Memória Roda Viva

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Leonel Brizola

7/10/1991

O presidente do PDT questiona o projeto de privatização de empresas brasileiras e a abertura para o capital estrangeiro

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[programa ao vivo, permitindo a participação dos telespectadores]

Jorge Escosteguy: Boa noite, estamos começando mais um Roda Viva pela TV Cultura de São Paulo. No centro da roda, esta noite, está um personagem polêmico da política brasileira, um político que já foi deputado três vezes por dois estados diferentes, eleito governador do estado três vezes por dois estados diferentes [Rio Grande do Sul, de 1959 a 1963, e Rio de Janeiro, de 1983 a 1987 e de 1991 a 1994], foi cassado e exilado. Começou a vida como engraxate, foi vendedor de jornais, assessor técnico rural, engenheiro e empresário rural. No centro do Roda Viva desta noite está o governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola. Para entrevistá-lo nós convidamos: Caco Barcellos, repórter especial da TV Globo, Ottoni Fernandes, jornalista da Gazeta Mercantil, João Batista Natali, repórter da Folha de S.Paulo, Carlos Alberto Sardenberg, editor do Jornal do Brasil em São Paulo, José Paulo de Andrade, diretor de jornalismo da rádio e TV Bandeirantes, Mauro Chaves, editorialista do jornal O Estado de S. Paulo, Ipsan Espártacos, chefe de redação do jornal O Globo; Dacio Nitrini, diretor de operações jornalísticas do SBT. Você, que está em casa e quiser fazer perguntas por telefone, pode chamar (11) 252-6525.

Leonel Brizola: Boa noite, eu espero que brevemente a TV Educativa do Rio de Janeiro transmita esse programa.

Jorge Escosteguy: O senhor não deixou nem eu perguntar hoje! Certamente chegaremos lá.

Leonel Brizola: Serão necessárias algumas decisões importantes: por exemplo, a de atribuir a TV Educativa do Rio de Janeiro ao estado, porque é a única emissora de televisão, de natureza cultural, estatal, que não pertence e nem é gerida pelo estado. Vocês, aqui em São Paulo, são mais felizes que nós.

Jorge Escosteguy: Nós somos felizes porque somos uma TV pública.

Leonel Brizola: Veja, eu sei, é uma TV pública, mas é uma instituição pública, onde, evidentemente, está implícita a estadualização, a regionalização da televisão e, no Rio, ela está sendo gerenciada pelo governo federal, não há nem uma presença da comunidade, a não ser quando convidada para um programa ou outro e isso nós precisamos solucionar. Essa é uma questão colocada perante ao presidente Collor, que eu espero que tenha solução. Se não quiser nos ceder aquela televisão, que nos abram canais para que o Rio de Janeiro, então, organize, institua, estruture e monte sua própria televisão.

Jorge Escosteguy: Nós agradecemos sua referência à TV Cultura e torcemos para que o senhor tenha sucesso nessa empreitada.

Leonel Brizola: Obrigado.

Jorge Escosteguy: Os jornais de hoje, governador, dão como certo o fim do seu "namoro" com o presidente Fernando Collor, em função do começo da campanha contra a desestatização ou venda da Usiminas [Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais. Foi a primeira estatal a ser privatizada. Isso ocorreu em 24 de outubro de 1991, sob o governo Collor, apesar de protestos]. Isso é verdade?

Leonel Brizola: Desculpe, não há nenhum namoro político.

Jorge Escosteguy: A aproximação...

Leonel Brizola: A rigor, não podia e nem deve haver um relacionamento diferente entre o governador e o presidente, a não ser este tipo de relacionamento que eu desenvolvi com o presidente Collor. Nós temos que cooperar em torno do interesse público, como eu tenho que cooperar com os prefeitos. O governador Fleury [Antônio Fleury Filho, governador de São Paulo entre 1991 e 1995, pelo PMDB] também vem de uma extração hostil ao presidente Collor. Por que não comentam assim sobre o governador Fleury?

Jorge Escosteguy: Mas é que o senhor chamou o presidente Collor de "filhote da ditadura", governador.

Leonel Brizola: Sim, dando a contestação merecida a quem também me havia agredido gratuitamente. Agora, na verdade, o importante desse relacionamento - é isso que eu acho que devia merecer o aplauso de todas as pessoas de bem, de todas as pessoas honradas - é que nós, investidos nas nossas funções, não caímos em um jargão baixo, nem na política inferior de estar cultivando essas incompatibilidades e conseguimos subir para o patamar das relações de civilidade, cordiais. Eu, francamente, não compreendo como isso não é saudado até mesmo pelos adversários como uma coisa construtiva, positiva, boa, em favor do desenvolvimento político brasileiro. E essas notícias dos jornais, a que o amigo se referiu, não passam de expressão de um desejo desses círculos rançosos da política brasileira, como aquele meu colega, o governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães [ACM], ele está querendo...O Roberto Marinho é um empresário muito importante, mas ele gosta da política, ele sempre está metido na política, então também deve ser motivo dos nossos comentários, porque todo empresário que atua politicamente tem que ser analisado como político, embora às vezes não pertença a partido, mas eles não gostam. Se eles se envolvem em assuntos públicos, têm que ser evocados também. É desejo desse pessoal que haja uma ruptura. Não acredito que isso vá ocorrer. Eu acho que essas relações que nós conseguimos construir não vão se abalar perante nossas divergências. Nós nos relacionamos no campo cordial, no campo construtivo do interesse público. Nada mais. [A carreira de Brizola foi marcada por divergências em relação aos empresários-políticos de grandes veículos de comunicação, como ACM, de emissoras e jornais baianos, e Roberto Marinho, das Organizações Globo. O principal motivo seria o apoio dos veículos ao golpe militar de 1964]

João Batista Natali: Governador, independentemente dessa cordialidade, dessa relação absolutamente civilizada que o senhor disse que mantém com o presidente da República, eu tenho a impressão de que o senhor estaria perfeitamente maduro para responder uma pergunta diante de todo mundo. O senhor acredita que o presidente da República chega ao fim do seu mandato?

Leonel Brizola: Acredito, creio que o nosso país já sofreu bastante com essa ordem de problemas, de golpismo, seja através do Congresso Nacional, judiciário ou quartéis. Eu acho que nós podemos contrariar as iniciativas do atual governo, mas nunca questionar sua legitimidade, o direito que ele tem de exercer esse mandato até o fim. Defender a governabilidade é um dever de todos nós, de todos os bons democratas. Isso o presidente Collor tem de nós. Quando, em um dado momento, criou-se uma situação perigosa para o governo federal, eu tive a oportunidade de expressar ao presidente da República o seguinte pensamento: "Presidente, quando estava no governo João Goulart, perdemos as eleições em São Paulo para o Adhemar [(1901-1969) Adhemar de Barros, empresário e político brasileiro. Foi deputado estadual (1935-1937), governador eleito (1947-1951; 1963-1966) e prefeito de São Paulo (1957-1958), de tendência populista de direita], no Rio de Janeiro para o Carlos Lacerda [(1914-1977) jornalista e político, opositor de Getúlio Vargas. Em 1960, foi empossado como primeiro governador do estado da Guanabara. Notabilizou-se por sua oposição a Vargas e a movimentos trabalhistas e comunistas], em Minas Gerais para o José de Magalhães Pinto [(1909-1996) Governou Minas Gerais entre 1961 e 1966, quando criou o Banco de Desenvolvimento do estado. Foi um dos principais membros do golpe militar de 1964]. O João Goulart me disse que se sentia como se tivesse perdido o pé e depois aconteceu o que aconteceu. Recentemente, o regime militar perdeu no Rio de Janeiro para o Leonel Brizola, perdeu em Minas para o Tancredo Neves, perdeu em São Paulo para o Franco Montoro. Caiu o regime. Recentemente, o atual governo federal perdeu no Rio para o Leonel Brizola, perdeu em Minas, perdeu em São Paulo, perdeu no Paraná e perdeu no Rio Grande do Sul. Ainda que, sob um ponto de vista geopolítico, tenha ocorrido isso na vida brasileira, desses cinco grandes estados, dois não entrarão jamais em esquemas inconvencionais que venham agredir, violar, afetar a governabilidade, porque isso está ligado aos nossos compromissos com a ordem constitucional, com a ordem democrática".

Jorge Escosteguy: Quais não se envolveriam?

Dacio Nitrini: Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul...

Leonel Brizola: Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, porque eu havia trocado idéias com o governador Alceu Collares [governador do estado entre 1991 e 1994, pelo PDT de Brizola] a esse respeito.

Jorge Escosteguy: Os outros o senhor falou que não confia?

Leonel Brizola: Não podia falar pelos outros governos, mas espero que meus ilustres colegas tenham também se pronunciado a esse respeito. E não é em troca de nada, não há nenhum "dá lá e toma de cá", quero fazer essa declaração para que as nossas posições fiquem definidas. Dois governos não entrarão em aventura... São três, a rigor, porque o Espírito Santo também tem esse compromisso. Nós selamos esse compromisso, esses três governos não entrarão jamais em qualquer esquema inconvencional, em qualquer esquema golpista, em qualquer esquema que agrida a ordem constitucional.

Ottoni Fernandes: Governador, o que mudou em sua posição nas duas últimas semanas a respeito da privatização? Há duas semanas houve aquele incidente, as cenas de pancadaria explícita em frente à Bolsa de Valores no Rio de Janeiro, por ocasião do do leilão da Usiminas. O senhor não tinha tido uma manifestação tão clara e explícita como agora, quando o senhor está convocando um comício contra o processo de privatização. O que mudou na sua posição nas duas últimas semanas?

Leonel Brizola: Não mudou nada.

Jorge Escosteguy: Os telespectadores Ana Hipólito, de São Paulo; Edílson de Assis, de Santo André e Silvio Neves, de São Paulo, perguntam por que o senhor é contra a privatização da Usiminas ou o projeto de privatização do governo.

Leonel Brizola: Muito bem, vamos lá. Não houve nenhuma mudança, é que há tempo de semear, há tempo de colher e há tempo para isto e aquilo, como a própria Bíblia nos diz. Nós nos ocupávamos de outras questões e esse assunto agora é que passou a ser colocado diante de nós. Aqueles acontecimentos da Bolsa configuraram um episódio infeliz, que nunca devia ter ocorrido na vida do nosso país, mas ocorreu. Houve exploração em torno dele, não é verdade que o nosso partido tenha estado presente, lá não havia nenhum companheiro nosso. Não é verdade que a polícia local estivesse numa atitude de perversidade, nós organizamos o policiamento de acordo com que o dirigente da Bolsa quis, amarramos o cavalo de acordo com a vontade do dono, e eu não estava aí, eu tinha ido a Berlim. O Nilo Batista [vice-governador] era o interino e ao mesmo tempo era responsável pela área, atuou de boa fé de acordo com o que quis a direção da Bolsa. Se eu estivesse presente, sendo "macaco velho" [experiente], já não procederia assim, eu ia tomar medidas cautelares, porque não iria confiar. Como eu venho de longe, já vi muitas coisas misteriosas na minha vida, "tinha olho de jacaré, pele de jacaré, dente de jacaré, mas diziam que não era jacaré", então eu...

Ottoni Fernandes: E onde está o "jacaré" nesse episódio da Bolsa?

Leonel Brizola: Não sei. O fato é que lá estavam alguns cutistas [membros da CUT - Central Única dos Trabalhadores, principal organização sindical brasileira], que "colaboram" maravilhosamente no Rio de Janeiro. Estão eles sempre colaborando comigo no Rio de Janeiro, recebem instruções daqui de São Paulo para colaborar comigo lá no Rio de Janeiro. Dinheiro, subversões, recursos, subsídios para essa obra de colaboração que eles desenvolvem no Rio de Janeiro [demonstra ironia]. Então, quando aquilo aconteceu, se fosse comigo eu ia logo desconfiar. Mas seja como for, foi deprimente. Agora, vergonhoso foi o processo de exploração que se viu por toda a parte. Aquela foto que para mim foi ardentemente preparada, porque, convenhamos, que casualidade! Estava todo mundo ali bem no momento e “plac, plac, plac” [reproduz ruído da máquina fotográfica], todo mundo publicou aquela foto.

Jorge Escosteguy: Qual era a foto?

Leonel Brizola: Aquela da patada...E chamando a atenção que aquela pessoa que estava levando a patada estava tranqüila, olímpica, parecia que não acontecia nada.

Ottoni Fernandes: Você acha que foi jogada ensaiada?

Leonel Brizola: Na verdade, até isso podia ter sido! A revista Veja, por exemplo, publicou uma matéria sem nenhuma ética, porque o repórter foi procurar o Nilo Batista e ele relatou tudo aquilo, simplesmente o repórter retratou como se fosse uma coisa da revista, aquilo são detalhes de investigações da polícia. Mas a verdade é o seguinte, esse episódio foi explorado, produzido por gente que trabalhou contra o nosso ponto de vista, só favoreceu aos privatistas, aos que querem alienar o patrimônio público, só prejudicou a nossa causa, então o que estavam fazendo lá? Se fosse gente inteligente, militantes esclarecidos, não iam fazer aquilo, mas o importante não é isto, é a exploração, porque veja que entre mortos e feridos, o que aconteceu? Não aconteceu nada. Claro que a vaidade dos investidores, a vaidade dos empresários, a vaidade dos financistas, isso sim podia ter sido um pouco ofendida com aqueles episódios, mas afinal não ocorreu nada. E eu pergunto: não sensibiliza a todos esses senhores, a todos os que exploraram aquele episódio, o fato de que aqui em São Paulo e lá no Rio de Janeiro estar havendo uma matança de crianças e de jovens, dezenas por dia, milhares por ano estarem caindo sob as balas assassinas de uma repressão sangrenta? Nem um enterro cristão eles estão tendo! Isto não sensibiliza as suas excelências, os investidores? O país está vivendo um drama dessa ordem, enquanto aquele episódio teve essa repercussão... Isso é que me magoa, ver todas essas camadas importantes da vida brasileira insensíveis ao que está acontecendo com o nosso país! [demonstra entusiasmo]

Jorge Escosteguy: Por que o senhor é contra ou não à privatização da Usiminas e o programa de privatização, se for o caso?

Leonel Brizola: Olha, eu não sou contra o programa de privatização em si. Eu acho que é uma necessidade em um país como o nosso, aliás, como em qualquer organização, combater o gigantismo, que é uma doença de todas as organizações. Prevenir-se contra o gigantismo é uma necessidade tanto na administração pública quanto nas organizações privadas. Então, o Estado brasileiro precisa "perder essas banhas" que adquiriu, nós estamos de acordo. Se o presidente Collor resolver abrir essa questão para uma nova discussão em torno de um programa de racionalização e modernização do Estado brasileiro, eu acho que assim é que deve ser colocado o problema, porque privatizar é um capítulo, é um detalhe. Tem muita coisa que tem que extinguir, outras precisa dividir, precisa enxugar, e algumas tem até que dar de presente para alguma instituição de caridade, compreendeu? Quer dizer, eu não sou contra isso, agora quando vem a Usiminas colocada assim, a mim me escandaliza, porque contraria todas as razões que estão evocando: que o Estado não tem dinheiro, que gasta tudo com as estatais, não pode fazer saúde, educação, não pode proporcionar abastecimento de água, nem transporte, nem habitação, só tem que dar o dinheiro todo para essas áreas que ele interviu e controla economicamente. Bem, se nós vamos vender uma empresa lucrativa, uma beleza de instituição que nós construímos ali com suor e sacrifício do povo brasileiro, para que agravar ainda as dificuldades do Estado aumentando o déficit do Estado, tirando essa receita? Eu não estou satisfeito com esse envolvimento dos próprios empregados da Usiminas, dando-lhes 10% das ações. A mim me parece uma cooptação. Isso sim é muito grave! E a visão do Juscelino Kubitschek e do governo de Minas de construir aquela usina? Vão entregar isso por papéis podres? Olha, não sou eu que digo isso...

Ottoni Fernandes: Será que o problema é a moeda com que vai ser paga?

Leonel Brizola: É uma das questões. A outra é a tese de que nós estamos abrindo mão de uma empresa lucrativa e deixando as outras que estão pesando sobre o Estado. Sabe, eu sou um empírico, vocês sabem, eu não sou teórico, não tenho doutorado nem mestrado, fiz meu curso superior, mas em matéria de pensamento político-social sou um empírico, vivo das minhas experiências, dos meus ouvidos, da leitura que faço, do estudo. Vejo o seguinte: eu, [quando] governador do Rio Grande do Sul, inconformado com aquele bloqueio de uma empresa americana que era concessionária dos serviços de eletricidade, tive que expropriá-la [Em 1959, Brizola emcampou a Bond and Share, concessionária de energia do RS que vinha prestando serviços precários]. Sabe o que me diziam naquela época? "Não, Brizola, não faça isso, não exproprie, porque nós não temos capital, o Brasil é um país sem capital, então você vai aplicar o capital em outra coisa para gerar empregos". Olha, eu acho que isso tem um conteúdo de verdade...Ali eu não pude superar a situação, porque era um bloqueio para o desenvolvimento, mas eu pergunto: não seria muito melhor jogar esse capital que vai ser aplicado na Usiminas para novos empreendimentos, para criar mais empregos para o povo brasileiro e para os jovens? Porque esse dinheiro cai lá na vala comum do poder público brasileiro e nós iremos ver o destino que vai tomar.

Mauro Chaves: Mas o governo quer exatamente isso: que haja recursos para a Usiminas, porque se considera sem condições de recursos para propiciar o desenvolvimento da Usiminas a longo prazo. Agora, o que eu quero perguntar ao senhor é o seguinte: o senhor disse que era a favor do programa de privatização do governo Collor...

Leonel Brizola: [interrompendo] Não, eu não disse do governo Collor.

Mauro Chaves: Em tese.

Leonel Brizola: Eu admito a privatização como um processo normal de corte das gorduras do Estado.

Mauro Chaves: A afinidade que o senhor tem tido ultimamente com o Collor, até a gente pode imaginar que hoje se estivéssemos no segundo turno, o senhor talvez votasse até no Collor e não no Lula, dá essa impressão. Agora, o senhor...

Leonel Brizola: Não, isso aí é avançar muito o sinal...

Mauro Chaves: O senhor não concorda, mas tem uma afinidade.

Leonel Brizola: ...é querer interpretar demasiadamente.

Mauro Chaves: Mas eu perguntaria o seguinte: quais são, objetivamente, as afinidades? O seu partido, por exemplo, não tem apoiado o Collor, o caso do Emendão. Então, essa afinidade se traduz em algo concreto em termos políticos ou se condiciona apenas ao tipo de ajuda que o governo federal dá ao Rio de Janeiro?

[sobreposição de vozes]

Leonel Brizola: O que nós fizemos foi o desenvolvimento de relações cordiais, relações com civilidade, como era do nosso dever, porque seria uma insensatez, uma coisa estúpida se nós passássemos a cultivar aquelas incompatibilidade da campanha. Até seria uma atitude antidemocrática, porque o povo falou, o valor mais alto falou, que foi a entrada dele na Presidência, lhe dando legitimidade. Ele deixou de ser o candidato para ser o eleito, merecedor do respeito e da consideração de todos nós.

Mauro Chaves: Governador, isso está claro, a dúvida é outra.

Leonel Brizola: Eu fui para o governo do Rio de Janeiro para continuarmos uma guerra? Seria uma estupidez. Agora, desenvolvemos essas relações, falamos sobre política internacional, sobre os problemas do Rio de Janeiro e eu quero lhe dizer que há nessa cordialidade até a perspectiva de uma boa amizade pessoal, mas isso aí não interfere de maneira nenhuma na independência das nossas posições.

Mauro Chaves: A pergunta fundamental é a seguinte: fora a ajuda dos recursos federais prometidos para o Rio de Janeiro, quais são as outras afinidades que o senhor descobriu?

Leonel Brizola: Eu não gosto dessa palavra "ajuda"...

Mauro Chaves: Do repasse de recursos, vamos falar de repasse de recursos.

Leonel Brizola: Eu acho que, até agora, eu ajudei mais o governo federal do que ele ajudou a mim.

Jorge Escosteguy: Como?

Leonel Brizola: Os jornais estão aí, quer ver uma coisa? Linha Vermelha [nome popular à Via Expressa João Goulart, construída por Brizola para o evento Rio-92, que liga o município do Rio e São João do Meriti, desafogando o trânsito na Avenida Brasil]! Quem mais necessitava da Linha Vermelha é o governo federal. Como ele ia receber mais de cem chefes de Estado pela Avenida Brasil? Seria uma vergonha. Qual foi a forma mais eficiente de construir a Linha Vermelha? Foi um convênio com o governo do estado. E ainda conseguiram que eu entrasse com a metade, aumentamos o nosso endividamento para entrar com a metade. Segundo lugar, esse programa dos Cieps [Centros Integrados de Educação Pública, fundados por Brizola no estado do Rio e que propunham diferentes métodos de aprendizado e atividades em período integral. Atualmente, os espaços não seguem o projeto pedagógico ou estão abandonados], me senti profundamente confortável, tomei a iniciativa de apresentar aquelas idéias ao Collor e fiquei muito feliz com a acolhida. Mais de duzentos especialistas trabalharam nesse projeto, dia e noite, por muitas semanas, para concluir todo o programa que entregamos a ele como cooperação.

[sobreposição de vozes]

Mauro Chaves: Eu só queria que você respondesse uma pergunta.

Jorge Escosteguy: Mauro Chaves, por favor, um minutinho. Agora o Dacio Nitrini, que está há 25 minutos tentando fazer uma pergunta.

Mauro Chaves: Ele não respondeu a uma pergunta fundamental...Fora o repasse de verbas para o Rio de Janeiro, qual a outra afinidade que o senhor tem com o governo Collor?

Leonel Brizola: Os Cieps, por exemplo. Nós tratamos de desenvolver relações de cooperação, trocamos idéias sobre muitas questões, apenas isso.

Mauro Chaves: E sobre o Emendão?

Dacio Nitrini: O senhor apóia o Emendão?

Leonel Brizola: Sobre o Emendão, nós não fomos ouvidos. Se nos mandassem aquele texto previamente, nós íamos dar o nosso ponto de vista.

Ottoni Fernandes: O senhor não conversou com o presidente a esse respeito?

Leonel Brizola: A respeito dessa iniciativa, não. E eu quero lhe dizer que...

Jorge Escosteguy: Mas o senhor é favorável à mudança?

Leonel Brizola: As nossas conversações se restringiram essencialmente aos problemas do Rio de Janeiro. Sobre alguns problemas nacionais, me coloquei à disposição, mas nunca discutimos alianças, entendimentos, relações da maior cordialidade e respeito mútuo. Eu acho que ele foi corretíssimo comigo a esse respeito, nunca me pediu apoio para esta ou aquela iniciativa do governo no Congresso, eu que tive a oportunidade de dizer que nós assumiríamos a nossa linha oposicionista, mas não éramos sectários, que nós estaríamos lá à disposição para que os representantes do governo nos procurassem. Muitas decisões nós tomamos até a favor do governo, mas que correspondiam à nossa coerência, é isso. Agora, eu acho que eu estava dando ao presidente uma colaboração, porque nós representamos um pensamento renovador, moderno, ao contrário do que esses paquidermes que vêm da ditadura e que estão lá dentro do governo deles, como é o caso do Antônio Carlos Magalhães, Roberto Marinho e Roberto Campos. São paquidermes! Essa gente devia estar aposentada, no mínimo não deram resultado. Se o Collor for atrás dessa gente, vai "dar com os burros n'água".

Dacio Nitrini: Há poucos instantes, o senhor estava mostrando sua indignação com a repercussão da pancadaria à porta da Bolsa no Rio de Janeiro, comparando com a violência contra os menores, que é uma situação típica policial, que precisa ser averiguada e investigada. No Rio de Janeiro, o caso do extermínio de menores tem repercussão internacional.

Leonel Brizola: E de São Paulo também.

Dacio Nitrini: No Rio, especificamente.

Leonel Brizola: Mas no Rio de Janeiro é porque o processo é mais antigo.

Dacio Nitrini: Na baixada do Rio de Janeiro, as forças infiltradas na polícia, que se apresentam como policiais, são agentes exterminadores. O que o seu governo fez, concretamente, para acabar com os grupos de extermínio, já que o senhor demonstrou toda essa indignação? Quantos policiais foram presos, banidos e estão na cadeia por serem bandidos?

Leonel Brizola: Tudo o que a sua mente pode imaginar que um governo pode fazer nós temos feito. Mas não que isso tenha representado solução, ainda. Desde um posicionamento público indispensável, como consideramos do governador...

Dacio Nitrini: Bom, isso é esperado de qualquer cidadão.

Leonel Brizola: O governador não tem que colocar isso embaixo do tapete, o que, infelizmente, é a tendência natural no nosso país de minimizar esses problemas. Eu não, eu não perco oportunidade quando eu tenho acesso aos meios de comunicação. Segundo, fazendo com que essa doutrina da responsabilização a esse problema possa partir de cima para baixo com o máximo de intensidade. O responsável por essa área, o Nilo Batista, vem desenvolvendo a mais intensa atividade em colaboração com todas as instituições que consegue mobilizar, e nós já temos aprisionados muitos integrantes desses grupos que estão sendo processados. Muitos deles, no meu governo anterior, foram condenados, porque conseguimos reduzir isso a níveis muito baixos no outro período, e agora nós já reduzimos aquelas estatísticas tenebrosas à metade. Isso não nos satisfaz, mas a repercussão internacional do Rio de Janeiro é tão grande quanto a de São Paulo. Essas notícias estão assombrando...como é que isso pode acontecer aqui no Brasil? Esses dias, o próprio jornal O Estado de S. Paulo - que eu leio todos os dias, tenho muita admiração por ele, porque assume a sua posição firmemente - publicou um matéria, até com fotos de menores, com uma estatística impressionante. Isso percorreu todo o mundo. Eu agradeci por ter feito isso, porque a grande imprensa esconde. Então, o que eu posso lhe dizer? Como governador, eu ando falando sobre esse assunto, inclusive há poucos dias em uma reunião lá em Berlim eu abordei esse momento. Ficaram estatelados ao saber que, no Rio de Janeiro, foram assassinados no último quatriênio cerca de 35 mil jovens, e entre esses jovens, entre 6% e 8% de menores. E isso está ocorrendo todos os dias no Rio e em São Paulo.

Dacio Nitrini: Governador, há quem diga que o tráfico de drogas e o jogo do bicho estão em uma associação imutável, poderosa.

Leonel Brizola: É possível, é possível.

Dacio Nitrini: Que atuam no Rio de Janeiro quase que como um Estado, com problemas paralelos.

Leonel Brizola: O mesmo nós podemos dizer de São Paulo.

Dacio Nitrini: O governador que está sendo entrevistado hoje é o do Rio de Janeiro. Quando o governador de São Paulo vier, nós trataremos dos problemas de São Paulo.

Leonel Brizola: Quando o senhor joga essa interpretação sobre o Rio de Janeiro, eu me permito dizer que isso não é verdadeiro.

Dacio Nitrini: Certamente, não é exclusivamente do Rio.

Leonel Brizola: Tanto é que está ocorrendo essa matança aqui em São Paulo e ninguém diz que o jogo do bicho e a droga formaram um governo paralelo.

Dacio Nitrini: Mas o governador do Rio de Janeiro tem o dever de comandar a polícia, de combater o crime em seu estado.

Leonel Brizola: Nós sabemos, mas é isso que nós estamos fazendo, o que é que acontece? Acontece que se essa matança está ocorrendo também aqui em São Paulo e os senhores sabem que aqui não há um governo paralelo em função do jogo do bicho e da droga, isto é uma infâmia contra o Rio de Janeiro, dos que invejam o Rio de Janeiro, daqueles que, no comércio internacional do turismo, procuram deprimir o Rio de Janeiro como centro do turismo; não é real. A elite brasileira também procura manter a favela como se fosse um gueto, onde acontece tudo, quer dizer, na verdade...

Dacio Nitrini: Mas a polícia do Rio reprime ou não o jogo do bicho?

Leonel Brizola: A pergunta não pode ser dirigida ao governador, porque nós estamos fazendo tudo isso para mostrar ao mundo que no Rio de Janeiro estabeleceu-se uma doutrina pérfida, cruel, monstruosa, que é aquela que, em lugar de prender, processar, julgar, condenar e encarcerar, simplesmente é seqüestrar e matar. Essa doutrina é a que está lá em prática no Rio de Janeiro, é um processo repressivo, monstruoso, brutal, sanguinário que está se executando. Quem está matando? Os senhores sabem que durante a ditadura desenvolveu-se a organização das polícias patronais, das polícias particulares, o chamado serviço de segurança. Estabeleceu-se um até uma promiscuidade entre essas polícias e a polícia do Estado, quando se admitiu que funcionários da polícia do Estado fossem participar desses grupos de segurança, dar instruções e tudo mais [refere-se a grupos como a Scuderie Le Cocq]. Quando se mata com bala de guerra no Rio de Janeiro e aqui em São Paulo, examinem esses jovens que caem aí vítimas desses grupos de extermínios para ver se não estão perfurados com dez, 15, vinte balas de guerra e eu pergunto: essas armas de guerra vem de onde? Quando um policial exerce 24 horas do seu serviço e depois tem 72 horas de descanso e vai trabalhar, transformando muitas vezes o serviço público em um "bico".

Jorge Escosteguy: Governador...

Leonel Brizola: Não, vamos deixar esse assunto bem claro, me desculpem! Criou-se essa doutrina monstruosa que eu denuncio como uma perversidade. O povo brasileiro, a sociedade brasileira não pode tolerar isso que está ocorrendo, criou-se novamente, num retrocesso terrível na vida brasileira, as polícias patronais, como há alguns decênios atrás. Se examinarmos uma cidade como São Paulo ou Rio de Janeiro, tem mais polícia particular que polícia pública. E quem controla tudo isso?

Jorge Escosteguy: Governador...

Leonel Brizola: [demonstra exaltação] A pena de morte está instituída na prática. Isso está desmoralizando o nosso país lá fora, isso é que está tirando os investidores desse país, é a matança de jovens, é a matança de crianças e é uma sociedade que está amortecida. Onde está a indignação de vocês, jornalistas? Onde está a indignação dos meios de comunicação? É preciso que um jornal de um bicheiro do Rio de Janeiro noticie essa matança. Os meios de comunicação precisam se indignar com tudo isso. Não tenho o porquê de ter papas na língua para não denunciar essa monstruosidade e o pior é que ainda em tudo isso esconde-se o racismo, a discriminação, porque 80% desses jovens são negros ou miscigenados. Não é por acaso que isso acontece, estão sendo mortos como cães e como a nossa sociedade, o povo brasileiro pode admitir tudo isso? Isso é um sinal da crise.

[intervalo]

Jorge Escosteguy: Agora, governador, alguns companheiros não puderam fazer perguntas no primeiro bloco, então para que todos tenham oportunidade, vou passar ao Caco Barcellos, por favor.

Caco Barcellos: Obrigado. Como o senhor mesmo mencionou, a polícia no Brasil tem tradição de agir contra a pobreza, é um instrumento de defesa do patrimônio, defesa dos ricos. E eu quero saber do senhor, que é um governador que pretende ser popular, que tipo de resistência real o senhor encontra dentro da corporação dos quarenta mil homens que o senhor comanda no estado?

Leonel Brizola: São mais de quarenta mil.

Caco Barcellos: Na Polícia Militar, quarenta mil.

Leonel Brizola: Mais a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros que exerce tarefas especiais, não só contra incêndios, mas também na defesa civil. Nós temos muitas atribuições ao Corpo de Bombeiros como salvamento nas praias, assistência às emergências nas ruas, acidentes. Mas, na verdade, essa matança daqui e de outras grandes cidades brasileiras, em menor escala, é uma doutrina que está se estendendo, representa uma usurpação do poder judiciário e da polícia, porque só a polícia pode prender, investigar e, segundo autorização judicial, processar; e depois o judiciário pode condenar e encarcerar. Esses grupos estão agindo por eles próprios, com as suas próprias mãos, estão usurpando as funções legais, constitucionais, legítimas da polícia e do poder judiciário. Eu já tenho me dirigido ao judiciário, à hierarquia civil e militar da polícia, fazendo-os entender isso, porque a população vem sendo colocada nesses problemas, de tal modo que virou rotina uma morte que não se noticia, em que um grupo de droga que quis tomar o campo do outro, que domina uma favela contra o outro que quer dominar, sempre há uma interpretação desse tipo. Eu quero dizer que, como governador, não creio nessas interpretações, podem ocorrer casos assim, porque há a droga, há as contravenções, há o banditismo, há tudo isso, mas essencialmente o que há na minha interpretação é uma ação repressiva que foi se organizando com o tempo, sobretudo financiada por gente de dinheiro, por empresários que se sentem ameaçados da periferia, que vão financiando a existência dessas polícias e vão fechando os olhos quando resolvem reprimir a investida de jovens, de crianças ou de bandidos que procuram roubar e assaltar.

José Paulo de Andrade: Não é porque não acreditam na polícia oficial?

Leonel Brizola: Não, não é que não acredite, o fator existe, mas é que se tornou mais fácil tudo isso, se tornou mais simples. No outro governo, havia um grande problema que era o da quantidade de presos em algumas delegacias e também nos presídios. Desta vez, continuam cheios, mas sem aquelas pressões que nós recebíamos, quer dizer que no fundo criou-se essa prática, essa doutrina. Os seqüestradores, pelo menos lá no Rio de Janeiro, aí estão. Esses grupos de extermínio, quando a matança se constitui em uma safra pouco rendosa, eles derivam para o seqüestro, porque são organizados, mesmo porque os seqüestros ultimamente no Rio de Janeiro - eu não sei se aqui em São Paulo também - tem se fixado mais em empresários da periferia, que esses grupos conhecem, porque para seqüestrar é preciso estar organizado. Agora, eu pergunto: há poucos dias mataram sete jovens, foram encontrados empilhados, semi-queimados, porque jogaram gasolina ou álcool em cima. Eu pergunto: para agarrar sete jovens e matar, quantas pessoas foram envolvidas nisso? Sete jovens fortes e o ser humano é capaz de pressentir quando vão matá-lo e é capaz das maiores resistências. Quantos atuaram para agarrar e matar esses sete jovens? Isso é algo horripilante. Eu estou trabalhando e a minha consciência queima como governante.

Ipsan Espártacos: Você é muito vibrante quando fala nesses dois problemas da sociedade: extermínio de jovens e o problema das polícias paramilitares que se formaram no Rio de Janeiro. Mas o senhor tem dito...

Leonel Brizola: No Rio de Janeiro e aqui também, em toda parte do Brasil. Desenvolveu-se na ditadura isso aí.

Ipsan Espártacos: São dois problemas que o senhor se mostra muito preocupado, o senhor tem dito nas últimas duas semanas que ia mobilizar a sociedade em um comício para defender a não privatização da Usiminas. O senhor não acha que o senhor está jogando um pouco de energia fora, não seria mais necessário, pelo ponto de vista que o senhor está expressando agora, mobilizar a sociedade para convencê-la de que esse assunto deve ser tratado com mais sensibilidade?

Leonel Brizola: Eu já estou fazendo o que está ao meu alcance e, graças a Deus, o velhinho lá em cima me dá saúde, me dá energia para aplicar em benefício do meu país, porque eu tenho responsabilidades históricas. Como governante, há trinta anos expropriei subsidiárias de multinacionais no Rio Grande do Sul, o que desencadeou um processo que modernizou o sistema de comunicação, o sistema de produção de energia elétrica. Então, ao ver tudo isto dilapidado, jogado aí para o benefício de grupos particulares, inclusive estrangeiros... Só faltou eu me ajoelhar para aquele grupo lá em Porto Alegre reinvestir, melhorar aquela situação de racionamento e eles foram insensíveis, porque não dependia deles aqui, dependia de Nova Iorque. Não investiram, estava na mão deles, veio para a mão do estado, investimos, fizemos tudo isso que está aí com o sacrifício do nosso povo. Agora que tudo isso está feito, vamos entregar?

Ipsan Espártacos: Mas essa não é uma separação entre o Estado e a sociedade?

Leonel Brizola: Não, isso é uma tese. Eu sou o presidente de um partido [PDT], tenho a honra de ser um líder nacional de uma corrente de opinião que é importante, nós somos os que guardamos o processo social do nosso país. Tanto que a social-democracia européia, ao buscar um interlocutor aqui no Brasil, ela nos escolheu. Não sou, de nenhuma forma, e nem nós somos reconhecidos pelas elites brasileiras e por todas as camadas intelectuais que colaboram com o pensamento das nossas elites, nos consideram uma espécie de "pato feio". Agora, aquela gente lá na Europa nos identificou como um pensamento social coerente, autêntico na vida brasileira. Isso vem de longe. Então nós temos essa responsabilidade. Na hora em que assistirmos a tudo isso como é que eu vou ficar de braços cruzados? O presidente Collor vai dizer: “Então, como o governador Brizola não me apóia, não apóia o Emendão, não apóia a venda das estatais, eu vou excluí-lo, vou discriminar o povo do Rio de Janeiro”. Como ele pode discriminar o povo do Rio de Janeiro?

João Batista Natali: Governador...

Leonel Brizola: Como é que o governo federal vai deixar de corrigir essas injustiças monstruosas que fez conosco em relação à Light [empresa de geração e distribuição de energia elétrica]? Comprou a Light dos canadenses quando não devia comprar, mas comprou, pegou a parte de São Paulo e entregou para São Paulo, São Paulo praticamente não pagou nada, o único compromisso que ficou de pagar desse enorme patrimônio foi a dívida externa correspondente. Sabe o que aconteceu? Dez anos se passaram e a Eletropaulo não pagou, sabe quem pagou? A Light do Rio de Janeiro! Eu tenho dito isso, disse isso ao Collor, nós precisamos corrigir isso. Por que não entregam a Light ao Rio de Janeiro? [Em 1981, o governo do estado de São Paulo adquiriu a parte paulista da Light e criou sua própria empresa de energia, a Eletropaulo. A Light do Rio foi estatizada e ligada à Eletrobrás] Nós estamos criando nesse momento a EletroRio, seguindo o caminho de São Paulo. Há muitas coisas em São Paulo que nós temos que copiar, porque reconhecemos a competência dos paulistas. O Fleury, eu vou copiá-lo, eu fiquei contente que ele também seguiu o meu caminho nesses financiamentos que obteve para o rio Tietê, porque quem levantou esse financiamento foi o governo do Rio de Janeiro - e o governo do Rio Grande do Sul em seguida - o financiamento para despoluir a Baía da Guanabara, que é um escândalo, e o financiamento para despoluir o rio Guaíba.

Jorge Escosteguy: Governador.

Leonel Brizola: E sabe que... Perdão, deixa eu concluir, porque isso é importante para vocês.

João Batista Natali: Governador, você entrou em outro assunto.

Leonel Brizola: Sabe o que ocorria? Nós estávamos com um financiamento...

João Batista Natali: [interrompendo] Nós não estamos no seu comício, Governador.

Leonel Brizola: Perdão, esse detalhe é importante para mim, me faça essa concessão.

Jorge Escosteguy: São várias, Governador! O senhor já está no terceiro assunto da mesma pergunta dele. E o Sardenberg está ali há horas tentando fazer uma pergunta.

Leonel Brizola: Para eu me sentir feliz de poder prestar esse serviço a São Paulo. Abrimos o caminho e nas nossas águas entrou o governo de São Paulo e conseguiu um empréstimo de 380 milhões de dólares. Sabe que o nosso era 550, e nós não brigamos quando reduziram para 450 para que São Paulo obtivesse os 380 para despoluir o Rio Tietê. Vejam, eu acho que é isso, buscar as experiências de um e de outro é formidável, tanto que eu acho que São Paulo tem que encontrar uma forma de indenizar o Rio de Janeiro nessa questão da Light!

[risos]

Ipsan Espártacos: Quanto, quanto?

Leonel Brizola: A Eletropaulo está devendo 850 milhões de dólares dos empréstimos externos que estão sendo pagos pela Light do Rio de Janeiro, porque os empréstimos externos eram em nome da Light e ela continua bancando, sendo que lá não há mais investimento há muitos anos. A Light tornou-se um fator negativo para o desenvolvimento do Rio de Janeiro e isso precisa ser corrigido: não só o governo federal tem que entregar a Light do Rio de Janeiro para o Rio de Janeiro, como entregou a Light de São Paulo para São Paulo, nós queremos o mesmo contrato, uma cópia do contrato em São Paulo para o nosso contrato no Rio de Janeiro.

Carlos Alberto Sardenberg: Governador.

Jorge Escosteguy: Finalmente a pergunta do Sardenberg, por favor.

Carlos Alberto Sardenberg: Governador, eu queria, se o senhor permite, voltar um pouco àquele episódio da privatização da Usiminas, da pancadaria, para perguntar o seguinte: se entendi bem o que o senhor comentou o senhor atribui a responsabilidade daquilo aos cutistas...

Leonel Brizola: [interrompendo] A gente, a rigor, desordeira. Pode ser da CUT ou de onde for.

Carlos Alberto Sardenberg: Em segundo lugar, o senhor manifestou suspeita em relação ao fato de todos os jornais terem publicado aproximadamente as mesmas fotos. Isso é uma suspeita sua ou é resultado de uma investigação que teria mostrado que são cutistas e que eles também estariam envolvidos na publicação das fotos? É uma opinião sua ou uma investigação policial que resultou nisso?

Leonel Brizola: Não, eu venho de longe, vi muitos episódios da vida brasileira e o que estranhei mesmo foi a grande exploração que procuraram fazer em torno do assunto. Ninguém saiu machucado, ferido, não houve nada. Mas que sensibilidade é essa se não se sensibilizam com essa matança?

Carlos Alberto Sardenberg: Sim, mas são duas coisas diferentes.

Leonel Brizola: [exaltado] Eles não se sensibilizam com a matança! Não, não!

Ottoni Fernandes: Mas quem deveria [se sensibilizar], governador?

Leonel Brizola: A imprensa!

Ottoni Fernandes: Mas o senhor mesmo citou o caso do Estadão [O Estado de S. Paulo].

Leonel Brizola: Sim, mas é pouco, é pouco.

Caco Barcellos: A matéria saiu todos os dias no Estadão.

Jorge Escosteguy: São suspeitas ou investigações, governador?

Leonel Brizola: Espero que não ocorram mais leilões desses com vendas insensatas, com a entrega do patrimônio público a troco de papel podre, como pretendem fazer. Vamos começar a tomar medidas calculadas com o maior rigor para que um episódio deprimente como esse não venha a ocorrer.

[sobreposição de vozes]

Carlos Alberto Sardenberg: Agora, a polícia descobriu alguma conspiração, articulação de grupos para fazer a pancadaria?

Leonel Brizola: Não sei, nós estamos investigando.

Ipsan Espártacos: Essas investigações vão chegar até o fim?

Leonel Brizola: Ah vão, nós sempre concluímos nossas investigações, só mesmo quando nos deparamos com uma situação realmente indecifrável, mas nós esperamos que nesse assunto não ocorra.

Jorge Escosteguy: José Paulo de Andrade, que ainda não fez a pergunta, por favor.

José Paulo de Andrade: Eu vou mudar um pouco o tema, ele já foi devidamente explicado, explorado, eu estou aqui aguardando em respeito aos seus setenta anos, viu, governador? O senhor pediu esse respeito nosso e eu estou lhe dando esse respeito. Agora eu gostaria de saber como nós vamos sair dessa situação em que o país se encontra...

Leonel Brizola: Bem, você sabe que eu pertenço a uma área que questiona esta situação de fora para dentro. Eu acho que vocês todos questionam de dentro para fora, eu questiono de fora para dentro. E eu não estou vendo, na vida brasileira, nenhum sinal de que tenhamos saída imediata para crise. Acho que a crise tende a se agravar cada vez mais, que tudo isso que está propondo o presidente, o Emendão, as privatizações... nós vamos é ficar sem esses bens e não vamos ter resultado nenhum, porque a crise brasileira vem da forma drástica com que a economia internacional atua sobre nós. A economia brasileira vem sendo despojada. Se nós não partirmos desse entendimento, nós não vamos chegar a solução alguma. Se vocês me perguntarem a dificuldade, eu acho que o maior problema que temos é que a classe dirigente brasileira tem que fazer uma auto-crítica, pois está derivando para uma imitação vergonhosa dos processos econômicos dos países desenvolvidos, achando que adotando essas medidas aqui, nós vamos sair da crise. Não vamos. Isso é uma saída empírica, é uma busca inconsciente, quase desesperada, da classe dirigente brasileira.

Jorge Escosteguy: O senhor diz que é um político empírico, governador.

José Paulo de Andrade: O senhor já fez essa auto-crítica, governador?

Leonel Brizola: Eu nunca precisei fazer.

José Paulo de Andrade: O senhor é um político de uma militância antiga.

Leonel Brizola: Eu fui sempre um contestador! O Brasil teve duas séries de governo que seguiram esse receituário internacional que caiu sobre nós depois da Segunda Guerra Mundial. Foi Dutra [(1882-1978) Eurico Gaspar Dutra , presidente da República entre 1946 e 1950], Jânio Quadros, todos os presidentes da ditadura e foi finalmente o Sarney, essa vergonha! Bem, por outro lado, tivemos dois governos que contestaram o sistema, por isso foram golpeados, que foi o Getúlio Vargas e o João Goulart. Entre essas duas séries, tivemos o governo do Juscelino Kubitschek, que foi o mais bem sucedido. Ele atuou com franquias, recuperou o orgulho nacional, construiu Brasília, desenvolveu e até fez concessões ao capital estrangeiro, no meu entender, até em vias lesivas, mas o fato é que defendeu o salário, o salário mínimo foi um dos mais altos, defendeu o emprego, concluiu o seu mandato com êxito. O que eu desejaria para o atual governo? O governo do Juscelino pode se constituir em uma linha que seria compatível com a situação atual, fazer com que o país cresça, volte a produzir, volte a trabalhar. Vamos atender às necessidades da população, parar um pouco com esses esquemas internacionais que estão aí.

José Paulo de Andrade: No último discurso do presidente, o senhor sente isso?

Leonel Brizola: Olha, ele como candidato cortejou o Juscelino. Eu tenho esperanças pela impressão que eu adquiri no trato com ele, nessa vezes que falei com ele...

José Paulo de Andrade: O senhor continua próximo ou distante dele?

Leonel Brizola: Por ser um homem jovem, acho que nós podemos ainda ter esperança que, a partir de agora... O governo dele lançou essas propostas, está aí em discussão a privatização, o Emendão. Vai se estabelecer agora uma grande discussão no país, nós todos vamos participar dela. O presidente é jovem... Se fosse o Roberto Marinho, eu não tenho a menor dúvida de que não correria risco, se fosse o Antônio Carlos Magalhães, da mesma forma, Roberto Campos, é melhor entregar tudo para o Roberto Campos, ninguém faz melhor do que ele, é o mais competente! [tom provocativo] Quando, por exemplo, ele recebeu aquela proposta de construir cinco mil Cieps pelo Brasil afora, a maior obra educacional da vida brasileira, ele aceitou entusiasmado, mostrou que não é um homem mesquinho. Mesquinho era o Sarney! Até a senhora dele queria que nós fizéssemos Cieps no Maranhão e ele impediu que se fizesse, só porque tinham um pouco a cara do Leonel Brizola.

Jorge Escosteguy: Governador, por favor, só um minutinho, é que a telespectadora Liliana Bastos já está reclamando.

Leonel Brizola: Mas que este programa está bom, está! Está meio anárquico, mas que está bom, está!

Jorge Escosteguy: É, mas para o senhor ter uma idéia, os telespectadores, não só os jornalistas presentes, estão reclamando. Liliana Bastos telefonou e disse que o senhor dá umas respostas um pouco longas e eles não conseguem fazer perguntas.

Leonel Brizola: O senhor está sendo muito delicado... um pouco longas?

Jorge Escosteguy: Vou mencionar aqui vários deles: o Roque Genário, de São Caetano do Sul; Carlos Aurélio, de Belo Horizonte; Paulo Roberto Santos, de Limeira; Roberto dos Santos, de São Paulo; Tabajara Napoleão, de Jales; José Carlos do Carmo, de São Paulo.

João Batista Natali: O senhor disse que era uma pessoa pragmática, que não era uma pessoa doutrinária...

Leonel Brizola: Eu sou empírico.

João Batista Natali: Exatamente.

Leonel Brizola: Não pragmático, porque...

João Batista Natali: Governador, por favor, o senhor não me deixou formular nem metade de uma frase e a minha ambição é falar uma frase inteira, por favor.

Leonel Brizola: Eu não quis que partisse de um erro, realmente eu não consigo me considerar pragmático.

João Batista Natali: Digamos que, empírico como o senhor é, a imagem internacional do governador do Rio de Janeiro, caso o comício contra a atual forma de privatização da Usiminas dê certo, ela vai se transformar em uma coisa absolutamente isolada no quadro internacional socialista. O senhor também disse que era o "patinho feio" da política brasileira e que não tem medo de se tornar uma espécie de grande "patinho feio" no quadro internacional socialista, onde todo mundo está pensando diferentemente daquilo que o senhor pensa em relação a abertura do capital externo.

Leonel Brizola: Sabe que não, porque nós não estamos contra o ingresso coerente do capital externo, como eles também não, de acordo com os interesses deles. Você sabe que nós não conseguimos quase vender os nossos sapatos, porque eles põem barreiras? São Paulo desenvolveu a produção de suco de laranja, os Estados Unidos acaba de lançar um imposto que é mais alto do que o preço do custo do suco de laranja, eles defendem os interesses deles. Por exemplo, eu recebi algumas perguntas sobre a política brasileira em matéria de transporte aéreo internacional. Todos perguntavam: "Mas como é que o Brasil adota esse tipo de política? Não vê que vai prejudicar a empresa que está desempenhando esse serviço no exterior?". Os serviços da Varig não são bons. Mas, na competição com outras empresas, está bem no ranking internacional. Sabe por quê? Porque os mais eficientes, os melhores, os mais modernos, os mais rentáveis serviços nesse campo vêm das linhas aéreas européias em conjunto. Você pega a AirFrance, Lufthansa, Alitália, KLM [companhias aéreas européias], são todas estatais e as únicas que representam a bandeira do seus países fora, porque isso é muito caro, muito difícil. Quem adotou um política de jogar diversas empresas nas mesmas linhas com os mesmos países foram os Estados Unidos, que arrebentou suas empresas. Não se entende, por exemplo, como é que o Brasil quer cortar as banhas do Estado, privatizar e dar seiscentos milhões de dólares para a Embraer, uma estatal que se mostrou muito capaz em construções de aviões, mas está deficitária e recebeu uma subvenção de seiscentos milhões de dólares. Então são contradições...Como o Estado abrirá mão do seu patrimônio sem democratizar o capital, permitindo que uma empresa estatal vá para um capital privado, para a mão de um magnata concentrando o capital? Uma das chagas do capitalismo brasileiro é a concentração, cada vez se concentra mais o capital nas mãos de uma minoria, quando se deveria democratizar. Para nós, por exemplo, privatização é inseparável da democratização do capital, então a nossa discordância não é com o todo, nós queremos é demonstrar que o que se está pretendendo fazer no Brasil é uma transferência do patrimônio público para bolsos particulares. Isso é uma situação histórica que nós queremos denunciar, porque é contrário ao futuro dos nossos filhos, aos interesses do nosso país, já que convém a setores da classe dirigente brasileira, que é associada aos interesses da economia internacional. A ditadura de 1964 foi uma ditadura capitalista empresarial, quem lucrou com a ditadura? Foram os trabalhadores? Não, tiveram e foram despojados dos seus salários. Foram os produtores do interior? Não, tanto que diminuíram as oportunidades de trabalho no interior e tiveram que migrar para a cidade. A classe média? Todos sabem que a classe média vem sendo despojada também. Foram os empresários? Não todos, uma camada de grandes empresários. Então, o que acontece? Quem ganhou foi quem mandou, essa categoria de empresários que acumulou grande capital, mandou no governo, botou as estatais para trabalhar para eles, acumulando grande fortuna. Agora, com essa fortuna querem comprar os próprios meios de produção, isso é uma denúncia histórica que o nosso partido faz perante a consciência brasileira! Podem vender a Usiminas, podem vender mais essa, mais aquela, mas vai ser difícil passar essa caravana, porque contraria os mais sagrados interesses nacionais, nós estamos vítimas de um verdadeiro bombardeio de propaganda. Eu fico triste porque, às vezes, a imprensa brasileira me parece um partido único. Onde está o contraditório da imprensa brasileira, meus jovens compatriotas?

Jorge Escosteguy: [interrompendo] Governador, o senhor está há uma hora e meia fazendo suas colocações aqui...

Leonel Brizola: Ficam na superfície, não descem nas águas profundas, não há contraditório na imprensa brasileira, quando ocorre uma impostura vergonhosa deprimente como essa que foi o Plano Cruzado. Tristeza ver quase todos os meios de comunicação do país apoiarem aquela impostura... Não houve sequer uma faculdade de economia neste país que fizesse ao menos um seminário para denunciar aquilo.

Jorge Escosteguy: Governador...

Leonel Brizola: Desculpe!

Jorge Escosteguy: O senhor teve uma hora a meia, faltam trinta segundos!

Leonel Brizola: Vocês foram muito pacientes.

Jorge Escosteguy: Eu lhe farei uma última pergunta.

Leonel Brizola: Mas eu registro, nós estamos aqui em uma tribuna livre.

Jorge Escosteguy: Livre, mas com um horário delimitado, governador.

Leonel Brizola: Por isso é que eu gosto de vocês e desse programa.

Jorge Escosteguy: Infelizmente, nós temos um horário limitado, apesar de sermos livres.

Leonel Brizola: Mas se tivesse mais uma hora e meia, eu ia.

Jorge Escosteguy: Perdão, nós também iríamos, seguramente. O senhor pretende ser candidato a presidente da República? Já está em campanha?

Leonel Brizola: Não, não, absolutamente.

Jorge Escosteguy: Eu gostaria, por favor, que o senhor fosse breve.

Leonel Brizola: Eu não sou candidato, "tirei o meu cavalo da chuva", vou fazer setenta anos em janeiro, então vamos abrir caminhos...

Mauro Chaves: [interrompendo] Vai ser o último mandato?

Leonel Brizola: [risos] Como governador, pode ficar certo de que estou terminando minha obra. Sabe o que eu quero mesmo? Sou candidato a deixar janelas abertas nas mentes das novas gerações, aquilo que eu aprendi, aquilo que eu reuni, minha experiência acumulada. Quero que Deus lá em cima me permita esse privilégio de poder transmitir aos nossos jovens essas experiências, porque eu tenho a minha cabeça fora do nevoeiro, toda essa confusão que está havendo no mundo, que fez tanta gente perder a identidade. Agora, eu, Leonel Brizola, continuo nessa luta linda e modesta do povo brasileiro, viu? Mas que nos cuidam, nos cuidam, a mim me trazem de rédea curta, porque não me dão uma televisão no Rio de Janeiro. Não querem saber!

Jorge Escosteguy: [sorri] Mas o senhor não respondeu nada, governador! Aí há um problema sério, imagina o senhor com uma televisão lá, como é que vai ser? O senhor usa muito os horários, passa dos horários, por isso não tem uma televisão, pois ela tem um horário rígido.

[risos]

Leonel Brizola: Eu gosto de vocês, só gostando de vocês é que eu posso dizer o que digo, senão nós estaríamos aqui quase nos confrontando. Quando eu reclamo, sei que estou semeando em terra fértil. É isso, nada mais. Muito obrigado!

Jorge Escosteguy: Governador, nós agradecemos sua presença aqui no Roda Viva esta noite. Agradecemos também a presença dos companheiros jornalistas, aos convidados da produção, aos telespectadores que telefonaram, lembrando que as perguntas que não puderam ser feitas no ar, ao vivo, serão entregues ao governador Leonel Brizola. O Roda Viva fica por aqui e volta na próxima segunda-feira, às nove horas da noite. Boa noite e até lá.

[Leonel Brizola morreu em 2004, aos 82 anos, vítima de problemas cardíacos]

 

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