e isso tem preocupado muitas pessoas da comunidade do software livre. Recentemente, nós ficamos sabendo que o Google está desenvolvendo um sistema operacional também. O que você acha do Google, ele é aliado ou é uma ameaça ao software livre?  

Jon Hall: Eu gostaria de poder olhar no coração dos homens e saber se eles são maus ou não, infelizmente, eu não posso fazer isso. Sei que o Google tem contribuido muito com o software livre patrocinando coisas como o Summer of Code [Programa financiado pela Google que tem o objetivo incentivar estudantes a desenvolver softwares livres, entre os projetos apresentados estão o Debian, Ubuntu e outros]. Eles mantiveram a palavra quanto à criação do sistema operacional Android [sistema livre, para celulares] e a publicação do software para ele. Eles dizem que farão isso com o Chrome OS, sistema operacional [de código aberto] que estão criando [para trabalhar eespecialmente com a internet]. E estão usando o Linux kernel no Chrome OS. Eu penso que se o Chrome OS chegar a um grande número de computadores, os fabricantes periféricos, como USB sticks e coisas do tipo, irão criar drivers [programas que passam as instruções do hardware ao sistema] de dispositivos que rodam não apenas no Chrome OS mas também em sistemas Linux comuns, o que nos ajudará a levar ainda mais sistemas Linux às pessoas que desejam usá-los.  

Sérgio Amadeu: Você acha, então, que o Google está devolvendo, ajudando as construir mais código fonte aberto no mundo?

Jon Hall: Eu acho que muitos dos desenvolvedores no Google fazem isso. Não sei se eles divulgam todo o código que desenvolvem. Como disse, eles patrocinaram o Summer of Code, que, sem dúvida, ajudou em projetos de fonte aberta, pagando pessoas para criarem software livre e inspirando as pessoas a desenvolveram software livre.

Pedro Doria: Jon, como bem falou o Sérgio, o Google hoje é o lugar onde todos nós nos informamos, o dia todo; é poder demais para uma só empresa já que estamos falando de liberdade? Ser o centro, o grande oráculo da humanidade?

Jon Hall: De novo, ao falarmos de monopólio, há dois aspectos a considerar: primeiro, eles são um monopólio? Eles têm todo esse poder? E, segundo, eles violam leis que a sociedade lhes impõe para a regulação de um monopólio? Se a Microsoft fosse apenas um monopólio, então os Estados Unidas e a União Européia não a combateriam. Mas como a Microsoft não seguiu leis que eram contra o monopólio ela foi considerada culpada. Como o Google é muito grande, isso não é crime. E, se eles trazem benefícios, a sociedade terá de resolver se quer usá-lo ou não. Por isso não sei dizer se o Google está certo ou errado, se é bom ou ruim, a sociedade terá de descobrir isso.

Heródoto Barbeiro: Ok Jon Hall, muito obrigado por estar conosco aqui, no nosso programa. Nós chegamos ao fim do nosso programa de hoje, com o nosso convidado Jon Hall, presidente da Linux [International]. Queria agradecer também os meus colegas jornalistas, aqui da bancada, que estiveram conosco participando do programa. Quero lembrar a todos que as perguntas que não foram respondidas pelo Jon Hall serão encaminhadas a ele e quero lembrar também que o Roda Viva é apresentado toda segunda-feira ao vivo na internet a partir das 6:30 da tarde, e pode ser visto também na íntegra, sem cortes, sem edição às 10:10 da noite na nossa TV Cultura [...] Nós queríamos agradecer mais uma vez a sua participação desse Roda Viva especial de hoje que está sendo apresentado no Expo Transamérica, no Futerocom. Uma boa semana a todos e até a próxima. 

 

 

 

 

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