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Rubens Barrichello

20/3/1995

O piloto recorda episódios do início da sua carreira, dá um panorama sobre a Fórmula 1 e oferece perspectivas de uma trajetória que estava apenas começando

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[Programa ao vivo permitindo a participação do telespectador]

Matinas Suzuki Júnior: Boa noite. Os motores voltam a roncar em Interlagos. É a abertura da temporada de Fórmula 1/95. No cockpit [cabine de pilotagem, de onde o piloto controla o veículo] do Roda Viva desta noite está Rubens Gonçalves Barrichello, a grande esperança brasileira. Impressionado com o desempenho do novo motor Peugeot, Rubinho disse que seu Jordan 195 tem cara de vencedor.

[Comentarista]: Diz a lenda que Rubens Barrichello começou a pilotar antes mesmo de saber soletrar a palavra “corrida”. Aos seis anos, Rubinho já ia a mais de 100 km por hora atrás das vitórias nos campeonatos de kart e conseguiu: ele foi cinco vezes campeão paulista e brasileiro. Aos 17 anos, ainda não podia dirigir nas ruas, mas já disputava o campeonato de Fórmula Ford. A vida corria rápido para Barrichello. Sozinho, ele se muda para a Europa e é o campeão na Fórmula Opel. Na temporada seguinte, Rubinho continua no alto do pódio. É dele o título de campeão da Fórmula 3. Depois de uma passagem pela Fórmula 3000, realiza um sonho de criança: entra para o clube da Fórmula 1, pilotando uma Jordan. Rubinho terminou 1993 em décimo sétimo lugar. Uma acelerada dramática, no entanto mudou a sua carreira: em abril, ele escapa, por pouco, de um pavoroso acidente em Ímola [Itália].  Dois dias depois, Ayrton Senna, seu ídolo e amigo, morre na mesma pista. Rubinho supera os dois golpes, chega a pole position, sobe pela primeira vez ao pódio da Fórmula 1 e fecha o ano em sexto lugar. 1995 começa cheio de esperanças: a Jordan tem agora um motor melhor e o piloto, um contrato maior. A Pepsi fechou com Rubinho um generoso patrocínio que, especula-se, chega aos três milhões e meio de dólares.

Matinas Suzuki Júnior: Para entrevistar Rubinho Barrichello nós convidamos Cláudio Carsughi, comentarista da rádio Jovem Pan e da TVA e diretor da revista Auto e Técnica; Barbara Gancia, colunista da Folha de S. Paulo; Paulo Anshowinhas, repórter do Caderno Zap do jornal O Estado de S. Paulo; Marcus Zamponi, redator a revista Auto Esporte; Celso Miranda, repórter da Rede Cultura de Televisão; Mauricio Cardoso, subeditor da revista Veja; Jan Balder, comentarista da rádio Eldorado e Cândido Garcia, repórter e comentarista esportivo da Rede Bandeirantes de Rádio. Nós lembramos que o Roda Viva é transmitido em rede nacional por 30 outras emissoras, inclusive a TVE do Rio de Janeiro. Se você quiser enviar a sua pergunta para o Rubinho Barrichello aqui no centro do programa, você pode usar o telefone [011] 252-6525, repetindo [011] 252-6525. Se você preferir enviar as suas perguntas por escrito, use o fax 874-3454. Repetindo: 874-3454. Boa noite, Rubinho.

Rubens Barrichello: Boa noite.

Matinas Suzuki Júnior: Gostou de ver suas imagens aí?

Rubens Barrichello: [Risos] Fantástico. Eu tinha mais cabelo, mas tudo bem.

Matinas Suzuki Júnior: [Risos] É por isso que você usa tanto boné hoje em dia ou não?

[Risos]

Matinas Suzuki Júnior: Rubinho, os dois dirigentes máximos da cidade de São Paulo são “loucos” por corrida de carros: o governador Mário Covas já reservou o lugar dele para a corrida no domingo, e o prefeito Paulo Maluf de vez em quando tira seus “rachinhas” lá em Interlagos. Por isso eu pedi aos dois hoje que fizessem uma pergunta para você. Como a pergunta dos dois mais ou menos sintetiza o que passa pela cabeça do brasileiro hoje em dia, eu vou abrir o programa fazendo as perguntas dos dois, está bom? A primeira pergunta é a do governador Mário Covas. Ele diz o seguinte: “Eu sei que o motorista é bom, mas o carro dará conta de correr com o alemão [refere-se a Michael Schumacher]?”. E a pergunta do prefeito Paulo Maluf é a seguinte: “O Senna deu muitas alegrias a mim e aos brasileiros, quando você nos dará a alegria de um campeonato na Fórmula 1?” E eu acrescentaria a minha pergunta: de um a dez quais são as chances de você subir no pódio domingo em Interlagos?

Rubens Barrichello: Bom, eu diria que quanto ao desempenho do carro... Eu diria que é um carro muito bom. Eu fiquei até um pouco perplexo com a velocidade da Williams [Damon Hill e David Coulthard foram os pilotos da Williams em 1995], porque, realmente, a Williams veio muito mais forte este ano. Mas eu diria que a Jordan está num nível um pouquinho atrás da Williams e da Benetton [Michael Schumacher e Johnny Herbert foram os pilotos da Benetton em 1995], mas bem próximo... Disputando, até quem sabe, o pódio já no início de temporada. Então eu diria que eu daria uma nota seis e meio ou sete, com uma chance de subir ao pódio no domingo. Acho que as chances são muito maiores que as do ano passado, mas eu acho que elas existem***.

Matinas Suzuki Júnior: Em termos de campeonato... Porque depois dessas duas primeiras provas no Brasil e na Argentina, também entra o Nigel Mansell com a McLaren... Quer dizer, para o ano todo, como você vê a temporada?

Rubens Barrichello: Eu vejo ela [como] muito melhor do que a do ano passado. Eu fiquei na Jordan com muita afirmação, realmente querendo ficar na Jordan. Porque o grande problema da Jordan, no ano passado, era o motor. Com a Peugeot por trás da equipe Jordan, agora nós temos uma força muito maior de tecnologia, de eletrônica, de desenvolvimento. Então eu diria que nós temos uma força muito, muito maior. E em termos de campeonato eu acho que demora um pouco ainda... Eu acho que a alegria que o Ayrton nos dava era muito maior do que ainda o Rubinho pode dar. Mas de uma certa forma acho que o campeonato - se nós tivermos a chance de lutar por pódios e até quem sabe uma vitória esse ano - eu acho que no ano que vem a gente já tem uma possibilidade um pouco maior.

Marcus Zamponi: Rubinho, no final da última temporada para o início desta ficou uma fase meio nebulosa, um negócio meio mal explicado. No final do ano, você tinha praticamente tudo certo com a McLaren e parecia definitivo que você ia guiar para eles este ano. Depois você renovou com a Jordan. O que “empacou” a negociação com o Ron Dennis [executivo-chefe da McLaren]? Falta de dinheiro? Ele não acreditou no seu talento? O que aconteceu?

Rubens Barrichello: Não, primeiro foi que a Jordan, em julho, não tinha nada no papel ainda. Ela não tinha nada assinado... Em princípio ela continuaria com um carro Jordan, com um motor Hart; e isso não era favorável porque o Hart é um motor muito bom, mas necessitava de mais dinheiro para desenvolvimento. Então quando a McLaren se aproximou da gente, eu acho que foi uma coisa essencial na minha carreira, foi uma coisa que era o momento. E eu me vi tão emocionado naquele momento, que eu passei por cima do Geraldo [Geraldo Rodrigues, então empresário de Rubens Barrichello] e do meu pai e acabei assinando um papel. Não sem a presença deles, mas eu acabei assinando um papel que aquilo depois me prejudicaria um pouco no final... Porque o Ron Dennis - sabendo daquela assinatura- ele me deixou um pouco de canto, tentando resolver os problemas da equipe, porque afinal de contas, eu já fazia parte da equipe McLaren. E aquela coisa foi se deteriorando...  Eu acho que meu contato com a Jordan, além de profissional é muito familiar. É uma coisa que eu “curto” bastante esse contato, amizade... Mesmo com os mecânicos, eu trato eles como irmãos, realmente. Então isso não aconteceu em nada na McLaren. Eu fui uma vez à fábrica e ficou aquela coisa muito baixa, não estava indo para frente. Quando eu soube que a Jordan teria ou a Ford ou o [motor] Peugeot - e eu torcendo um pouco mais pelo Peugeot, porque eu achava que realmente a Peugeot tem uma vontade enorme de “bater” [superar] a Renault, e isso é muito forte - a coisa começou a ir mais para outro lado e bastava aquela questão de poder sair daquele papel que eu havia assinado. A data se expediu e nós assinamos com a Jordan.

Maurício Cardoso: Ô, Rubinho... agora a Jordan tem um bom carro que tem motor, tem um bom piloto... O que falta para a Jordan “brigar” com a Williams e com a Benetton?

Rubens Barrichello: Eu acho que a Jordan - uma comparação exata com a vida real -, a Jordan ainda é uma criança; com um pouquinho a mais do que ela pode ter na mão. Então os problemas acontecem, as coisas normais acontecem... Como, no caso, alguns problemas eletrônicos que aconteceram nos treinos... São normais, mas aconteceram. Eu tenho certeza de que uma equipe que já vinha, por exemplo, trabalhando com a embreagem nas mãos [e não controlada pelos pés] não teria esse tipo de problema. Então é uma coisa que ainda é muito cedo para a Jordan, de repente, ganhar um campeonato. E, de repente, nós temos já um equipamento eficiente, um equipamento que nos dá a chance de até acontecer isso. Apesar de que em 1995, eu acho muito cedo. Ainda acho que o equipamento dará até a chance de, quem sabe, vencer uma corrida, mas ainda é um pouco cedo demais. É o quinto ano da Jordan... Eu acho que para o quinto ano de uma equipe, ela vem até melhor situada que a Benetton em 83/84.

Matinas Suzuki Júnior: Barbara Gancia.

Barbara Gancia: Rubinho, teu tom está bem mais baixo que o tom depois dos treinos de Estoril [Portugal]. Você estava bem eufórico, falando que era um carro vencedor e tal... Como é que mudou esse tom? Como é que... Porque você estava muito empolgado, agora você já está falando de seis ou sete para subir no pódio. Foi o Geraldo e o teu pai que falaram: “Olha, vamos abaixar um pouquinho essa expectativa para não deixar todo mundo esperando muito”?

Rubens Barrichello: Não, mesmo porque as coisas que eu falo vêm do coração. Eu acho que só, às vezes, quando eu falo alguma coisa errada, o meu pai vem e dá o “puxão de orelha” como pai mesmo...

Barbara Gancia: Mas não como o Wilson?

Rubens Barrichello: Não sei, não conheço... [risos]

Barbara Gancia: Sei, sei, sei.

Rubens Barrichello: Eu diria que eu, realmente, fiquei impressionado com a velocidade da Williams e no primeiro dia, em que eles viraram na casa de 1m21s eu fiquei muito impressionado. E isso “baixou um pouco a minha bola”, porque eu, realmente, achava que o nosso carro era capaz de disputar em São Paulo, por exemplo, até a pole position. Mas não é mais. Não é porque a Williams mostrou, a velocidade do Schumacher também mostrou - apesar da gente continuar no plano, digamos assim, entre os seis primeiros - eu acho que baixou um pouco a minha expectativa...

Barbara Gancia: Se chover melhora?

Rubens Barrichello: Ah! Se chover sempre melhora. Sempre melhora porque iguala a condição dos pilotos e eu acho que, principalmente São Paulo, que eu já conheço os pequenos buraquinhos [da pista], eu acho que melhora, sem dúvida.

Marcus Zamponi: Essa diferença está onde? No motor ou chassi ainda? Essa inferioridade de vocês em relação à Williams?

Rubens Barrichello: Olha, um pouco do conjunto.

Matinas Suzuki Júnior: Rubinho, você poderia aproveitar a oportunidade e explicar para o nosso telespectador o que é um chassi e o que é um motor e qual é essa diferença?

Rubens Barrichello: É difícil separar um chassi de um motor. [Risos]. Bom, o chassi é todo o conjunto: é o próprio Jordan, é onde as peças se unem, digamos assim... É onde, realmente, você tem um chassi, por exemplo, do kart que são tubos, que são coligados. Na Fórmula 1 é igual, e você tem a parte do motor atrás, no nosso caso é um motor três litros Peugeot. Enfim, acho que aí eu liguei o carro ao motor.

Matinas Suzuki Júnior: Celso, por favor.

Celso Miranda: Rubinho, você mesmo falou que conhece aqui em São Paulo, conhece cada buraco. Mas esse ano fizeram umas modificações para melhorar, supostamente melhorar a segurança. Ontem a gente viu o teste de segurança que foi feito com um Fórmula Ford. O rapaz pegou o carro e passou direto por uma caixa de brita que teoricamente é muito mais segura, porque é maior - a distância dela é muito maior - e bateu forte nos pneus. Estragou bem o carro, ele se assustou e ele se machucou. Um Fórmula 1 vai passar lá, pelo menos 70% mais rápido e, teoricamente, vai passar mais “voando” ainda por cima daquela caixa de brita. Aquilo virou um ponto perigoso da pista?

Rubens Barrichello: Eu não pude checar pessoalmente a pista de Interlagos e o eu farei amanhã, se Deus quiser. Acho que é a primeira vez que eu poderei ter um contato direto com a pista. Mas eu vi o acidente na televisão e eu posso dizer que fiquei bastante chocado com o que vi; mesmo porque eu acho que não há necessidade de tal velocidade. Acho que foi excelente, até para os médicos que puderam tirar o piloto de dentro do carro de uma maneira de como seria, apesar de que o impacto foi 30% de um impacto real de Fórmula 1. Mas eu acho que o acompanhamento dos pilotos seria quase que necessário nas mudanças da pista, nas mudanças de regulamento. Eu acho que os pilotos teriam que... Eu acho que a FIA [Federação Internacional de Automobilismo] deveria evoluir um pouco mais esse pensamento e dar essa chance aos pilotos de poderem, realmente, assumirem um pouco do controle disso: de fazer essa zebra assim, de fazer o pneu aqui...

Matinas Suzuki Júnior: Agora, os pilotos não exercem uma pressão para... Isso também não é um direito que os pilotos têm que conquistar, Rubinho?

Rubens Barrichello: Isso existe. A GPDA [Grand Prix Drivers’ Association. Associação de Pilotos de Grandes Prêmios] existe hoje em dia. Na próxima quarta-feira nós temos uma reunião com todos os pilotos para saber dos problemas que estão acontecendo. Só que ainda não é um fator predominante dentro da Fórmula 1. Eu acho que os pilotos unidos conseguem alguma coisa, mas, de uma certa forma, eu acho que os pilotos teriam que ter um pouco mais de envolvimento quanto à segurança do próprio carro ou da pista. Eu dou dois exemplos: a pista de Silverstone e Magny-Cours, na França, são duas pistas que mudaram totalmente e são totalmente seguras. Então é uma pista onde eu realmente entro, sento no carro e falo: “agora eu vou dar tudo porque, se eu bater, eu estou seguro”. Uma curva como a Laranjinha [curva de Interlagos], como eu vi ontem, é uma curva que está um pouco... Eu não sei se tirando a parte -porque ela era uma parte baixa que tinha uma elevação, agora aquela elevação já não está mais lá, ela é um pouco mais baixa... Talvez isso tenha prejudicado um pouco a curva, então necessita de modificações. Eu acho que os pilotos teriam que ter um pouco mais de...

Matinas Suzuki Júnior: Cândido Garcia.

Cândido Garcia: Rubinho, eu quero saber como é que vai ficar a tua cabeça, porque, veja bem: 22 anos, dois anos de Fórmula 1, você parte para a terceira temporada e aconteceram alguns fatos que determinaram uma concentração em cima do Rubinho Barrichello. Quer dizer, todas as atenções - em termos de Brasil - ficam em cima do Rubinho. O Christian [Christian Fittipaldi] foi para a [Fórmula] Indy. Infelizmente, perdemos o Ayrton no ano passado; nós temos o Pedro Paulo [Pedro Paulo Diniz] e o Roberto [Roberto Pupo Moreno] que estão numa equipe nova e que ainda começam o trabalho. Você está preparado? Porque, fatalmente, vai haver muita cobrança, muita comparação, muito assédio de público e de imprensa. Como é que você vai administrar isso? Quer dizer, como é que está a tua cabeça?

Rubens Barrichello: Olha, apesar de tudo, eu me sinto super tranqüilo. Eu tenho dormido bem, tenho acordado bem. Eu acho que existe essa coisa um pouco maior da pressão que, sem dúvida nenhuma, existirá. Mas, acima de tudo, eu tenho um apoio tão grande do povo, que isso me deixa realmente muito mais sossegado em termos de resultado, em termos daquilo que eu realmente posso fazer no ano de 95. Então, eu te dou um exemplo: outro dia um segurança de onde eu fazia o comercial, ele disse que eu estava na... Que toda noite quando ele rezava, ele pedia sempre uma coisa para mim, uma coisa do bem. Então cada dia mais eu fico impressionado com as pessoas, com a maneira como eu sou tratado e eu só tenho a ficar calmo mesmo...

Cândido Garcia: Essa pressão não te irrita? Você vai continuar sendo o menino Rubinho de Interlagos? Você não vai ter que ficar dentro de uma redoma?... Porque normalmente a fama tira a tua privacidade, esse assédio constante. É por isso que eu estou te perguntando.

Matinas Suzuki Júnior: E essa vai ser uma das semanas mais tensas da sua vida. Você vai passar uma semana aí muito pressionado. Você sente esse clima?

Rubens Barrichello: Eu não sei. O clima de tensão lógico que existe, mas é uma coisa que é normal. Nos outros dois anos eu sempre pensava que a única coisa que diferia era que "eu largo em décimo quarto, mas o Ayrton está em primeiro"... Para mim estava tudo jóia, o Brasil continuava me amando porque o Ayrton está na frente, não tinha problema. Agora, infelizmente, ele não está mais e eu realmente me cobro um pouco mais para que eu possa fazer um pouco a mais, mas não é que chega a me atrapalhar, não tira meu sono... Faz parte da minha carreira e a pressão sempre fez parte da minha carreira. Então acho que é uma coisa natural.

Matinas Suzuki Júnior: Cláudio Carsughi, por favor.

Cláudio Carsughi: No primeiro número da revista Auto e Técnica, que estará nas bancas dia 2 de maio, eu estou escrevendo que você ganha este ano o seu primeiro Grande Prêmio. Pelas características da Jordan/Peugeot qual é o circuito que te dá mais chances para isso?

Rubens Barrichello: Olha, eu diria que corrida é sempre muito diferente de tomada de tempo. Mas eu acho que uma pista como Spa-Francorchamps [na Bélgica], que o nosso carro sempre andou bem - é uma pista característica da Jordan se dar bem. Eu diria que nós teremos, inclusive, chances em Hockenheim [na Alemanha], em Monza [na Itália], que são pistas em que o motor, como parte predominante...

Cláudio Carsughi: Mesmo Hockenheim?

Rubens Barrichello: Mesmo Hockenheim. Eu acho que o nosso motor Peugeot é muito forte, inclusive com as velocidades que nós alcançamos em Portugal... Acho que foram muito boas, [tão boas] que eu acho que até Hockenheim nós conseguiremos um bom resultado. Eu acho que até Interlagos... Interlagos é uma pista favorável ao nosso carro, então eu não sei. Espero que...

Cláudio Carsughi: Seria indiscreto eu perguntar a que rotação chega esse teu motor? Já que você falou em Spa, Hockenheim, Monza, que são três pistas de alta velocidade.

Rubens Barrichello: Olha, eu não sei se o pessoal da Peugeot vai ficar contente, mas gira menos que 17 mais que 15. [Risos].

Paulo Anshowinhas: Rubinho, vamos sair um pouquinho das pistas e vamos para a sua vida particular... O Caderno ZAP fez recentemente uma enquete entre adolescentes para escolher o piloto mais bonito da Fórmula 1. O Christian Fittipaldi foi escolhido o número 1 das pistas e, ao contrário, você foi visto como o mais feio de todos os pilotos... [Risos] Você acha que este fato atrapalha de alguma forma a sua carreira?

Rubens Barrichello: O Tom Cruise, você sabe que o apelido dele é “Tom Cruizes”, né? “Tom Cruizes Credo”! [Risos] ... Mais feio? Não. O Katayama [Ukyo Katayama], até o..., deixa eu ver, o..., até o Belmondo [Paul Belmondo, corredor francês, filho do ator Jean-Paul Belmondo, galã dos anos 1970] é [feio], o pai dele é bonito, mas ele... O Badoer [Luca Badoer, corredor italiano]. Está bom. De qualquer forma... Não atrapalha em nada, porque afinal de contas eu não estou ali para ser modelo, nem para ser uma pessoa bonita. Na hora em que eu me realizo, na hora em que eu fecho a viseira é a hora em que ninguém vê a minha cara. Então, com certeza, não atrapalha.

Paulo Anshowinhas: Eu percebi que a sua namorada não te acompanhou hoje aqui durante a entrevista. Você acha que este tipo de coisa também influi no seu relacionamento com as pessoas? Você tem tempo para ser feliz fora das pistas?

Rubens Barrichello: Tenho. Eu sou uma pessoa super feliz fora das pistas. Eu acho que a coisa com a namorada... Primeiro que ela tem um trabalho às 7h amanhã. Segundo: acho que vale a pena ela ficar vendo na televisão; afinal de contas, ela ia estar vendo a mesma coisa que ia estar vendo aqui, não é? Então, um beijo, um beijo [ele joga beijo para a namorada], mas...

Barbara Gancia: Aliás, Rubinho, essa coisa de você sempre estar aparecendo em fotos, na [revista] Caras, em tudo quanto é lugar, dando uns beijos na Patrícia... Você não acha que, de repente, é um sinal de uma certa, digamos assim, imaturidade?

Rubens Barrichello: Olha, o Rubinho continua sendo o meninão que sempre foi. Eu acho que o que mais importa na minha vida é que... realmente, para que eu saiba lidar com essa pressão, com essa coisa toda, é que eu tenho o tempo certo de voltar a ser o menino que eu sou e ter a diversão que eu tenho. [Tempo] de, inclusive, ir aos shoppings centers e jogar o meu fliperama... Porque afinal de contas eu tenho só 22 anos.

Barbara Gancia: Enquanto pode... estar dando beijo na Patrícia é melhor que jogar fliperama?

Rubens Barrichello: A Patrícia tem feito coisas extraordinárias, ela tem se comportado muito bem ao meu lado, ela tem me dado muito carinho e tem realmente só trazido o bem. Ela tem só acrescentado. Então, a coisa de poder estar do lado dela e aparecer é um pouco da imprensa porque, afinal de contas, o Rubinho está sempre ali no meio de mecânicos, no meio da graxa, fazendo alguma coisa. Então quando ela está do meu lado eu vou ser sempre “clicado”.

Barbara Gancia: Dentro dessa coisa das pressões que você falou, eu imagino que uma das preocupações da TV Globo, que detém os direitos de transmissão do campeonato, é a possibilidade do Irvine [Eddie Irvine] andar na sua frente. O que você pode dizer para a Globo para tranqüilizá-la?

Rubens Barrichello: Olha, eu não tenho que dizer nada a ninguém. Eu acho que não tem que haver nada. O Irvine trouxe para a equipe uma velocidade que eu posso afirmar que, acima dele, só existe uma pessoa no momento, que se chama Michael Schumacher. Eu acho que, para mim, é o maior teste. É a coisa que, com certeza, se Deus quiser, com os meus netinhos eu vou estar falando que o Irvine foi o maior companheiro que eu já tive em todos os tempos, em termos de velocidade. Em termos de acerto no carro ele não produz muito, em termos de amizade dentro da equipe não acrescenta em nada, mas em termos de velocidade ele acrescenta nota 10...

Cândido Garcia: Rubinho, em cima disso que a Barbara falou... Não digo que você teve problemas com o Irvine, mas não seria um relacionamento de grandes amigos. Eu me recordo que, em meio à temporada - inclusive foi fato público- o Irvine deu uma de esperto e andou copiando, ia lá na telemetria e copiava todos os acertos que você fazia para depois ele fazer a tomada. Isto te irritou um pouco. Como é que é esse relacionamento hoje?

Rubens Barrichello: Não há problema algum, inclusive ele andou muito rápido em Portugal, andou mais rápido do que eu e eu tive que baixar a cabeça e dar os parabéns. É uma coisa que irá acontecer. Meu pai sempre me ensinou a me comportar como vencedor e como perdedor. Acho que na vida você ganha e perde. Então, como eu tinha dito, eu não tenho que dar desculpa a ninguém. O Irvine é realmente um piloto muito rápido e isso só tem a acrescentar à equipe. Porque isso só tira aqueles dois décimos, três décimos que eu tenho no bolso, que eu tenho que tirar para fora para estar na frente dele. Então, com certeza, num carro como o deste ano eu vou ter mais dificuldades ainda, porque o carro escorrega mais e ele é uma daquelas pessoas que andam na rua totalmente de lado, ele é super maluco nesse sistema. Então ele anda muito rápido mesmo...

Maurício Cardoso: Mas é legal você ficar acertando o carro para ele andar, não? [ironiza]

Rubens Barrichello: Não, é que eu sou uma pessoa muito boa nesse sentido [risos]. Acho que eu vou, inclusive, ter umas aulas com o Nelson [Nelson Piquet]... Como é que ele fazia para guardar aqueles segredos do carro? [risos]

Barbara Gancia: Quem está falando melhor francês, você ou o Irvine [Irvine é irlandês]? Isso já é uma ajuda, não é?

Rubens Barrichello: Ah! Ele não fala nada. Pode ter certeza. [Risos]

Matinas Suzuki Júnior: Cláudio Carsughi, por favor.

Cláudio Carsughi: Rubinho, certa vez, no passado, Stirling Moss [piloto inglês, nascido em 1929. Conhecido como o melhor piloto que nunca vencenu um campeonato mundial] que fazia dupla com Fangio [Juan Manoel Fangio] na Mercedes, disse a amigos: “O meu mais direto rival é sempre meu companheiro de equipe, seja ele quem for”. Você entende que o Irvine é isso?

Rubens Barrichello: Você tem que dividir bem as coisas. Acontece isso porque ele é super-rápido e tem o mesmo carro. Então, realmente, ele é o maior rival. Se ele pode fazer os tempos que você faz e ter as mesmas posições, ele é realmente o maior rival. Só que isso tem que ser saudável porque se chegar ao ponto de ser uma coisa... Começar brigas... Se começar uma briga muito maior, acho que separa as equipes. Então eu acho que a equipe trabalha junto apesar de que, realmente, ele não me acrescenta em nada em acerto de carro. Então foi por isso que eu fiz questão de treinar mais, de ficar um dia mais em Jerez [Jerez de la Frontera, na Espanha], de ficar um dia a mais em Portugal, para achar o meu acerto de carro.

Celso Miranda: Rubinho, no ano passado você e o Irvine não tiveram um problema em que o Eddie Jordan teve que chamar vocês no box, fechar e... Uma batida que vocês deram. Como é que foi? Porque chegou... não foi às vias de fato, mas...

Rubens Barrichello: Não aconteceu nada de grave. Eu, na corrida da Hungria, larguei em décimo. Ele largou em sexto, eu larguei muito melhor e vinha numa tomada passando ele por fora. De repente, o carro dele começou a escapar em cima do meu - eu não sei se [ele] começou ou se foi de propósito. E aquilo, no momento, é uma coisa que te atrapalha um pouco... Você fala: “ah, não! Se aconteceu isso, na próxima freada eu vou colocar por dentro de novo”. Então foi o que aconteceu: existiu o espaço, era total. Não haveria problema se o Katayama não colocasse por fora, porque ele fechou a porta do Irvine que veio para dentro e que me tocou. Então, lógico... Quando batem dois companheiros, eu acho que qualquer chefe de equipe chamaria a atenção para que não...

Celso Miranda: A bronca foi forte?

Rubens Barrichello: Não, o Eddie Jordan é ruim de dar bronca.

Matinas Suzuki Júnior: Jan Balder, por favor.

Jan Balder: Rubinho, você colocou há pouco que os dois adversários mais fortes seriam a Williams e a Benetton. Como é que você coloca a Ferrari [os pilotos da Ferrari em 1995 foram o francês Jean Alesi e o austríaco Gerhard Berger] nesse contexto?

Rubens Barrichello: Eu diria que a Ferrari vem muito bem para este campeonato, também. Eu diria que, pela emoção dos dois pilotos falando do carro, eu acho que eles vêm numa situação forte também. Para início de campeonato, eu acho que eles estão na mesma condição que nós. E, com certeza, eles vão crescer e, para a gente continuar igual, a gente vai ter que crescer também. Mas eu diria que eles também estão bem. Eu acho que a única equipe que ainda vai ter que batalhar um pouco - eu posso te “morder a minha língua” - mas eu acho que é a McLaren, que não veio com tanta velocidade assim no começo de ano.

Jan Balder: Você acredita que a Peugeot, em sua segunda temporada, e a Jordan na quinta temporada, esse elo de união mais jovem pode dar para a Peugeot um resultado melhor do que deu com a McLaren?

Rubens Barrichello: Eu acredito que sim. Eu acredito que, de repente, nós temos ainda que crescer como equipe, com profissionalismo, com maturidade, com aspectos de experiência, realmente... Mas eu acho que, fora isso, a Peugeot só tem a ganhar com uma equipe jovem, com uma equipe como é a família Jordan. E o Peugeot - isso eu posso declarar - é um motor vencedor, com certeza.

Cláudio Carsughi: Rubinho, você diz que o carro vai crescer. Você acha que vai crescer chassi ou motor? Ou os dois juntos?

Rubens Barrichello: Eu acho que os dois. A cada dia mais eu me impressiono com o motor, cada dia que eu sento no carro eu tenho uma evolução nova dentro do motor, então isso é fantástico. Na próxima tomada de tempo - que será sexta-feira, se Deus quiser, no Grande Prêmio - eu vou guiar um motor que eu nunca guiei, nem o próprio Irvine. É uma evolução do motor que nós tivemos lá em Portugal. Eu acho isso excelente. Então, [é] por isso que eu afirmo: é um motor vencedor. Mas eu acho que ainda nós temos que crescer um pouco na parte aerodinâmica. Acho que a parte aerodinâmica é a parte [para ser] vencedora de 1995.

Cláudio Carsughi: Parte aerodinâmica significa dinheiro em túnel de vento. Vocês têm isso?

Rubens Barrichello: Nós temos. Nós não temos os nossos próprios túneis de vento...

Matinas Suzuki Júnior: Rubinho, desculpe, você poderia explicar o que é túnel de vento? [Risos]

Rubens Barrichello: Túnel de vento é uma, digamos assim, é uma galeria de vento onde, por exemplo, se você colocar uma pessoa de bicicleta, você coloca em forma muito menor. Você, de repente, nessa forma com um túnel de vento desse tamanho [mostra com as mãos] você consegue fazer uma galeria de vento. O exemplo da bicicleta é bom porque você coloca a pessoa guiando em pé, mexendo a cabeça, o chapéu que eles usam com uma certa asa, e o vento que eles colocam na galeria do vento é um vento forte para notar onde é que você ganha ou perde... Você ganha uma certa... [Se] os quilos aumentam na parte dianteira ou na parte traseira, [se] é melhor na posição assim ou assado. Então, as asas, quando você coloca no carro - o carro é uma maquete, digamos deste tamanho [mostra com as mãos], que [é] colocada num túnel de vento - você começa a conhecer um pouco mais dessa área, porque o vento é 100% num carro de Fórmula 1.

Matinas Suzuki Júnior: Falando sobre isso, Rubinho, eu acho que os telespectadores têm curiosidade... Como é a vida dentro do carro? O seu pescoço balança mesmo? Precisa fazer aquele monte de exercício para o pescoço? Machuca a mão? Você fica ali, acho que duas horas dentro do carro, trocando de marcha... Como é que é essa... Porque parece que é um teste de resistência muito grande que o piloto precisa ter para enfrentar uma corrida no braço.

Rubens Barrichello: Realmente precisa ter muito fôlego, vontade...

Matinas Suzuki Júnior: Fôlego por quê, por exemplo?

Rubens Barrichello: Porque você faz muita força dento do carro. Não é uma coisa tão simples que você dirige só com o prazer e acaba chegando ao final da prova. Para ter uma corrida competitiva você precisa dar tudo e para dar tudo você perde os pêlos do braço aqui, porque bate aqui [mostra com as mãos], calos nas pernas, porque bate as pernas, e do resto você realmente tem que fazer muita força. E você tem quase 4 G, 3 G [em que G é a constante gravitacional] e meio de [pressão da] gravidade; tudo em cima do pescoço. Isso calculado daria mais de setenta quilos por três segundos. Então você precisa ter uma força muito grande no pescoço, que é a força maior do corpo. Então você precisa, realmente, estar com o corpo em ordem para ter a cabeça livre para você ter uma corrida normal.

Cândido Garcia: Então o Mansell está certo, Rubinho? Por que - aliás, é uma coisa que seria oportuno o Rubinho explicar - como é que um engenheiro como o Oatley [Neil Oatley, da McLaren] projeta um carro que um piloto de 1m70 [de altura] não cabe dentro? Numa equipe com todo o suporte da McLaren... Explica isso para a gente. Quer dizer, então o Mansell está certo de não querer guiar? Porque ele disse que ele fica como uma sardinha dentro de uma lata.

Cláudio Carsughi: Espera, explica melhor. Porque eles convidam o Blundell [Mark Blundell, piloto] que tem o mesmo tamanho e ele guia.

Cândido Garcia: É. Exato.

Barbara Gancia: Ou seja, o Mansell está mentindo ou não está?

[Risos]

Cândido Garcia: O Mansell está achando que o carro é ruim e está arrumando desculpa, é isso?

Rubens Barrichello: Não sei! Não sei! Não sei! Não sei!

[Risos]

Marcus Zamponi: Ele não vai saber de nada, pode falar.

Rubens Barrichello: Eu acho que a McLaren sempre foi voltada ao chassi, a fazer um chassi bom. E existe realmente a regra de que se você modificar o cockpit um pouco para cá ou para cá, você afeta na aerodinâmica lá atrás. Isso existe, mas são milímetros que não vão chegar a afetar, porque o carro da Jordan é um carro pequeno, mas que eu me sinto confortável. O Eddie Irvine, que tem 1m75 se eu não me engano, também se sente confortável. Mas olhando de cima, o carro da McLaren é um pouco pequeno, realmente, mas eu afirmo que Blandell não é tão menor que o Mansell...

Matinas Suzuki Júnior: Rubinho, o biotipo do piloto é esse? Quer dizer, o piloto tem que ser cada vez mais... Estar nesse padrão 1,70 m por aí, magrinho, porque os carros tendem a ocupar o espaço do piloto?

Rubens Barrichello: 1,70 m é a altura ideal para guiar um carro de Fórmula 1. Existe realmente... O cockpit, às vezes, afeta na aerodinâmica lá atrás, então isso vai piorando. Mas nesses três anos de Jordan, este ano é no qual o carro é mais confortável. Então, para mim, eu não vejo... Se a Jordan pode, eu acho que a McLaren também poderia realizar um bom cockpit.

Matinas Suzuki Júnior: Ainda sobre essa questão... dos trinta pilotos - de quase três dezenas de pilotos - só quatro estão abaixo dos 25 anos. A Fórmula 1 está se tornando um esporte de velhos (ou de maduros)?

Rubens Barrichello: Não, eu acho que a nova fase da Fórmula 1 está por vir. Eu acho que não só de pilotos que correm na Fórmula 3 ou Fórmula 3000... Eu acho que nós temos brasileiros muito bons correndo na Europa já este ano e, logo, logo, a gente vai poder ver outros brasileiros na Fórmula 1, lutando por vagas e lutando, quem sabe, por pontos. É uma coisa que... Essa disputa de pilotos acontece muito e o brasileiro, hoje em dia, tem uma porta muito aberta. Eu acho que logo a gente vai poder ver, inclusive, brasileiros lutando por boas posições.

Marcus Zamponi: Rubinho, o Nigel Mansell e o Emerson Fittipaldi cansaram de dizer que o que arrasa na Fórmula 1 é a fofoca de bastidores, a pressão dos jornalistas, a pressão do público... Isso parece que é verdade porque a gente vê o Christian, no último fim de semana, se dar mal lá na Austrália e sair "sambando" do carro. Eu queria saber o seguinte: qual o segredo para manter a tranqüilidade, o bom humor, por enquanto, como você está mantendo?

Matinas Suzuki Júnior: Marcus, eu poderia pegar uma carona na sua pergunta para fazer uma pergunta de um telespectador, o José Maria da Costa Coelho Filho, daqui de São Paulo, e que mandou boa sorte e feliz campeonato para você, Rubinho. Ele faz uma pergunta nessa direção. Ele diz o seguinte: “Parece que os pilotos na Indy são mais felizes e mais colegas". E que os pilotos na Fórmula 1 apresentam um clima de tensão e o semblante sempre fechado. Existe essa diferença entre a Fórmula Indy e a Fórmula 1?

Rubens Barrichello: Eu acho que isso é uma coisa um pouco...

Barbara Gancia: É que os de Fórmula 1 se divertem mais dento da pista do que fora.

[Risos]

Rubens Barrichello: Eu acho que é uma coisa que, primeiro, a imprensa construiu um pouco. Eu acho que realmente o ambiente da Indy é um pouco mais sossegado, mas é uma coisa que ficou maçante em cima da Fórmula 1. É uma coisa que não é o que acontece... No meu caso, acho que parte um pouco da educação que vem de casa, de não xingar o próximo por um motivo extra, por um motivo... Eu acho que... Eu, realmente, não tenho motivos para xingar - a não ser um dos ingleses... Eles não vão ouvir,  não é? Você falou que eles não vão ouvir, não é? [risos] Então tudo bem! Eu sempre tive problema na tomada de tempo, mas deixei passar. Então, teoricamente, eu não tenho problema com nenhum piloto lá dentro. Nenhum piloto. Eu acho que isso é o grande motivo de poder ir para um briefing e conversar com todos e cumprimentar a todos e dar parabéns por isso ou por aquilo, de carregar o japonês no colo, de... [risos] Eu acho que é isso...

Marcus Zamponi: E a pressão da imprensa?

Rubens Barrichello: Eu acho que isso dificulta um pouco porque, afinal de contas, se a imprensa esteve naquela curva onde eu fechei o Irvine e onde bateu, é onde eles vão causar um certo atrito, uma coisa que...

Barbara Gancia: A imprensa brasileira é melhor, lida melhor do que a imprensa estrangeira? Como é que você vê? A gente é mais tecnicamente preparado, é menos? O que você acha?

Marcus Zamponi: Mais ou menos chatos? [risos]

Matinas Suzuki Júnior: Mais chatos ou menos chatos que os italianos, por exemplo?

[Risos]

Rubens Barrichello: Eu vejo perguntas muito boas da parte do Brasil... Com sabedoria, com conhecimento de carro. E eu fico muito contente por isso, porque é chato responder uma pergunta de aerodinâmica, de carro, de cockpit, sendo que a pessoa não está entendendo nada, só está escrevendo para o público. Então é chato isso. Mas eu diria que o Brasil está muito bem situado nessa parte.

Celso Miranda: Rubinho, nessa questão da imprensa... A imprensa inglesa, [no] ano passado, "puxou a sardinha” para o Irvine, né? Como é que foi o relacionamento? Inclusive em cadernos de avaliação de final de ano e tal.... Você ficou magoado?

Rubens Barrichello: Eu acho que não vale nem a pena eu mover uma pena [enfatiza] por eles, porque agora eu começo a entender porque que o Ayrton tinha problema com a imprensa inglesa. Porque simplesmente eles colocam coisas que não são verdadeiras e fazem análises totalmente suspeitas. No nosso caso - no meu e do Irvine - tem coisas que acontecem, tem coisas que, inclusive, quando acontecem eu tenho prazer de falar que aconteceu. Porque eu acho que na vida você ganha e perde, não tem jeito de ser só um vencedor. Então...

Marcus Zamponi: Você acha que a imprensa inglesa influenciou na tua negociação, por exemplo, com o Ron Dennis? Naquela fase da McLaren?

Rubens Barrichello: Não, porque eu acho que a imprensa brasileira, por exemplo, tinha mais conhecimento do que a imprensa inglesa. Eu acho que eles não tinham tanta vontade de conhecer o caso, coisa que aconteceu...

Matinas Suzuki Júnior: Rubinho, não parece que é um equívoco ficar... A imprensa inglesa defende o piloto inglês, a imprensa italiana defende o piloto italiano, a imprensa francesa... E a brasileira os brasileiros... Quer dizer, a imprensa não está ali para relatar o que acontece independente da nacionalidade de cada piloto?

Rubens Barrichello: Eu acho que é um erro, mas eu acho que no Brasil, por exemplo, nós não temos essa coisa muito grande. Porque quando o Irvine faz um tempo melhor, o Irvine faz um tempo melhor. Tem que sair no jornal.

Matinas Suzuki Júnior: Você acha que nese aspecto ético a imprensa brasileira está acima das outras.

Rubens Barrichello: É superior, com certeza. Voltando ao assunto do Irvine, por exemplo, realmente saiu numa colocação... Eles votaram os dez primeiros num jornal inglês. Eu fiquei em décimo colocado e o Irvine em nono [na votação]. Eu não me chateei por ficar em décimo colocado porque eu acho que a opinião das pessoas vale e, de repente, a pole não valeu para ele, de repente o pódio não valeu para ele, então tudo bem. O que me deixa chateado é a pessoa comentar que o Irvine era uma pessoa mais rápida que o Rubinho e que estava freqüentemente, por exemplo, nas tomada de tempo mais rápido. No papel, existem comprovados: foi oito a cinco para mim. Então isso já não pode dizer que foi mais rápido porque... Eu não gosto de falar isso porque de repente o Irvine vai e faz 16 a zero agora, vai ser uma coisa até chata... [risos] Mas foi oito a cinco ano passado. Então eu fiquei oito vezes na frente dele, e ele ficou cinco vezes na minha frente. Então uma pessoa não pode... Porque se aconteceu uma coisa, ela tem que falar sobre aquilo. Não pode mudar a história. E o Irvine fez quatro pontos no campeonato quando eu fiz 19. Então eu vi que ele foi cotado como melhor piloto que o Rubinho... É uma coisa que chateia um pouco. Então, às vezes, eu agora chego na Inglaterra, se tem alguma entrevista, alguma coisa eu vou dar, mas não é uma coisa que eu faço com muito prazer na Inglaterra. Porque é uma pessoa que não está lidando com aquilo com sinceridade. Está só querendo saber a minha opinião.

Cláudio Carsughi: Rubinho, em todo o mundo se divide a imprensa automobilística em dois setores completamente distintos: uma minoria que gosta da parte técnica, que entende que tem um preparo específico e uma absoluta maioria que gosta do “oba-oba” da Fórmula 1. Como é que você se posiciona? Qual a entrevista que te dá mais prazer? Aquele que te pergunta um detalhe do tipo da suspensão do teu carro ou aquele que te pergunta que tipo de sapato você usa no domingo?

Rubens Barrichello: Eu realmente gosto mais da entrevista que é mais específica do carro ou mesmo a entrevista que eu respondo e eu entendo que a pessoa está entendendo aquilo que eu tento explicar. Eu acho que essa é a melhor entrevista, porque o que chateia, hoje em dia, são algumas coisas... eu não nego, eu acho que é uma coisa que eu continuo... Eu precisei muito da imprensa quando eu iniciei a minha carreira e eu acho que eu tenho que continuar indo nos programas onde fui, nas pessoas que me ajudaram, nas coisas... Como aconteceram. Porque o Rubinho não tem que deixar de ser uma pessoa pública. Mas às vezes é chato perguntar se eu comecei no kart ou se eu comecei no turismo. É uma coisa que é totalmente...

Barbara Gancia: Rubinho, posso ser chata para fazer uma pergunta? [risos] É o seguinte: Quando você começou a aparecer na TV - naquele comercial da Arisco [marca de produtos alimentícios] - ficou durante muito tempo o pessoal falando “Mas quem é esse cara?”. Hoje em dia, passa algum dia da tua vida que você não dá um autógrafo para alguém ou que alguém não te reconhecem em algum lugar do mundo?

Rubens Barrichello: Inclusive... Você gostou da Pepsi? Eu estou mais solto, não é?

Barbara Gancia: Não, claro...

Rubens Barrichello: O garotinho [do comercial da Pepsi] “quebrou meu galho” forte. Olha... Tem, tem. Inclusive, eu acho que isso é muito bom que aconteça com os jovens... Porque eu saí do Brasil como um herói, dando autógrafo com 16 anos de idade, aquela coisa... “Nossa! Estou ganhando tudo, sou um herói, dou autógrafo”. Cheguei na Inglaterra e nem o leiteiro me conhecia. Ninguém me conhecia e aquilo começou... [Falei:] “Poxa, mas eu não sou o herói? Eu não sou aquela pessoa que mando lá no Brasil? E aqui ninguém me conhece. Mas como?”. Aquilo, no Brasil, era confortável para o ego. E lá fora era uma coisa que te prejudicava totalmente. Então isso volta a igualar. Acho que a Europa é muito boa para o piloto em termos de humildade, de simplicidade, eu acho que é muito bom. Então, hoje em dia, eu ainda posso passar na Inglaterra despercebido...

Barbara Gancia: Na Itália?

Rubens Barrichello: Na Itália já não porque com os boatos da Ferrari... Aquela, coisa ficou um pouco mais...

Barbara Gancia: Eu espero que um dia eles sejam boatos confirmados, [que] seja verdade.

Cândido Garcia: São boatos mesmo ou aquelas várias e tantas conversas com o Jean Todt [então executivo da Ferrari]foi o início de alguma coisa?

Rubens Barrichello: O sonho da Ferrari sempre existiu e sempre vai existir... e é uma coisa até ruim de falar, mas com certeza o Ayrton guiaria ainda, um dia, na Ferrari. E eu acho que estava mais perto do que nunca dele conseguir alguma coisa com a Ferrari. Mas o sonho sempre vai existir... Eu acho que o Jean Todt é uma pessoa super, super honesta e sabe lidar muito bem com a equipe. Ele, realmente, fez com que a Ferrari crescesse e foi por isso que... Não só pela Ferrari, mas pelo contrato [com a] Jordan, [que] foi uma coisa que eu assinei por um ano. Eles [da Jordan] queriam, de repente, me pagar mais e que eu assinasse um contrato de dois anos. Mas eu fiz questão de assinar mais um ano só, para saber... Se a Jordan continuar eu tenho um prazer enorme de continuar porque é família, eles realmente me fazem bem e trabalham em cima de mim... De forma que eu tenho muita força ali dentro e é ali que eu quero continuar. Mas se eles não tiverem a chance de continuar crescendo, eu acho que existe uma chance de mudança e quem sabe a Ferrari.

Cláudio Carsughi: O fato do contrato de Berger [Gerhard Berger] terminar no fim desse ano é outra coincidência, então?

Rubens Barrichello: Por enquanto. [risos]

Matinas Suzuki Júnior: Bem, nós vamos dar um tempo para o Rubinho reabastecer e voltamos já, já, com o Roda Viva.

[Intervalo] 

Matinas Suzuki Júnior: Bem, nós votamos com o Roda Viva que, hoje, entrevista o Rubinho Barrichello. Eu lembro a vocês que vocês podem enviar perguntas  através do telefone (011) 252-6525. Repetindo: (011) 252-6525 ou pelo fax 874-3454, 874-3454. Esta não é a primeira vez que o Rubinho participa do Roda Viva... Eu nem sei se ele sabe disso. Em 1986, quando ele tinha 14 anos, Barrichello fez uma pergunta gravada para o programa de entrevista do Ayrton Senna. Rubens Barrichello sempre admirou o piloto tricampeão da Fórmula 1.

[Vídeo com imagens da entrevista que Ayrton Senna deu ao programa Roda Viva, do acidente que levou o piloto à morte e imagens de homenagens prestadas por Rubens Barrichello e outros pilotos a Ayrton Senna]

Matinas Suzuki Júnior: Não era só o Rubinho que era diferente, não. O Roda Viva também tinha outro cenário. Aproveitando a pergunta que você fez para o Senna, Rubinho, eu queria aproveitar e fazer as perguntas dos telespectadores. Há muitas perguntas sobre o Ayrton Senna - lembrando que amanhã seria aniversário do Senna e que a irmã dele está lançando o Projeto Senna, um projeto importante para o país. O Jairo Gregório, de Arujá; o Adilson de Santoro, de São Bernardo; o Eduardo Carvalho, de Santa Catarina; o Genilson Vitorino, de Itaquera; o Rodrigo Gomes, de Diadema e o Marcelo Otineli, de Osasco, entre outros - há muito mais perguntas sobre o Senna aqui - gostariam que você falasse sobre o Ayrton Senna. Mas eu queria te lembrar o seguinte, naquela pergunta - você com aquela carinha de 14 anos - você perguntou para o Senna qual era o caminho mais fácil de passar do kart para a Fórmula 1 e ele te respondeu que era ter bons patrocínios. Ter sorte para ter bons patrocínios. Qual a pergunta que você gostaria de ter feito para o Ayrton Senna e não fez?

Rubens Barrichello: Olha, primeiro eu queria agradecer pelo convite de vir aqui porque eu me lembro muito bem dessa entrevista. Eu me lembro que foi feita para o Roda Viva e me lembro, como se fosse ontem - com aquele cabelinho rapado, gordinho... eu estava gordinho ali! - que foi com muito prazer que eu fiz aquilo porque o Ayrton sempre foi um grande herói. E eu me lembro muito, muito, muito bem que foi no meu quarto, num cantinho do meu quarto que eu perguntei isso para ele. Olha, eu tive momentos na minha vida que eu não sabia se eu estava no sofá da minha casa ou se eu estava no cockpit do meu carro por ver o Ayrton passar na frente. Então era um momento que você tinha que dividir o piloto do herói, do amigo do Rubinho, como [se estivesse] simplesmente assistindo uma prova de Fórmula 1 da melhor arquibancada possível. Foi assim que eu me senti na minha primeira prova de Fórmula 1. Foi assim que eu tive que me tornar um homem e saber que, se eu tivesse que disputar uma freada com o Ayrton, eu teria que fazê-lo, e não teria que ser diferente. Mas eu acho que os momentos que eu tive com o Ayrton, principalmente no Japão, onde o Ayrton voltou a ser um menino... acho que poucas pessoas sabem disso, mas por coincidência...  Nós estávamos, eu e o Geraldo no Japão, e nós chegamos muito cedo ao Japão, então acabamos indo para Tóquio em vez de ir à Aida. E, em Tóquio, nós ficamos no mesmo hotel que o Ayrton, inclusive quando eu abri a porta do meu quarto era de frente com o quarto dele. E do lado do hotel tinha a Tóquio Disneylândia. Então, o Ayrton já ficava naquele hotel há quatro anos e nunca tinha ido na Disneylândia ali em Tóquio. Então a gente estava indo e convidamos o Ayrton para ir. E eu nunca vi o Ayrton tão alegre, tão menino e se divertindo ao máximo. Então, eu não diria que faltou uma pergunta, mas faltou sim um pouco mais... Acho que todas as pessoas sentem isso, sentem uma vontade muito grande de fazer uma pergunta, de estar mais por perto porque... E por isso acho que uma coisa me ensinou, hoje, eu vejo... Até é meio difícil de falar, mas vai... Eu vejo a minha mãe, por exemplo, que dois anos atrás eu não tinha tempo de vê-la, de... Sabe? É uma coisa que em casa, trabalho, patrocínio e você fica longe. Hoje em dia eu já... [Emocionado] Eu arrumo um tempo para ela, então isso me ajudou.

Paulo Anshowinhas: Você falou em alegria, Rubinho... Aparentemente você é uma pessoa extrovertida. Isso nas pistas... Fora delas existe, realmente, uma aura de timidez dentro de você? E complementando ainda mais essa pergunta... O que é adrenalina? Certa vez rolou aquele acidente contigo em Ímola e eu acho que medo era uma das primeiras coisas que qualquer pessoa poderia sentir... E, ao mesmo tempo, eu li uma entrevista onde você dizia que o único medo que você tem é da solidão. Como que é essa história?

Rubens Barrichello: É... Primeiro eu vou pedir pra ele ler o que a Fabiana falou. Por favor, o que a Fabiana falou.

Matinas Suzuki Júnior: Não foi só a Fabiana, não foi só a Fabiana! A Fabiana pediu desculpas...[Risos]. [Pediu] para dizer que você... Que não concorda [em] você ter sido eleito o mais feio. Mas que você, além de muito bonito, é um fofo.

Rubens Barrichello: Viu?

[Risos]

Rubens Barrichello: Eu sou realmente extrovertido, gosto de participar das brincadeiras. No colégio eu era muito mandado para fora da aula pelas brincadeiras. Mas no íntimo, em conquistar uma garota, em chegar e cumprimentar uma pessoa importante ou participar de uma reunião, o Rubinho é uma pessoa tímida, uma pessoa um pouco introvertida, uma pessoa quieta nesse assunto. Quando me dão liberdade, eu realmente fico mais solto e é o que vem acontecendo na minha vida, em geral. Acho que a minha vida solitária, digamos assim, na Europa, me fez uma pessoa um pouco mais agressiva, mais participante. Eu acho que o ficar sozinho, hoje, é necessário, por alguns motivos de concentração e por algumas coisas que você quer pensar... E [por] algumas coisas que você tem que realizar, escrever... Eu escrevo bastante os meus momentos de alegria. Mas eu diria que eu venho me dando bem com essa coisa... Eu ainda sou muito tímido, mas eu consigo passar por cima.

Paulo Anshowinhas: E o que é a adrenalina?

Rubens Barrichello: Adrenalina é uma coisa que você sente e você começa a suar frio... Eu acho que todas as pessoas já suaram frio... Por exemplo, quando o avião dá aquela batidinha [mostra com a mão] - coisa que eu mais sinto... Porque eu, realmente, posso andar a 300 quilômetros no chão, mas no alto eu fico um pouco tremendo [de medo]... Adrenalina é aquilo que você não sabe se vai dar certo ou não no final e que você tem a maior responsabilidade, a vontade e é a hora de querer realmente fazer bem feito. Então a adrenalina vem no corpo como uma coisa... Como um Cebion [medicamento efervecente] na água. É uma coisa que é difícil de explicar, mas ela vem na largada.

[Sobreposição de vozes]

Matinas Suzuki Júnior: Por favor, Cláudio, só um minuto. Ele tocou no [assunto do] acidente e está falando em adrenalina. Se você nos permitir, nós vamos passar outra vez a imagem do acidente e, seria importante, os telespectadores gostariam de saber o que você sentiu... Olhando lá Rubinho, como é que...

[Vídeo com imagens da batida de Rubens Barrichello no circuito de Imola em 1994]

Rubens Barrichello: Eu sei de cor e salteado, não vou nem olhar. É um negócio... É bonito, de fora é bonito, fala a verdade.

[Risos]

Marcus Zamponi: Você tem medo de avião... Olha lá, está voando.

Rubens Barrichello: Meu pai sempre me avisou para levantar sempre o braço, sempre ser um cara alegre. Eu estava assim lá!

[Risos]

Barbara Gancia: De lá para cá você sonhou com esse acidente alguma vez?

Rubens Barrichello: Não. Quanto ao medo, quanto à coisa que... Lógico que o piloto tem um receio, tem um certo medo de algumas horas na Fórmula 1. Mas o medo é igual a um farol amarelo no trânsito de São Paulo, digamos assim. Você não pode temer. Ou você vai de uma vez e passa no farol amarelo ou pára e decide que não vai. É a mesma coisa no carro: melhor você parar numa hora de treino, analisar a situação e depois prosseguir. Porque se o medo existir, você não vai conseguir ser rápido.

Marcus Zamponi: Já te passou pela cabeça parar?

Rubens Barrichello: Não. Parar, num momento raro, assim... Você pára um pouquinho, pensa e já vai de novo.

Marcus Zamponi: Mas parar... Por exemplo, depois do acidente, você pensando “Vou parar com essa história... No sábado morreu o Ratzenberger [Roland Ratzenberger (1960-1994), piloto suíço, sofreu acidente fatal um dia antes de Senna], no domingo morreu o Ayrton...”. Não te passou nada na cabeça a esse respeito?

Rubens Barrichello: Não dá para pensar isso porque é a coisa que eu mais gosto, é a coisa que eu mais amo em toda a minha vida...

Barbara Gancia: O que você acha da equipe Williams estar sendo - ou poder vir a ser - responsabilizada criminalmente pela morte do Senna? O que você tem a dizer sobre isso?

Rubens Barrichello: Eu ouvi muito sobre isso e eu não acho que alguma pessoa dentro da Fórmula 1 faria alguma coisa de propósito. Isso é um caso encerrado na minha cabeça...

Maurício Cardoso: Mas por negligência não poderia ter havido...

Rubens Barrichello: Eu acho que não, porque no caso de uma Sintec [então equipe de Ratzenberger], de uma Pacific... e por problemas de dinheiro, eles não têm condições de trocar as peças, por exemplo. E se isso acontecer, pode haver fadiga na peça e pode haver um acidente. Mas no caso da Williams que cuida, que troca... É impressionante como o tempo vai passando e... A própria Jordan, hoje, usa uma pastilha de freio, acabou o treino, joga fora. É uma coisa que acontece no dia de hoje e a Williams é muito mais. É uma coisa que já aconteceu. Já passou a fase de problemas financeiros, então não existe isso. Eu acho que há uma culpa. Eu acho que eles teriam que admitir o fato da coluna ter quebrado, mas eu acho que eles não têm que ser culpados criminalmente, porque é uma coisa que não foi proposital, é uma coisa que aconteceu porque tinha que acontecer.

Cândido Garcia: Rubinho. É até uma conversa muito desagradável, chata, lembrar tudo isso... Mas jornalisticamente a gente é obrigado a entrar nesse assunto. Você teve um acidente na sexta-feira, o Ratzenberger morreu no sábado, existia um clima muito pesado em Ímola naquele final de semana e há quem diga que o Ratzenberger morreu realmente na pista, na hora em que ele bateu no Villeneuve, mas [que] a morte dele só foi noticiada no Hospital de Bolonha para que a corrida pudesse acontecer [de acordo com a lei italiana, o evento esportivo tem que ser cancelado em caso de morte]. Entre vocês, pilotos, depois da morte de Ratzenberger, veja bem, antes da morte dele... Você não estava mas, pelo que você ouviu posteriormente, aquela corrida não deveria ter sido suspensa?

Rubens Barrichello: Eu acho que sim. Isso foi discutido na GPDA, que é a Associação dos Pilotos. Eu acho que quando existe algum tipo... Nem que a pessoa tenha falecido... Acho que alguma coisa grave, se aconteceu, é porque existia algum erro. Então a coisa tinha que ser revisada. O Christian me disse que, na relargada, depois do acidente do Ayrton, a comunicação é que ele estava bem, que já estava voltando e não tinha problema algum. Foi dessa maneira que ele largou para a segunda largada, porque ele me disse que se não, não largaria. Então houve uma falta de informação, alguma coisa errada. Eu acho que a relargada ali foi totalmente errada, realmente não teria que ter acontecido.

Cândido Garcia: Em cima dessa sua resposta, então, não existe ética e não existe um lado emocional entre aqueles que dirigem a Fórmula 1? Alguém disse que a Fórmula 1 é um grande negócio. É apenas um grande negócio ainda?

Rubens Barrichello: Não...

Celso Miranda: Ou, Cândido, existe esse lado emocional, e até por haver esse lado emocional alguém escondeu a verdade para que o jogo continuasse...

Rubens Barrichello: Mas eu acho que pela falta de tempo, pela televisão, por aquela coisa toda, não teve tempo da informação correr. Porque foi... Eu estava em casa, na Inglaterra, quando eu vi o acidente e, em menos de meia hora a corrida já estava acontecendo novamente. Então eu acho que, pelo fato de acreditar que o Ayrton era imbatível, [que] era uma pessoa que nunca aconteceria nada, para ninguém... Para ele, inclusive, eu acho que a corrida continuou. Os pilotos nunca pensaram que poderia acontecer aquilo e a informação não aconteceu. A informação ficou naquele círculo de médicos e de pessoas que ficaram em volta do carro.

Celso Miranda: Escondendo dos outros.

Cláudio Carsughi: Você assina a superlicença [espécie de autorização para que os pilotos corram na Fáomula 1. É emitida pela FIA] sem nenhuma reserva mental?

Rubens Barrichello: Hoje, juntamente com a GPDA, eu tenho coisas que eu não aceito. Uma superlicença é o que nós estamos lutando para que seja modificado.

Maurício Cardoso: Vai ter greve, não?

Rubens Barrichello: Não, eu acho que não. Eu acho que a coisa vai ser modificada.

Cândido Garcia: E cairia de [...] em cima disso?

Rubens Barrichello: Acho que em cima disso e também assunto de segurança, em termos de pista. Mas é uma coisa que é muito... Sabe?... É aí que a coisa tem que começar. Eu acho que é daí que a GPDA tem que ter mais influência no círculo todo porque, afinal de contas, somos nós que dirigimos, somos nós que sabemos do quanto é perigoso.

Cláudio Carsughi: Talvez caiba explicar melhor essa questão da superlicença, que muita gente pode não saber: os pilotos têm que assinar um documento em que [dizem que], esse ano, praticamente estão renunciando a qualquer ação contra a Fia. Eles se entregam [de] pés e mãos atadas e [dizem que] não vão reclamar de nada, mesmo se vierem a sofrer um acidente mortal.

Matinas Suzuki Júnior: Jan, por favor.

Jan Balder: Com relação à segurança, Rubinho... Os motores reduzidos de três [litros] e meio para três litros - uma perda aí de 150 cavalos -, uma configuração aerodinâmica bem reduzida e... Os carros mostraram no último teste em Estoril que estão quase tão rápidos quanto na configuração do ano passado. Esta velocidade da tecnologia dos engenheiros não pode, no decorrer do ano, fazer com que haja mudanças de regulamento, como aconteceu no ano passado? O ano passado houve várias mudanças após, principalmente, o acidente de Ímola e este ano não poderia incorrer no mesmo erro?

Rubens Barrichello: Eu acho que vai chegar o momento em que... As mudanças estão indo para um lado, o lado de que nós precisamos de menos aerodinâmica, o pneu diminuiu, menos potência - o que acho certo. Apesar de que, poucas pessoas sabem, mas eu tenho [hoje] quase a mesma potência que eu tinha com o Hart no ano passado, então não mudou muito. Mas eu acho que vai chegar o momento em que nós teremos que voltar tudo para trás. Nós teremos que fazer um carro quatro segundos mais rápido, mas um carro mais seguro para o piloto dirigir porque, afinal de contas, os engenheiros são muito bons nesse sentido. O Irvine é muito rápido de velocidade, então eu vou ter que fazer aquela curva [com] “pé em baixo” [acelerando muito], queira ou não queira, entendeu? É uma coisa que vai acontecer. E antigamente eu faria aquela curva muito mais suave. Hoje em dia, eu entro totalmente de lado, mas eu estou “pé em baixo” do mesmo jeito. Então vai chegar um ponto - eu acho que o carro está num limite favorável - mas vai chegar um ponto que a gente vai ter que dar de volta tudo aquilo que tinha do passado e dar a chance de... Porque eu acho que, pelo menos, a coisa que eu peço, a coisa que a gente sempre falou na GPDA é voltar ao pneu grande. O pneu grande faria um maior arrasto. O arrasto, quando você roda, ele pararia muito mais fácil, é uma coisa necessária.

Jan Balder: Os circuitos têm acompanhado a segurança dos carros? Quer dizer, está coerente?

Rubens Barrichello: Após o inicio da GPDA todos os circuitos têm melhorado de zero para cem. O circuito de Silverstone é o circuito mais seguro no circuito da Fórmula 1 e, com certeza, é um circuito que melhorou muito em termos de segurança. Era um circuito muito rápido antigamente. As curvas rápidas - algumas delas - permaneceram, mas muito mais seguras.

Maurício Cardoso: Rubinho, logo após o acidente do Senna, o Piquet disse aqui que a Fórmula 1 com absoluta segurança não existe. Quer dizer, que o risco faz parte da competição. Você acha que a trezentos quilômetros por hora existe alguma segurança?

Rubens Barrichello: Eu acho que não é a segurança total, apesar de eu me sentir mais tranqüilo dentro do carro amarrado do que na estrada indo daqui para o Rio de Janeiro... É uma coisa real. Eu acho que toda pessoa sentiria isso. Não que eu esteja criticando total, mas, por exemplo... Já que eu toquei nesse assunto, eu acho que no Brasil deveria existir uma reeducação quanto ao trânsito, quanto às ultrapassagens, quanto à educação... Porque eu fui parado outro dia, na estrada, por estar na [pista da] direita e pela pessoa achar que eu passaria aquele carro pela direita. E isso era totalmente errado, porque se você não tem nada para fazer, você tem que ficar na direita. Depois, num certo momento, dá a seta para a esquerda para ultrapassar. As pessoas entram na [pista da] esquerda e ficam lá a vida inteira. E era um policial que estava na esquerda que me criticou. Então...

Matinas Suzuki Júnior: A propósito do trânsito no Brasil, o que você acha dos rachas? Nós temos perdido um número imenso de jovens que se julgam na condição de pilotos e vão para as ruas da cidade no sábado à noite para tirar racha... O que você pensa dos rachas? Os pilotos brasileiros são bons porque existem os rachas?

Rubens Barrichello: Acho que... também nisso eu já fui menino e continuo sendo, quanto à velocidade... Então acho que a punição deveria ser maior quanto a esses rachas, quanto ao que acontece. Eu acho que é tão bonito você, inclusive, participar de um racha dentro da pista, como acontece em São Paulo. As pessoas vão lá para tirar corrida. O único problema é que acaba a corrida e eles continuam disputando fora. Eles vão para casa disputando. Então esse é um problema. Eu não sei realmente o que teria que fazer, porque eu já fui menino. Eu não participei de racha, mas já vi pessoas falando: “Olha ali o Rubinho Barrichello! Vou passar por cima dele”. E mexe um pouco com o sangue [deixa nervoso] e você acaba indo atrás. Não foram muitas as vezes, mesmo porque se eu estou sozinho eu ainda estou respondendo pela minha pessoa. Mas acho que se tem alguém, é muito perigoso. Mas eu acho, realmente, que não é bonito. Eu vi outro dia na televisão - inclusive, um negócio louco... – [que] uma pessoa estava dando cavalo-de-pau, o companheiro estava batendo na roda de trás, que rodava e ele batendo para mostrar que aquilo estava no total controle, e uma brincadeira de mão sempre acaba dando errado [risos]. Meu pai sempre falou. Então é uma coisa que não deveria acontecer.

Barbara Gancia: Rubinho, falando em vandalismo, o que você acha de ídolos como o Edmundo e como o Maradona [jogadores de futebol conhecidos por serem agressivos e participarem de brigas]? Essa gente mais para rebelde, que é a antítese daquilo que você é?

Rubens Barrichello: Eu acho que não é nem muito diferente. Eu me seguro mais. Tem vezes que eu, realmente, fico nervoso e acontece isso. E às vezes eu até espero... Porque na verdade, algumas vezes - e principalmente hoje -, como há um maior assédio da imprensa, algumas coisas saem erradas. Então eu tento, de uma certa forma, fazer com que a pessoa não entenda que só porque eu estou na Fórmula 1 - e hoje o povo espera muito mais do Rubinho - que eu posso fazer isso. Não é exatamente nada disso. É que simplesmente algumas coisas não podem ser feitas e têm que ser feitas no momento certo.

Barbara Gancia: Você acha que é uma questão de limite?

Rubens Barrichello: É uma questão de limite, é uma questão de explosão. Eu sou muito explosivo nos meus cinco minutos. Eu brigo com você agora, em cinco minutos eu quero fazer alguma coisa, mas seu eu segurar...

[Sobreposição de vozes]

Cândido Garcia: Você nunca quebrou nenhuma câmera na Inglaterra, não? [risos]

Rubens Barrichello: Não. Mas eu acho que é uma coisa de explosão. É uma coisa que... O limite tem que ser um pouco mais baixo. Com certeza o Edmundo vai ser uma pessoa diferente  depois que tudo que passou [Edmundo sofreu um acidente automobilístico no Rio de Janeiro em 1995 no qual três pessoas que se encontravam no outro carro, faleceram. Edmundo foi considerado culpado pelo acidente]. Acho que a punição entra nisso também. Eu acho que vai ser muito melhor.

Jan Balder: Rubinho, você nasceu no ano em que o Brasil conquistou o primeiro título de campeão com o Emerson [Emerson Fittipaldi]. Você passou a infância e a juventude assistindo vitórias de Ayrton Senna e Nelson Piquet. Você, como piloto, você se inspirou em algum deles? Como piloto: estilo de pilotagem, estilo de acerto de carro... Você teve alguma inspiração em um ou em outro?

Rubens Barrichello: Eu acho que tem coisas que você aprende na infância que não tem jeito, você acaba copiando. Então eu tinha certeza que a Ana Cristina, que sentava na minha frente no colégio, que ela ia fazer melhor que eu, então eu ficava copiando do dela, porque ela fazia melhor que eu, não tinha jeito, era melhor eu nem escrever, eu copiava do dela [risos]. Mas, de uma certa forma, eu acho que a originalidade é uma coisa que tem que predominar num estilo de vida. Eu acho que a pessoa tem que ser exatamente como ela é. Então eu me lembro muito bem, eu estava sentado no laranjinha, com seis anos de idade, vi o Paulão [Paulo Gomes, piloto da modalidade Stock Car] guiando o Stock dele na curva do laranjinha, e ele guiava assim [mostra com as mãos como se girasse o volante de um lado para o outro rapidamente]... O carro estava saindo, ele estava controlando e ia. No próximo treino de kart, eu comecei a guiar no meio da reta e, ia pra lá e para cá, para lá e para cá [risos]... Meu pai falou “Mas o que você está fazendo? Você está dois segundos mais lento por volta. Você está perdendo tempo!”. Então aquilo... Dali para frente eu aprendi que eu tenho que fazer o que eu sei e o que eu consigo. Às vezes você pode chegar a comparar a minha cabeça como a do Ayrton, o meu estilo de guiar... Mas não é uma coisa que eu tento fazer. Muitas coisas, quando você erra, você tem que ser honesto: sentar naquela curva e ver como a pessoa está fazendo, mas não que predomina algum estilo.

Matinas Suzuki Júnior: Rubinho, você falou muito no seu pai aqui. Falando no cavalo-de-pau, toda a brincadeira, voltou a citar seu pai. Nós temos umas imagens - um tape - de você com seu pai. Parece que seu pai tem uma importância muito grande na sua carreira, é uma pessoa que está muito próxima de você. Vamos ver.

[Vídeo com imagens de Rubens Barrichello e seu pai época em que corria no kart]

Matinas Suzuki Júnior: Como é a sua relação com o seu pai, Rubinho?

Rubens Barrichello: Primeiro, eu nasci no mesmo dia que meu pai - 23 de maio -, tenho o mesmo nome, então eu sou uma pessoa muito parecida [com ele]. Às vezes, quando eu... Hoje ele já sabe que eu fui de moto para o colégio e não contei para ele [risos]. E ele descobriu aquilo! Eu falei: “pai, mas como? Está bom, me deixa de castigo [por] seis meses, faz o que você quiser, mas como [enfatiza] você descobriu aquilo?”. Ele falou “Eu já fui criança e já fui igualzinho a você”. Então é, realmente, uma relação tão amigável, tão parecida, que nós nos damos super bem. Eu sei quando meu pai está nervoso, quando meu pai tem algum problema e eu sei quando ele está chateado ou quando ele está contente... Eu sei como fazer o meu pai contente. Então... É diferente, é uma coisa que... Meu pai é meu melhor amigo, é com quem eu conto, é com quem eu falo tudo, é com quem eu participei de tudo e com quem eu vou participar enquanto eu puder. Eu acho meu pai, não tem nem o que... Se ele estiver acordado agora, ele já está chorando, mas ele...

[Risos]

Cândido Garcia: Agora no esporte, eu estava vendo lá, o Rubão estava mais para um goleiro “meia sola” [ruim] do que para piloto. Agora parece...

Rubens Barrichello: Você não sabe o que ele jogava de goleiro! Não é porque eu sou filho dele não, mas...

Cândido Garcia: Disseram-me que a dona Ideli é que está boa de volante, né? É verdade?

Rubens Barrichello: É. Minha mãe participou, inclusive, da Prova do Batom [competição feminina] e chegou em segundo [lugar]. A baixinha não é mole!

Barbara Gancia: A minha mãe chegou em primeiro.

Rubens Barrichello: Ah é!

[Risos]

Rubens Barrichello: Olha mãe, olha lá, mãe! [Aponta para Barbara Gancia]

Cândido Garcia: Então, quer dizer que na hora do vamos ver, tecnicamente, a tua mãe tem mais know-how para dar um palpite do que o Rubão?

Rubens Barrichello: [Risos].

Cândido Garcia: Ela já esteve lá. É isso?

Rubens Barrichello: Olha, a minha mãe guia muito bem. Apesar de que um dia ela errou uma marcha na subida, bateu no carro de trás. E eu prometi que, quando eu fizesse 18 anos, eu nunca mais sentava do lado dela [risos]. Mas ela guia muito bem! Ela guia muito bem!

Marcus Zamponi: Rubinho, domingo que vem a gente tem, aqui no Brasil, a estréia da Forti-Corse que é a equipe ítalo-brasileira, [que] está aparecendo aí debaixo do maior esforço, que está dando chance aos brasileiros de novo - vai ter o Roberto Moreno, o Pedro Diniz... Me diz uma coisa, diante desse panorama da Fórmula 1 - os custos cada vez mais altos, cada coisa cada dia mais cara - é mais uma tremenda maluquice ou é viável?

Barbara Gancia: Como maluquice?

[Risos]

Marcus Zamponi: Deixa eu explicar que é do irmão dela a equipe, antes que eu apanhe aqui.

Rubens Barrichello: Eu acho viável. Eu acho que sim, que é viável. Eu acho que a pessoa não pode desistir. E eu acho que isso é igual, igual, igualzinho a quando o piloto brasileiro vai morar no exterior: se ele passar pelos dois primeiros meses, ele passa para o resto da vida. Se a Forti-Corse passar pelos dois primeiros anos, ela passa pelo resto da vida porque os dois primeiros anos são os momentos mais difíceis. É a falta do dinheiro, é a falta de teste, são as pessoas não acreditando, falando mal. E eu me orgulho...

Barbara Gancia: Se daqui a cinco anos estiver igual a Jordan, já está limpo.

Rubens Barrichello: É, eu acho. A Jordan é uma equipe que deu certo, uma equipe que batalhou muito, que foi... Que é, inclusive, mais forte que a Benetton nos tempos antigos. E eu me orgulho de poder sentar do lado do Pedro e falar: “Pedro, essa curva aqui é de quinta, aquela é de quarta”, porque eu acho que o brasileiro precisa de ajuda. Eu vejo... Eu moro junto com o Ricardo Rossetti, com o Gualter Salles, com Roberto Xavier e eu me orgulho, realmente, de estar participando com eles, de ensinar a coisa, como eu tive com o Ayrton, tive com o próprio Nelson, com coisas de contrato... Mas eu acho que o brasileiro precisa de mais ajuda ainda, precisa de um contato assim: “Olha, não faz isto porque isto está errado”. Então, com o Pedro, eu acho que na Fórmula 1 a gente vai ter uma relação super boa.

Jan Balder: Rubinho, você tem uma união com o Gary Anderson [então desenhista da Jordan] ótima, um relacionamento muito bom dentro da equipe. Qual o tempo do seu contrato com a Jordan?

Rubens Barrichello: Encerra agora em 1995.

Jan Balder: Esse ano. E essa ligação com o Gary Anderson, esse binômio, essa parceria... Você trocaria de uma maneira simples ou você procuraria se manter dentro da equipe Jordan também em função disso?

Rubens Barrichello: Eu diria que [ele] é mais do que um engenheiro. O Gary é mais uma pessoa... Quando eu disse “irmão”, ele falou “Eu posso ser seu pai!”. Ele até brincou com isso! Mas é uma coisa um pouco mais forte porque ele me trata, realmente, não só como piloto, mas também como filho. E é uma grande força ali porque o Gary é uma pessoa séria como todo irlandês, como todo inglês e eu senti no olho dele - na primeira vez que eu saí do box - que ele confiava em mim e eu vi um sorriso no rosto dele. Então aquilo me conquistou, realmente, como piloto e será difícil... O dia que eu tiver que deixar a Jordan será bem difícil.

Matinas Suzuki Júnior: Rubinho, você falou das suas relações com os outros pilotos brasileiros. E sobre o Christian, o que você tem a dizer? Como é que é a sua relação com o Christian?

Rubens Barrichello: Olha, eu vou sentir...

Matinas Suzuki Júnior: [Interrompendo] Vocês competiram a vida inteira.

Rubens Barrichello: Eu vou sentir falta [dele] na Fórmula 1. Porque eu acho que nós fomos tão assim... Não foi tão duro assim, mas as pessoas...

Matinas Suzuki Júnior: [Interrompendo] É um tipo de lamento semelhante ao que o Prost [Allan Prost, piloto francês que foi um dos principais adversários de Ayrton Senna] teve quando perdeu o Senna? Quer dizer... “Somos competidores porém precisamos um do outro”.

Rubens Barrichello: Não, mas com o Christian foi diferente. Foi uma coisa até um pouco mais forte, em termos... Que nós corremos por sete anos de nossas vidas no kart. E era aquela coisa de rival mesmo, de inimigo, de não olhar e “não, porque está andando mais rápido do que eu, está falando mentira, falou que não virou aquele tempo...”. Porque no começo eu dormia na casa do Christian e o Christian dormia na minha casa. Eu empinava a bicicleta, ele empinava também. E saíamos de casa junto, aquela coisa junto, quando nós tínhamos 10, 11, 12 anos. E daí foi que ficou aquela coisa ruim de rival. E na Fórmula 1 nós conseguimos conquistar aquela coisa de volta, com uma amizade muito mais amadurecida. Foi uma coisa de amigo, realmente. Poder acabar, encerrar o seu dia de trabalho e poder ir jantar e conversar outras coisas. Então foi uma coisa que eu acho que nós conquistamos e que foi uma coisa boa não só para nós, mas também para o Brasil, que precisava um pouco de alegria entre dois pilotos, uma coisa que acontecia muito... original, uma coisa muito simples. Ninguém pagou para que nós fôssemos amigos. Então eu vou sentir falta sim. Porque eu acho que era muito legal a hora em que nós sentávamos para conversar de outras coisas...

Barbara Gancia: [Interrompendo] Você acha que ele fez uma “burrada”?

Rubens Barrichello: Não, eu acho que não. Acho que o Christian fez uma coisa em que o coração mandava. Eu acho se você não tem um assento bom dentro da Fórmula 1... Depois de dois, três anos, a coisa fica um pouco pesada porque não vale a pena. Você sabe que você vai largar em décimo quinto, décimo sexto...

Barbara Gancia: [Interrompendo] Mas ele está saindo de uma categoria que é a melhor do mundo para ir para uma que é uma categoria divertida, mas não é “nenhuma Brastemp” [frase que ficou muito comum após campanha publicitária dos eletrodomésticos Brastemp e que queria dizer que se algo não era da marca, não era bom] , digamos assim.

Rubens Barrichello: Mas pronto para provar que ele é um vencedor. Eu tenho certeza que o Christian vai vencer uma prova este ano. E vai provar para as equipes que ele era um vencedor e ele vai voltar para a Fórmula 1. Eu tenho certeza.

Barbara Gancia: Deus te ouça!

Maurício Cardoso: Rubinho, você não acha que esse ano a Fórmula Indy - com sete pilotos brasileiros - corre o risco de tomar o lugar na preferência dos brasileiros [em relação à] da Fórmula 1, que está só você com... Digamos, como você disse, com poucas chances de ser campeão do mundo?

Rubens Barrichello: Olha, eu diria que dificulta um pouco. Eu acho que a Fórmula Indy continua tendo o Michael Andretti, que eu taquei a televisão no chão, depois daquela última volta! Eu não pude acreditar, realmente! Três horas da manhã, o cara me fazer um negócio daquele?! Foi um negócio pesado [risos]. Mas de qualquer forma, eu acho que a Fórmula Indy é interessante de se ver, principalmente, porque tem sete brasileiros. Um ou dois, pelo menos, estarão sempre entre os dez primeiros no final da corrida.

Maurício Cardoso: Quando você se aposentar, você também vai para a Fórmula Indy, não?

Rubens Barrichello: Não sei. Eu acho que a Fórmula Indy é uma categoria que é válida principalmente porque ela dá chances a todos os pilotos. Então eu acho que o Christian não estava errado, não, quando ele decidiu pela Fórmula Indy.

Marcus Zamponi: Você falou que o Christian pode brilhar e voltar para a Fórmula 1. Mas ele já esteve na Fórmula 1. Você acha que esse processo pode acontecer, por exemplo, com Gil de Ferran, que não chegou a ir na 1? Ele brilhar na Indy e ir para a 1... Você acha que pode ser uma escada?

Rubens Barrichello: Pode acontecer. Como vai acontecer com o Villeneuve [Jacques Villeneuve], como de repente possa acontecer com o Paul Tracy. Porque o que aconteceu com o Michael, na Fórmula 1, foi uma coisa diferente. Ele disputava contra o melhor piloto e a pressão caiu em cima total. Então vai ter alguém da Fórmula Indy que vai querer provar que é uma categoria competitiva. Eu acho que, com certeza, o Gil é um piloto que vai...

Matinas Suzuki Júnior: [Interrompendo] Mas Rubinho, a Fórmula 1 não precisa passar por algumas... Você não acha que ela precisa passar por algumas mudanças do tipo da Fórmula Indy? Esse negócio de, o cara larga na frente, tem o melhor carro e ganha a corrida... Larga na frente, vai até o final na frente, não está ficando muito chato de assistir? 

Rubens Barrichello: Eu acho que na Fórmula 1 a gente vai ter que mudar um pouco, como foram essas mudanças de regulamento, [que] eu acho que foram boas, porque a igualdade vai reinar um pouco mais. Na Fórmula Indy... Nunca vai chegar ser igual à Fórmula Indy porque a Fórmula Indy, não é uma monomarca, mas existem três tipos de chassi. Então fica uma coisa muito mais parecida. Na Fórmula 1 não tem jeito.

Cândido Garcia: Aquela bandeira amarela [indica perigo e também sinaliza para redução de velocidade] daria certo na Fórmula 1? Quer dizer, de repente o Schumacher disparou, meteu 15 segundos no segundo [colocado da corrida], aí mete uma amarela - porque o "seu" Badoer deu uma escorregada lá - [então] encosta todo mundo. Você acha que dava certo assim?

Rubens Barrichello: Às vezes... Não é ser honesto, até, com o piloto que batalhou muito. E as táticas ficam diferentes, porque aí de repente não vai valer a pena o cara largar com o tanque vazio para três paradas, e não vai valer a pena porque ele vai ter que parar de qualquer jeito, porque vai existir uma bandeira amarela Principalmente na rua. Mas eu acho que a bandeira amarela na Fórmula Indy funciona muito bem porque as pistas não são pistas normais, geralmente são pistas de rua ou oval, então eu acho que é importante.

Cândido Garcia: Eu tenho uma curiosidade sobre você... Dentre as várias qualidades que foram mais do que proclamadas do Rubens Barrichello, você teve uma fama - na época da Fórmula 3 ou 3000 - de mau largador. Hoje você se considera já um bom largador? Você fez aquela pole na Bélgica e tal... Ou continua precisando de uns treininhos?

Rubens Barrichello: Eu fui realmente um mau largador na minha carreira de Fórmula 3, mas isso foi um momento da minha vida que proporciona, hoje, uma elasticidade, uma tranqüilidade muito grande. Porque foi naqueles momentos de Fórmula 3 que eu tive a maior pressão da minha vida. Mesmo sendo um menino de 18 anos, naquele momento eu me senti tão pressionado que hoje eu me sinto uma pessoa super tranqüila. Na largada não existia nenhum problema, porque o Rubinho sentava naquele carro e achava que ele tinha que ter alguma técnica para largar. E eu só fui aprender quando eu vi uma corrida minha de Fórmula 3 e o Coulthard [David Coulthard] largava com o “pezão” atolado no acelerador e tirava o pé da embreagem. Eu só fui aprender quando aconteceu isso, porque não tem nenhuma técnica de Fórmula 3 para largar. Existe uma técnica na Fórmula 3000 e na Fórmula 1, porque se você jogar toda a potência [do motor, o carro] vai patinar, realmente. Mas na Fórmula 3 você [só] não pode esquentar muito os pneus e [precisa] simplesmente tirar o pé da embreagem e estar com bastante giro [de motor]. Então, desde aquela largada que o carro morreu, eu peguei um trauma... Daí me levaram para a pista de dragster [veículo utilizado em provas de arrancada em linha reta. São caracterizados por serem leves e possuírem motores muito potentes]! Me levaram para ver autorama! Me levaram... [Risos] Porque não dava para largar e eu realmente fiquei com trauma daquilo que eu falava “Meu Deus do céu, não preciso nem de uma boa corrida, preciso só largar!” E era um trauma muito grande.

Cláudio Carsughi: Falando em largada, uma coisa que me chamou atenção nos treinos do Estoril foram aquelas largadas do Herbert [Johnny Herbert] com a Benetton. O piloto pega uma carro novo e faz uma série de largadas excepcionais. Lembrando o que aconteceu no passado, você acha que tem ainda alguém querendo arrumar algum truque por baixo do pano?

Rubens Barrichello: Eu acho que o truque hoje dá para realizar, por baixo do pano, dá para... Ele está por ali. Então, eu também achei estranho no treino de Jerez, que o carro do Herbert ele rateava muito. Rateava como se fosse um traction control, um controle de tração. Então é suspeito, mas de uma certa forma eu acho que ficou bem claro que, se alguém fizer alguma coisa, que vai ser banido total.

Celso Miranda: Rubinho, a gente passou uma fase de pilotos brasileiros indo para a Europa, uma fase pioneira, como o Emerson e até o Piquet que foram para lá com a cara e a coragem encarar uma vida na Fórmula 1. A partir do Ayrton, as coisas começaram a ser planejadas. Hoje em dia o cara, para querer chegar na Fórmula 1, querer ir para frente, ele tem que ter uma estrutura comercial logo que ele começa na sua carreira? Para pensar, calcular sua carreira até o fim?

Matinas Suzuki Júnior: Eu vou pegar uma carona também - está em moda pegar carona, lá na Fórmula Indy [risos] - tem aqui dois pilotos de São Paulo, o Renato Rochino, que é de Speed 1600 e também o João Osório Fonseca, que também é da categoria Speed 1600. Eles perguntam sobre isso, quer dizer... Sobre o início da carreira e sobre a questão do patrocínio hoje, [de] como é difícil subir. E eu lembro que o Piquet disse que antigamente você saía rico da Fórmula 1, hoje você precisa ser rico para entrar na Fórmula 1 [risos]. O que você tem a dizer sobre isso?

Celso Miranda: Até porque você não era um cara rico quando começou.

Rubens Barrichello: Não, eu acho que os tempos mudaram um pouco e realmente fica um pouco mais difícil de começar uma carreira sem ter dinheiro. No Brasil ainda você consegue sobreviver. E eu cito pilotos que eu, realmente, achava que eles chegariam na Fórmula 1 e não chegaram. O Carcasse, um piloto super bom que não conseguiu pelas partes financeiras; o Renato Russo, que me ensinou a andar de kart, entendeu? Uma pessoa que tem um talento brilhante, que veio andar de Fórmula Ford de novo, depois de tanto tempo, e agora deve andar de kart ou de Fórmula Ford ou de Fórmula Uno, porque não tem dinheiro. Essa pessoa eu realmente queria ver lá no exterior. E tantas outras... O próprio Sala... Tantas pessoas que tiveram chance um pouquinho e daí, por algum aspecto financeiro, andaram para trás. Eu, realmente... Eu tenho que agradecer para o resto da minha vida a Arisco. Porque se não fosse a Arisco, eu não estaria onde estou e, realmente, não chegaria à Fórmula 1 de jeito nenhum. Mas hoje em dia, você precisa sair do Brasil com uma certa segurança, então todos os contratos que eu assinei foram bem assinados para que me dessem a segurança de continuar sentando num carro bom. Porque não adianta você ir para a Europa e sentar num carro ruim porque não vai adiantar nada.

Matinas Suzuki Júnior: A esse propósito, Rubinho, vamos rever aí as imagens dos seus patrocinadores nos bonés. Por favor.

[Vídeo com imagens dos patrocinadores de Rubens Barrichello]

Rubens Barrichello: Ah, esse cabelo... Eu tenho uma saudade!

[Risos]

Matinas Suzuki Júnior: Rubinho, você está com menos cabelos, mas com patrocinador novo e, provavelmente, com muito mais dinheiro. Você já ficou rico? Você vai ficar rico na Fórmula 1? É posível ainda ficar rico na Fórmula 1?

Rubens Barrichello: É possível ficar rico na Fórmula 1. Eu, hoje em dia, tenho muito orgulho e uma amizade muito maior com o Berger porque...

Matinas Suzuki Júnior: [Interrompido] Suas contas bancárias chegaram perto.

[Risos]

Rubens Barrichello: Não, não. Eu estava tomando café com o Geraldo, no Japão, na última corrida no Japão, e ele [Berger] vinha andando e falou “Posso sentar?’, eu falei “‘Pode, lógico”. Ele chegou e falou “Eu não quero saber o que você vai fazer no ano que vem, não quero saber o que você quer fazer. Só que se você fizer Fórmula 1, vá pelo dinheiro. [Se] você vale cinco milhões, peça cinco milhões, peça dez [milhões] porque o dinheiro é o que importa.” Eu achei isso uma coisa interessante para uma pessoa que, inclusive, é meu concorrente, ter falado do dinheiro. Eu acho que, realmente, na Fórmula 1, pelo [tanto] que é perigoso, pela maneira de como você é um pouco, o espetáculo, você tem que ganhar para fazer. E, olha, depois de tantos anos de carreira, esse é o primeiro ano [em] que eu ganho como piloto. Então... Não, o Rubinho não é rico ainda, não é um milionário, mas, digamos que hoje eu posso levar a minha família para jantar fora, para viajar... Eu acho que isso é muito mais sossegado. Brincadeiras a parte, mas hoje eu sou um piloto que ganha para correr e isso, com certeza, é uma coisa que aumenta até o próprio interesse pela corrida. Não que o dinheiro seja essencial, mas é duro você pensar que você está pagando algum dinheiro para ainda fazer o que você gosta.

[Sobreposição de vozes]

Matinas Suzuki Júnior: Por favor, um de cada vez. Anshowinhas.

Paulo Anshowinhas: Em sua auto-análise, quem é o Rubinho Barrichello hoje?

Rubens Barrichello: Quem é o Rubinho Barrichello hoje? Hoje o Rubinho é uma pessoa que tenta ser o mais simples possível, tenta ser o menino que ele foi no passado. Tanto é que eu não gosto de, por exemplo, quando eu vou em algum lugar onde tem muito agito, que tem muitas pessoas que, por exemplo, um segurança tente apartar as pessoas para que saiam da frente. Porque o Rubinho é uma pessoa normal como todo mundo, tem que passar pelas mesmas escadas onde as pessoas passam e tem que ter os mesmos problemas que as pessoas têm. Eu acho que não tem que ter nenhuma diferença. Hoje o Rubinho é uma pessoa que, apesar dos 22 anos, ama o que faz e já, digamos, está no auge de uma categoria que ele gostaria de chegar. Então isso satisfaz completamente e eu sou uma pessoa super feliz.

Matinas Suzuki Júnior: Bom, Rubinho, nós vamos dando [por encerrada] a nossa bandeirada aqui no Roda Viva [risos], mas antes eu gostaria de dizer o seguinte: chegaram mais faxes dizendo que você não é o mais feio, entre eles o da Márcia de Freitas...

Rubens Barrichello: É! A Fabiana começou, achei fantástico!! [Joga beijo]

Matinas Suzuki Júnior: E tem um bastante curioso aqui que é o do Sérgio Villa, de Olinda, que diz o seguinte: “Rubinho, você é um gato!”.

[Risos]

Rubens Barrichello: Aí não, hein? Aí não, olha o dedinho.

[Risos]

Matinas Suzuki Júnior: E eu gostaria de ler para você um outro fax do Ricardo Schumacher, do setor A de Interlagos, que ele diz o seguinte: “Saiba que um Schumacher torce por você, e que você faça tudo que sabe na corrida em Interlagos”.

Rubens Barrichello: Que legal! Obrigado.

Matinas Suzuki Júnior: Bem, o Roda Viva encerra aqui, tendo entrevistado hoje o Rubinho Barrichello, que nesse domingo será a grande esperança brasileira em Interlagos. Eu gostaria de agradecer a bancada de entrevistadores, a sua atenção e desejar uma boa noite e uma boa semana para todos.

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