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Rodrigo Maia

14/5/2007

Presidente nacional do Democratas, antigo PFL, fala da refundação do partido que pretende conquistar o apoio dos setores médios da sociedade

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Programa ao vivo

Paulo Markun: Boa noite. Ele critica a crescente onda de populismo na América Latina e diz que este fenômeno representa um desafio para a manutenção da democracia no continente e para a política brasileira. Foi encarregado de reconstruir o partido, reformular os seus quadros e buscar formas de deixar a legenda mais próxima da sociedade. Além de renovar a imagem do partido, tem também a missão de repaginar o discurso muitas vezes apresentado como conservador nas questões sociais e marcado pela defesa da economia de mercado. O entrevistado desta noite no Roda Viva é o presidente nacional do Democratas, deputado federal pelo Rio de Janeiro, Rodrigo Maia. O Roda Viva começa em instantes.

[intervalo] 

Paulo Markun: A alteração para Democratas é mais do que uma mudança de nome da legenda. A proposta do antigo PFL é conquistar um espaço no cenário político brasileiro como agente ativo na vida pública. Governista desde a gestão de José Sarney até a de Fernando Henrique Cardoso, o partido quer agora liderar a oposição ao governo Lula, e aos 36 anos, Rodrigo Maia, presidente do Democratas, está encarregado de unir o partido nesta missão.

[vídeo comentado]: Filho de prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, Rodrigo nasceu no Chile durante o exílio do pai e vivenciou desde muito cedo a vida política do país. Aos doze anos, acompanhou a apuração paralela do PDT nas eleições de 1982. Ao lado do pai, freqüentou o PCB e andou com a bandeira do partidão a tiracolo durante as eleições presidenciais de 89. Admirava Leonel Brizola a quem dedicou seu primeiro voto para presidente. Foi amigo do governador Moreira Franco e ajudou a alavancar a campanha de Luis Paulo Conde para a prefeitura do Rio. Depois de flertar com várias legendas, Rodrigo Maia filiou-se ao Partido da Frente Liberal em 1999 e chegou à Câmara dos Deputados. Acusado de mudar de lado, declarou que não existe mais direita e esquerda e sim idéias e formas de governar e atender bem a população. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o PFL foi o principal aliado do presidente e o deputado Rodrigo Maia chegou a afirmar na época que o partido era quem garantia a estabilidade econômica do governo FHC. Acusados de estarem sempre à sombra dos tucanos, os antigos pefelistas tomaram a decisão de liderar a oposição e assim ganhar mais projeção e também desvincular a imagem do partido como satélite do PSDB. Em 2005, o Partido da Frente Liberal anunciou a refundação do partido. Neste novo cenário, Rodrigo Maia assumiu a responsabilidade de redirecionar a nova legenda encaminhando o Democratas de forma independente e desassociada do PSDB. Rodrigo Maia defende candidaturas próprias do partido nas eleições de 2008 e 2010.

Paulo Markun: Para entrevistar o presidente nacional do Democratas, o deputado federal Rodrigo Mais, nós convidamos Alexandre Machado, comentarista de política da TV Cultura;  Sérgio Lírio, secretário de redação da revista Carta Capital; Renata Lo Prete, editora do painel do jornal Folha de S. Paulo; Denise Rothenburg, colunista de política do jornal Correio Brasiliense; Rodrigo Camarão, repórter especial do Jornal do Brasil; Gabriel Manzano Filho, repórter do Jornal O Estado de S. Paulo e Guilherme Evelin, editor do Brasil da revista Época. Também temos a participação do cartunista Paulo Caruso, registrando em seus desenhos os momentos e os flagrantes do programa. Boa noite, deputado.

Rodrigo Maia: Boa noite.

Paulo Markun: Eu queria começar aqui com duas perguntas de telespectadores. Antonio Linhares, estudante de Ipiaú na Bahia, pergunta o porquê da mudança do nome, se vai ser uma mudança de ideologia do partido ou uma mudança de programa? E Bruno Franco Trindade, gestor e pedagogo de São Roque, aqui de São Paulo, quer saber o que é possível esperar dessa nova legenda?

Rodrigo Maia: Olha, primeiro boa noite, é um prazer estar aqui no Roda Viva. Eu acho que essa é uma pergunta importante, por que a mudança do nome? Por que Democratas? Nós que participamos com a constituição do PFL, do processo de redemocratização do Brasil, um ciclo político que se encerrou no final do primeiro mandato do presidente Lula com a garantia da alternância de poder, esse ciclo se encerra. Ao mesmo tempo o partido já vem desde 2004 aliado à internacional democracia de centro, antiga internacional democracia cristã, o partido vem se alinhando, principalmente, ao presidente [José María] Aznar [primeiro-ministro da Espanha, de 1996 a 2004] da Espanha, fazendo a sua refundação de 2004 a 2006, onde em 2005 fizemos a convenção do partido, fazendo as mudanças do nosso ideário, transformando idéias e programas que vinham de uma época de transição democrática para 2004, 2005 e essa refundação termina exatamente nesse novo momento do partido. Um ciclo acaba, frente, havia uma grande contradição com o partido, mas o partido sempre no governo acabava ficando com esse mesmo nome contraditório, e a partir de agora, a decisão dos antigos líderes do partido é entregar o partido para uma nova geração para que a gente possa, com essas novas idéias, com esse novo caminho, entender o novo momento da política brasileira, o novo ciclo, o novo momento, uma nova linguagem. As pessoas estão esgotadas da política, estão com rejeição enorme do Congresso Brasileiro, dos partidos políticos, então a nossa missão é reenquadrar o partido, o partido que caminha de uma posição à direita e caminha ao centro, esse é o nosso objetivo para que o partido possa estar mais próximo do cidadão. Nós queremos tratar de temas que tratam do cotidiano do cidadão brasileiro, sair dos temas que transformam ou tentam transformar os políticos em estadistas. Nós queremos é estar no dia-a-dia do cidadão, e nada melhor do que o momento como de hoje, onde as eleições municipais virão e eu acho que é nesse momento que o partido vai poder ser reconstruído, diretórios reformulados, novos quadros certamente da sociedade civil será o nosso objetivo trazê-los ao partido para disputar as eleições municipais de prefeito e vereadores, para que com essa nova estrutura, o partido possa sonhar com vôos mais altos a partir de 2010.

Sérgio Lírio:  Deputado, só uma questão: por que todo mundo se recusa a ser de direita no Brasil, e um dos problemas daqui não é exatamente a falta de um partido de direita, orgânico, organizado para o jogo democrático?

Rodrigo Maia: Não. O problema da direita no Brasil é o preconceito que vem da relação que se criou entre a ditadura e a direita. Então, de fato, a palavra direita ficou uma palavra que não agrega, desagrega, e o nosso objetivo não é abrir mão das nossas idéias em relação à economia de mercado, a um estado enxuto. A nossa idéia é agregar aquilo que a gente vem acompanhando, não apenas no Brasil, mas principalmente na Europa. A gente viu principalmente como se comporta hoje o líder do partido conservador inglês que, sem abrir mão das suas idéias, sem abrir mão do discurso de menos imposto e um estado enxuto, caminhou até para aceitar políticas do bem-estar social, do partido trabalhista inglês, jogando o primeiro-ministro inglês numa posição mais isolada e sendo hoje favorito para as eleições do próximo ano.

Renata Lo Prete: Deputado, boa noite. O senhor falou em novas idéias, o telespectador citado pelo Markun falou em um novo programa. O nome do partido é novo, a sede é nova, o dirigente, o presidente é jovem, agora o programa do Democratas é o programa do velho PFL formalmente. O senhor não acha que isso reforça a percepção de que essa mudança teria sido mais cosmética, uma resposta ao resultado eleitoral negativo que vocês tiveram no ano passado?

Rodrigo Maia: Não. Primeiro nós não temos nenhuma saudade do poder que tivemos. Nós olhamos a oposição como uma decisão do eleitor e o poder como uma expectativa futura, um ponto futuro para o nosso partido, então não temos nenhuma saudade do poder que tivemos. Tivemos o nosso espaço, aproveitamos as nossas oportunidades, estamos na oposição por decisão do eleitor. As nossas idéias avançam, não há uma ruptura; nós entendemos que a democracia, o sistema brasileiro é o melhor sistema. Nós temos que reforçar é o sistema democrático no Brasil. As nossas idéias vão avançando. Avançamos na questão do meio ambiente, avançamos e vamos avançar na questão dos direitos humanos e vamos avançar numa linha que o partido não tinha, que é  deixar com clareza o que nós entendemos que é importante para o estado brasileiro. Nós queremos, de fato, segurança pública e aí vamos a [Nicolas] Sarkozy [presidente conservador eleito nas eleições de 2007] na França. Segurança pública, autoridade, firmeza para combater os bandidos do Brasil, a violência no Brasil disparou. Saúde pública, regulamentar a emenda 29, o deputado Caiado está com essa missão, que é médico, nós vamos defender a regulamentação da emenda da saúde que nenhum estado, poucos estados do Brasil, nem a União cumprem o que manda a Constituição em relação à saúde. Queremos investir em educação. Educação de zero a seis anos, queremos universalizar as creches no Brasil. O maior problema hoje da mãe, chefe de família em comunidades carentes, que é o maior número, é exatamente a falta de creches para os seus filhos. Nós queremos mostrar ao cidadão o que nós entendemos que é missão do Estado. É por isso que o partido mudou e vai avançar exatamente naquilo que o Estado deve representar para o cidadão.

Denise Rothenburg: Deputado, mas que instrumentos o Democratas vai utilizar para isso, uma vez que a gente vê que a atuação da bancada do partido no Congresso tem sido somente na obstrução, uma postura muito aguerrida e que não se vê ainda o desenvolvimento de projetos e de idéias. Quanto a governos, o partido tem apenas o governo do Distrito Federal, que por mais esforços que se imprima, fica difícil apresentar um projeto. A prefeitura de São Paulo vai ter outros, a disputa vai ser grande. Como é que o Democratas vai poder implantar esse projeto, mostrar esse projeto para a população?

Rodrigo Maia: Nós começamos a implantar no Distrito federal. O governo do  governador José Roberto Arruda está reinventado o estado. Diminuiu o número de secretarias, está ajustando as contas, está tomando decisões, no primeiro momento antipáticas, mas que vão gerar possibilidade de colocar o estado do tamanho que ele precisa para atender aos anseios da sociedade. O estado, o Distrito Federal, que nós administramos, é um bom exemplo; a prefeitura de São Paulo com o prefeito [Gilberto] Kassab [(1960-), paulistano], certamente, será um ponto importante em 2008 para que o partido coloque as idéias, os programas que nós estamos implementando na cidade de São Paulo. Eu acho que nós temos dois bons exemplos.

Alexandre Machado: Deputado, no início o senhor falou que o Democratas não vai abrir mão da sua visão de mercado. Agora numa entrevista que o senhor concedeu à Isto É, o senhor reconhece a falência do liberalismo. Eu queria que o senhor falasse um pouco sobre isso para que se tenha maior clareza em relação a qual é a visão que o Democratas tem em relação à economia?

Rodrigo Maia: A nossa visão em relação à economia é muito clara, nós queremos segurança jurídica. Nós entendemos que o setor privado no Brasil para investir precisa de segurança jurídica. É o que está faltando hoje. Excesso de medidas provisórias, decisões da própria justiça que vêm em desacordo do que a legislação brasileira vem decidindo. Então o que eu entendo é que nós precisamos primeiro, segurança jurídica; depois com essas garantias, dar condições, criar os marcos regulatórios definitivos para que o setor privado possa também, com marcos regulatórios definitivos. A questão do saneamento, o que nós aprovamos o ano passada foi nada, nós não tratamos na questão do saneamento da questão da titularidade. Vamos resolver o marco regulatório do saneamento.Tem muitos recursos no Brasil e no mundo; o setor privado deve investir numa área que é saúde pública e que vai gerar milhares e milhares de empregos para os brasileiros. A questão da autonomia do Banco Central, nós entendemos que ela é fundamental você dar autonomia  operacional ao Banco Central para que o Banco Central possa, sem gerência política, executar as determinações dispersas pelo governo. Nós temos muitas posições. [vários falam ao mesmo tempo]

Denise Rothenburg: Deputado, mas não é contraditório?

Sérgio Lírio: O senhor acha que tem gerência hoje? O senhor acha que o Banco Central precisa de mais independência do que tem? 

Rodrigo Maia: Eu não falei independência, falei autonomia operacional. Hoje é uma autonomia suja, nós queremos uma autonomia operacional em lei, nós queremos um orçamento do Banco Central que não seja um orçamento decidido pelo Presidente da República, contingenciado pelo Presidente da República. Nós queremos um mandato para a direção do Banco Central e queremos que o governo encaminhe as suas metas inflacionárias, as suas propostas pra o Banco Central executar. É isso que nós acreditamos.

Denise Rotehnburg:  Deputado, mas tudo que o senhor está falando aí depende de lei para ser, muitas coisas dependem de lei.

Rodrigo Maia: Claro, eu apresentei projeto de lei.

Denise Rothenburg:  Sim, mas acontece que a política do Democratas no Congresso é de obstrução. Como é que se vota se o partido não sai de obstrução?

Rodrigo Maia: Se as minhas propostas fossem majoritárias, nós éramos governo, não éramos oposição. No Congresso, oposição, crítica ao governo, fiscalização; nas ruas, um partido próximo do eleitor e propositivo, esse é o caminho para que o partido possa se encontrar com os eleitores e chegar ao poder. Não tem no Congresso sendo minoria, você me desculpa, outro caminho que não seja você sendo uma minoria esmagadora como nós somos hoje na Câmara e menos no Senado, você não exercer este papel, de fiscalizar o governo, de mostrar as contradições do próprio presidente Lula, do seu governo, e deixar registrado aquilo que se prometeu e não se cumpriu. E nas ruas, nos nossos diretórios, na reconstrução dos nossos diretórios municipais, na reconstrução dos nossos diretórios estaduais, estive hoje em Recife montando o diretório do estado de Pernambuco, um grande evento. A partir daí, nas ruas, um partido propositivo e apresentando suas idéias. Eu acho que esse é o caminho.

Gabriel Manzano Filho: Falando em propositivo, deputado, eu queria um teste mais ou menos prático. O PFL, tudo indica, vai com o Kassab como candidato à reeleição, no caso em 2008. Se na prática, o PSDB lançar, tudo indica que lançará o Geraldo Alckmin, provavelmente, sei lá, com o apoio do governador José Serra. Nesse caso, o PFL, perdão, o Democratas que tem um compromisso com o Serra, conhecido, de longo prazo, fica com esse compromisso ou fica com o Kassab e enfrenta o Alckmin?

Rodrigo Maia: Olha, eu acho que isso não ocorrerá por uma questão simples...

Gabriel Manzano Filho: Quer dizer que o Alckmin não será candidato?

Rodrigo Maia: Vou te dar minha opinião. Eu acho que a prefeitura de São Paulo, ela é uma cidade como são outras capitais, são cidades ricas, cidades em que a capacidade de investimento existe. Eu acho que a parceria da prefeitura com o governo do estado potencializa isso muito mais. Então eu acho muito difícil que o prefeito Kassab não tenha uma avaliação muito positiva em abril, maio do ano, o que vai inviabilizar a outra candidatura do nosso campo, essa é minha opinião. Eu acho que cabe ao prefeito Kassab, cabe aos Democratas em conjunto com ele, e faremos isso no nosso programa do partido a partir de agora e nos nossos comerciais, mostrar as realizações, o que ele já vem realizando para que o partido chegue em abril do ano que vem e dê garantias aos nossos aliados de São Paulo, porque a aliança dos Democratas com o PSDB em São Paulo é uma aliança que vem dando certo, diferente da maioria dos estados brasileiros, esta vem dando certo e acho que o Kassab, dando estas demonstrações, é natural que ele seja candidato da aliança à reeleição.

Rodrigo Camarão: Deputado, o senhor disse que no fim deste mês vai ter uma campanha nacional do Democratas, na qual as principais estrelas serão o Kassab e o prefeito César Maia.

Rodrigo Maia: E o governador Arruda.

Rodrigo Camarão: E o governador Arruda, exatamente. Agora na questão do Kassab, seria exatamente para alavancar o nome do atual prefeito de São Paulo. E ele, entre os pontos, ajudou a colocar em ordem as finanças de São Paulo, é isso? Entre os pontos que o Kassab será apresentado.

Rodrigo Maia: Você tem no programa três, quatro pontos, vai se escolher dois porque é um programa de dez minutos.

Rodrigo Camarão: Eu queria saber o seguinte: como é que o prefeito, hoje governador, José Serra, deixou as finanças para o PFL, Democratas?

Rodrigo Maia: Eu não trato especificamente desse ponto com o prefeito Kassab, mas eu acredito, pela forma como o prefeito Kassab trata dos investimentos que ele vem realizando em São Paulo, certamente a situação que ele deixou foi uma situação muito positiva, pela impressão que me passa, pela quantidade de investimentos que ele vem realizando em São Paulo.

Guilherme Evelin: Deputado, o senhor citou aí anteriormente o presidente eleito na França, Nicolau Sarkozy, como um possível exemplo, uma referência dos Democratas. Agora ele ganhou recentemente a eleição na França, quer dizer, colocando-se claramente como um candidato de direita contra uma candidata de esquerda [referência à Ségolène Royal], que era a candidata lá do partido socialista. E a análise mais ou menos recorrente sobre a vitória dele é que a vantagem do Sarkozy durante a campanha é que ele soube se apresentar claramente, como um candidato de direita e apresentou claramente as suas idéias. Aqui no Brasil, como foi lembrado aqui pelo colega, o Sergio Lírio, ninguém se diz de direita, todo mundo se diz social democrata ou, no máximo, de centro como querem os Democratas. E o senhor fala numa série de bandeiras na área de educação, de meio ambiente, mas tudo isso é muito vago porque isso tudo também o PT, o presidente Lula também defende. Eu quero saber o que vai diferenciar, qual vai ser o traço distintivo dos Democratas em relação ao governo Lula que vai fazer com que ele almeje voltar ao poder mais na frente?

Rodrigo Maia: Olha, primeiro eu acho que a gente tem que fazer uma diferenciação da forma como o presidente eleito da França trata a questão da direita, e essa questão em outros países como a Inglaterra. Nas eleições passadas, você lembra que a esquerda ficou fora porque caminhou ao centro, não foi isso? Nessa eleição, a extrema direita vinha crescendo, Sarkozy teve que reafirmar a direita. Ao mesmo tempo, Ségolène reafirmou a esquerda para não ficar fora do segundo turno, com isso o candidato de centro foi a dezoito por cento, então se ocupou espaço. Então a eleição na França, por exemplo, foi um pouco diferente da eleição, por exemplo, que vai começar na Grã-Bretanha agora, onde o partido conservador sai do discurso que isola, que é o discurso, só o discurso isolado dos menos impostos, que é um discurso tradicional, é nosso também ainda, e caminhou ao centro tomando bandeiras dos trabalhistas. Então eu acho que o nosso caminho aqui não é renegar a nossa história, não é abrir mão do que nós acreditamos em relação à economia de mercado, não é nada disso. É caminhar para que o eleitor entenda o que nós acreditamos que é função do Estado. Nós queremos qual Estado? Certamente diferente deste construído pelo PT, que gerou o mensalão, que gerou os desvios dos fundos de pensão. Este Estado certamente não é o Estado que nós queremos para a sociedade brasileira. Nós queremos outro, que seja enxuto, mas que preste bons serviços ao cidadão brasileiro.

Paulo Markun: Deputado, vamos fazer um rápido intervalo e a gente volta num instante com o Roda Viva que esta noite tem na platéia Roberto Barbeiro, empresário; Kátia Abreu, senadora pelo estado de Tocantins; André Felipe, secretário de esportes do Distrito Federal e Ana Maria Prioli, empresária. A gente volta já, já.

[intervalo]

Paulo Markun: Estamos de volta com Roda Viva que hoje  recebe o presidente nacional do Democratas, o deputado federal Rodrigo Maia. Em 1989, na primeira eleição direta para presidente, após o Regime Militar, foi essa  a única vez que o PFL saiu com um candidato próprio, desde então a legenda perdeu espaço no cenário nacional.

[vídeo comentado]: Em 1998, o PFL tinha a maior bancada de deputados na Câmara, eram 105 parlamentares na casa. Quatro anos depois, o partido perdeu eleitores e elegeu apenas 84 deputados. Em 2006, a representatividade do partido caiu ainda mais, o PFL elegeu 65 deputados. Desde a eleição, o partido perdeu mais deputados que deixaram a legenda e agora conta com 57 parlamentares. Considerando o número de prefeituras pelo país, o partido também perdeu espaço no cenário político. Em 1988, o PFL comandava 1058 cidades; quatro anos depois caiu para 965, perdeu mais prefeituras em 96, mas recuperou prestígio em 2000 quando voltou a administrar 1028 cidades. Mas na última eleição para prefeito, o partido sofreu a maior queda ficando com apenas 790 cidades.

Paulo Markun: Deputado, eu vou perguntar uma coisa aqui que aparentemente não tem a ver com essa numerologia toda, aliás, o prefeito César Maia gosta muito desses números e das estatísticas como o senhor sabe melhor do que eu. A pergunta é de Silvio Luis Alves, de São Paulo que diz o seguinte: os deputados sorrateiramente aprovaram um aumento nos próprios salários durante a visita do Papa, como acabar com esta atitude? E eu acrescento, o senhor acha que uma coisa tem a ver com a outra?

Rodrigo Maia: Eu acho que esse era um tema e foi o que eu defendi, eu defendi o reajuste no final do ano, no final da legislatura, a pressão da sociedade foi muito grande e nós tiramos o tema por pressão da sociedade que é do sistema democrático. Não achava que o tema deveria voltar neste momento. Agora eu acho que a única solução é se resolver por uma legislação que garanta a inflação, alguma coisa, para que este desgaste não ocorra. De fato, quatro anos sem reajuste...

Paulo Markun: Você acha que os trabalhadores têm esse mecanismo assegurado?

Rodrigo Maia: O salário mínimo vem crescendo muito mais que isso. Eu acho que a discussão não é essa. Você não pode comparar, não é nível de comparação. O parlamento tem uma missão e os parlamentares precisam ter a sua remuneração. Ninguém está querendo neste momento aumento real. O que foi dado foi a recomposição da inflação. Eu acho que o momento não era adequado, a sociedade não quis em dezembro, certamente não será agora em maio que a sociedade vai querer esse tema na pauta. Eu acho que o parlamento precisava primeiro recuperar um pouco da sua imagem, um pouco daquilo que a sociedade espera do parlamento, até porque é importante, o governo vem enfraquecendo nos últimos anos o parlamento, o que é muito ruim para a democracia. Então acho que se nós tivéssemos uma pauta, uma agenda positiva, uma agenda de propostas que fosse ao interesse do eleitor, talvez no segundo momento nós pudéssemos tratar de uma legislação definitiva para a questão do reajuste dos parlamentares. Mas o que eu acho, o que está faltando no Congresso é a possibilidade de até o Congresso trabalhar, porque o excesso de medidas provisórias vem inviabilizando até essa agenda que todos esperam.

Sérgio Lírio: Eu queria, na verdade, retomar um ponto da exposição do senhor sobre o  programa, o senhor falou em direitos humanos. Eu queria entender melhor diante de duas questões. Uma, em seguida o senhor citou o Sarkozy como exemplo de endurecimento...

Rodrigo Maia: Na área de segurança pública.

Sérgio Lírio: Na área de segurança, mas falou em direitos humanos, que, às vezes, são coisas... E a segunda, o partido tem vários membros, alguns dos membros importantes claramente ligados ao período da ditadura e por conseqüência da repressão. Que discurso de direitos humanos é esse que o Democratas... diante dessas duas colocações?

Rodrigo Mais: Eu acho que todos têm o direito de se renovar, de avançar, acho que o PFL poderia, em  vez de votar em Tancredo Neves, nós poderíamos ter mantido o status quo da ditadura e ter votado no candidato do Regime Militar. Tancredo Neves talvez nem fosse candidato. Talvez fosse melhor, porque essa forma de se olhar um partido que faz uma dissidência do Regime Militar e garante no Congresso, no colégio eleitoral, a vitória de Tancredo Neves. O PT não foi votar, isso a gente não pode deixar de registrar, o PT não votou. Não votando, votou no candidato do sistema. Nós não, nós reconstruímos um partido para dar suporte a Tancredo Neves, saímos vitoriosos e garantimos a redemocratização sem a perda de uma vida. Então acho que esses quadros que você citou que participaram do sistema  anterior, de fato eles tiveram uma posição fundamental para a democracia que temos hoje. Eles avançaram, eles entenderam a necessidade da redemocratização no país e a democracia que nós vivemos hoje devemos muito a eles. Devemos muito ao senador Marcos Maciel, ao senador [Jorge] Bornhausen [PFL-Santa Catarina], aliás, o senador Bornhausen talvez, para mim, é um dos políticos mais modernos que o Brasil tem.

Renata Lo Prete: Deputado, mudando um pouco de assunto, o seu partido tirou hoje uma posição, pelo que eu entendi, contra mudanças na legislação do aborto, ou seja, contra a ampliação do direito, tal. Eu queria saber de duas coisas a esse respeito: primeiro, qual é a sua posição pessoal sobre o direito de aborto? E segundo, por que agora? Será que o Democratas encontrou uma janela de oportunidade de um dos raros assuntos em que a maioria da população parece não estar de acordo com a posição das autoridades do governo Lula?

Alexandre Machado: Desculpe, Renata, só acrescentando, hoje no blog do Democratas existe esta posição, que foi a posição, acredito, que os Democratas vão votar a qualquer mudança da legislação do aborto. E o jornalista Ricardo Noblat, em seu blog, capturou este pedaço do blog dos Democratas e, em seguida, recebeu uma mensagem do senador Heráclito Fortes dizendo que não acredita que essa seja uma posição de partido porque essa é uma questão de convicção pessoal e que não seria o caso de fechamento de questão. Eu só queria trazer esse dado a mais para o senhor comentar.

Rodrigo Maia: Eu conversei com o senador Heráclito, a posição que saiu no blog foi a posição do líder Onix [Lorenzoni (DEM/RS)]. Eu acho que quem colocou o tema na pauta não fomos nós, foi o governo de forma insistente, eu acho que de forma até a diminuir a importância desse tema, que é um tema muito complexo, não é um tema simples. O que nós temos que discutir, de fato, é a criminalização ou não do aborto, essa que é a questão. Eu acho que da forma que o governo está colocando, daqui a pouco o aborto vai virar um modelo anticoncepcional no Brasil, nós não podemos aceitar isso. Então eu acho, claro, que não é uma questão, o partido não discutiu isso na sua executiva, o senador Heráclito tem uma posição, o líder Onix tem outra, eu tenho as minhas convicções.

Renata Lo Prete: A sua?

Rodrigo Maia: A minha convicção pessoal é que nós temos muitos mecanismos antes de avançar na legislação do aborto. Eu acho que o Brasil precisa avançar muito, por exemplo, eu conheço muitas mulheres em comunidades carentes que querem fazer a laqueadura e não conseguem pela legislação ou pela falta de um bom serviço público de saúde para atendê-las. A questão do uso da camisinha, planejamento familiar, você tem muitos caminhos antes de você chegar na discriminalização do aborto. Então eu acho que, essa é a minha posição pessoal, mas até eu concordo com o senador Heráclito que não é uma questão que deve ser discutida pela direção do partido, com certeza não.

Guilherme Evelin: Deputado, uma rápida olhada na composição da direção do PFL, você pode ver que fazem parte hoje como membros lá da direção do partido, o deputado federal Fábio Souto, que é filho do ex-governador da Bahia, Paulo Souto.

Rodrigo Maia: Quase trezentos mil votos.

Guilherme Evelin: O deputado Paulo Bornhausen que é filho do ex-senador Jorge Bornhausen, o deputado Felipe Maia que é filho do senador Agripino Maia; o senhor é filho do prefeito César Maia, sem citar o deputado ACM Neto, que é neto do senador Antônio Carlos Magalhães. Quer dizer, isso tudo parece mais uma sucessão hereditária do que propriamente uma renovação de quadros. O senhor não acha que isso é contraditório com esse banho de modernidade que os Democratas estão...?

Rodrigo Maia: Não, não concordo não, porque a missão não é dada sem a apresentação de resultados. Eu fui líder dois anos no partido, certamente pela minha atuação na liderança, os políticos mais experientes do partido entenderam que a renovação passava pelo meu nome como o nome que agregaria e uniria o partido. O partido, talvez o único partido no Brasil que tem quadros jovens que foram testados e que foram aprovados. O deputado Ônix na CPI dos Correios, o deputado Neto na CPI dos Correios, o meu caso na liderança do partido, os outros nomes que você citou, eleitos. Eu acho que a sucessão, ela ocorre com políticos da mesma família ou de outras famílias, a nossa direção. E tem outra questão, no setor privado ocorre também, o Constanstino [referência ao filho de Nenê Constantino, Constantino de Oliveira Junior, presidente da Gol, companhia aérea] está sucedendo o pai e com muito sucesso. No caso do Carlos Jereissati [empresário da área de telefonia; seu filho, Carlos Jereissati Junior, é um empresário bem sucedido no empreendimento chamado Iguatemi Empresa de Shopping Centers S.A], a mesma coisa, no caso das Organizações Globo, a mesma coisa.

Denise Rothenburg: Agora, deputado, falando nessa sucessão...

Rodrigo Maia: Mas a sucessão acontece na hora, tem empresas onde a sucessão é feita com um membro talentoso da família, e às vezes não. Ninguém chega à presidência de um partido... A história do prefeito César Maia não permite a nenhum de nós aqui falar que o prefeito César Maia é um político de máquina partidária, muito pelo contrário. Você pensar que alguém ligado ao prefeito César Maia chegaria à presidência do agora Democratas, ex-PFL, é não entender um processo político do partido.

Denise Rothenburg: É só para aproveitar essa questão da sucessão. Não pularam aí uma fila, não queimaram  uma geração, que por exemplo, tem pessoas no partido que estavam prontas ali, almejavam, tinham intenção, objetivos de assumir posse de direção e ficaram fora. Agripino Maia [senador], [José Carlos] Aleluia [deputado federal], o próprio senador Heráclito, são pessoas que hoje em dia, eles se sentem, foram, passaram por cima deles para colocar uma geração que, embora seja brilhante, tem ainda uma longa estrada política à frente. Ou seja, no momento que pula uma geração, não fica aí um gap [lacuna] e não vai demorar muito tempo para que o Democratas, para que esta geração com bastante experiência possa captar mais eleitores?

Rodrigo Maia: A política brasileira é diferente de outras políticas. O presidente do partido no Brasil não necessariamente é o candidato a eleições majoritárias como existem em outros países. Então acho que a missão de quem vai dirigir o partido é até se excluir de eleições majoritárias no curto prazo. Então é o meu caso, eu não penso em eleições majoritárias nos próximos anos, porque a missão de reconstruir um partido não me possibilitará estar no Rio de Janeiro construindo uma eleição majoritária. Então eu acho que o senador Agripino, o deputado Aleluia, o senador Heráclito Fortes que são quadros que já disputaram eleições majoritárias, o governador Arruda, que nós vamos preparar para continuar disputando nos seus estados e a nível nacional as eleições pelo partido. Não é porque a geração mais nova assumiu o partido que o partido não vai trabalhar unido para que esses parlamentares, esses políticos do partido não tenham oportunidade de disputar eleições representando os Democratas a nível municipal, estadual e nacional.

Alexandre Machado: Deputado, o senhor estava falando sobre a recomposição dos diretórios, o senhor esteve em Recife, inclusive tratando disso, e nessa recomposição também o que está acontecendo é algo parecido, ou não? Ou seja, são os filhos dos líderes locais ou a renovação é uma renovação também de quadros dentro do partido?

Rodrigo Maia: A nossa missão agora é reconstruir, trazer novos quadros. O que eu disse hoje em Recife, o que nós não podemos é trazer para o partido políticos que já fazem política com a visão antiga, viciados. Nós queremos, partindo do ponto que nós temos hoje, do que nós somos, do que nós temos de parlamentares de ex-governadores, de senadores, de deputados, é atrair novos quadros da sociedade. Nós queremos ser um partido que possa estar dialogando com as associações comerciais, com as associações comunitárias, dentro das universidades, nós queremos agregar pessoas de fora, não necessariamente jovens, mas novos militantes pra ter uma cara nova do partido.

Sérgio Lírio:  Deputado, vou mudar de assunto aqui novamente. O senhor é favorável, o senhor acha que o Brasil precisa de um sistema de TV pública?

Rodrigo Maia: Eu acredito que não. A minha posição é contrária, eu acho que o governo tem muitas prioridades na frente de se pensar em gastar recursos com a criação de uma TV pública neste momento. Isso pode ter sido necessário em outro momento, mas neste momento, certamente, eu acho que é um desperdício de dinheiro público.

Paulo Markun: Por que o senhor acha que há tanto descompasso entre a política e a juventude? Eu usualmente faço palestras em universidades no Brasil afora, basta perguntar numa platéia de estudantes de alguém que queira ser deputado federal, deputado estadual, prefeito, vereador, senador, presidente da república, que não aparece um. Às vezes aparece um tímido ali, aparecendo. E vocês falam em renovação, o que está faltando?

Rodrigo Maia: Está faltando na política brasileira, aí não é especificamente no nosso partido, cabe a cada um de nós recuperar a imagem, por exemplo, primeiro do parlamento. O parlamento que já não tinha uma imagem boa e não tem certamente em nenhum parlamento do mundo, mas no Brasil já vinha com uma imagem muito ruim, nos últimos quatro anos, passou pelo seus piores momentos. Parece até que o governo, de forma coordenada, depois que os desvios apareceram, mensalão entre outros, o governo resolveu criar uma imagem à sociedade que é tudo igual, todo mundo tem que cometer desvios éticos para estar na política, e isso vai gerando cada vez mais um descontentamento, uma desesperança nas pessoas. Cabe a cada um dos partidos agora ir próximo à sociedade e recuperar essa vontade das pessoas de fazer política como as pessoas tinham no passado.

Paulo Markun: Será que isso é possível?

Rodrigo Maia: É possível não, é fundamental, mais do que possível.

Rodrigo Camarão: Deputado, o senhor tem recorrentemente falando de estar perto do povo, estar sempre perto da sociedade. O senhor falou em creche, o senhor falou na área de saúde. Agora no Rio de Janeiro, por exemplo, a gente assiste diversas denúncias de falta de repasse da prefeitura para a creche, e a prefeitura é do DEM. Aqui em São Paulo, enfim, o prefeito Gilberto Kassab entrou num posto de saúde, xingou de vagabundo, enfim, mas como mudar esta imagem se as pessoas do partido têm essa atitude?

[Em 5 de fevereiro de 2007, durante a inauguração de uma unidade de assistência médica, na zona norte de São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab expulsou e xingou de “vagabundo” um manifestante que se dirigiu a ele reclamando contra a Lei Cidade Limpa. O fato foi amplamente divulgado pela mídia]

Rodrigo Maia: As pessoas do partido não têm esta atitude. A prefeitura que mais investe em educação no Brasil neste momento é a prefeitura do Rio de Janeiro. Eu duvido que você encontre alguma cidade do Brasil que invista tanto no professor, tanto na educação como a prefeitura do Rio de Janeiro. A questão das creches, que você está colocando, são coisas pontuais, mas os nossos investimentos são permanentes, nós temos uma discussão com o Governo Federal, de um empréstimo do Banco Mundial que seria piloto para o Brasil para a universalização da educação de quatro, cinco anos, que até hoje o Governo Federal não liberou. Então nós queremos avançar. Por que eu digo estar próximo ao público? Porque o ex-PFL, agora Democratas, qual é a nossa origem? A nossa origem é a política parlamentar. Nós sempre fomos forte onde? Principalmente no parlamento brasileiro em alguns estados. Nesse momento nós não somos tão fortes no parlamento, perdemos os governos estaduais mais importantes que tínhamos, Pernambuco e Bahia principalmente, ficamos com o Distrito Federal e com as duas principais capitais do Brasil. Enfraquecemos no parlamento, qual é a forma do partido reconstruir o seu caminho? É entender que a política congressual é uma, mas que o partido, para ter expectativa de poder, poder disputar eleições majoritárias com maior chance de vitória, fora da máquina partidária, porque nós construímos a nossa força da estrutura que veio do PFL até agora, para que isso ocorra agora ou nós vamos estar mais próximos da sociedade, sem a estrutura que tínhamos, mas agora com o partido próximo da sociedade, antigamente era o governo da Bahia, era o governo de Pernambuco, hoje o partido tem que sair do Congresso, ir para próximo à sociedade e mostrar aquilo que nós acreditamos.

Paulo Markun: Deputado, antes de chamar o intervalo, eu queria exibir a pergunta da professora de Ciência Política da USP e consultora política da MB Associados, Lourdes Sola, sobre o sistema partidário brasileiro. Vamos ver.

[VT de Lourdes Sola]: Minha pergunta ao presidente do partido dos Democratas tem a ver com a reconfiguração do sistema partidário brasileiro que está em curso. O partido dos Democratas evidencia isso: cara nova, nome novo. E a pergunta é: através de que bases sociais o partido dos Democratas pretende se afirmar como partido de tradição e com essa nova imagem, e através de que  programas pretende conquistar bases sociais dentro do campo das oposições, sobretudo a concepção de estado e de democracia?

Rodrigo Maia: Olha, eu acho que já respondi muito das perguntas que fez.

Paulo Markun: Talvez ficou faltando exatamente a questão da base social.

Rodrigo Maia: Nossa base social são os setores médios. Nossa base histórica são os setores médios do setor rural. Nós temos aí uma base, apesar de termos uma perna na UDN [União Democrática Nacional, partido político brasileiro fundado em abril de 1945, frontalmente opositor às políticas e à figura de Getúlio Vargas e de orientação liberal] temos uma perna no PSD [Partido Social Democrata, de Portugal] também na classe média rural. Nós temos as duas principais cidades do Brasil, as três principais cidades do Brasil comandadas por César Maia, Kassab e Arruda. Cabe ao nosso desafio conseguir entrar nesses eleitores, nessa classe média urbana para que o partido possa, de fato, entrando na classe média, entrando nas associações comerciais, entrando nas universidades, caminhando com programas mais fortes na área social. O governo entrou muito forte e de forma assistencialista na questão da segurança de renda, nós devemos entrar forte na questão da segurança da moradia. A gente não sabe, por exemplo, quantas pessoas que recebem o Bolsa Família hoje, têm banheiro, por exemplo, na sua casa. Então organizar a área social, fazendo uma ligação direta entre segurança de renda e segurança de moradia. Então eu acho que o partido tem aí um caminho nos setores médios urbanos e tem que caminhar também com o enfoque na sociedade, nas classes D e E para que o partido possa ser alternativa de poder.

Paulo Markun: Bem, vamos fazer mais um rápido intervalo e voltamos daqui a pouco com o Roda Viva que é acompanhado na platéia por Aldo Souza Lima, advogado; Ônix Lorenzoni, deputado federal pelo Rio Grande do Sul e líder do Democratas na Câmara; Miguel Withaker França Pinto, membro da Câmara de Comércio e Indústria Brasil- Venezuela e Marcos Stariconi Viest, estudante de jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

[intervalo]

Paulo Markun: Estamos de volta com o Roda Viva, esta noite entrevistando Rodrigo Maia, deputado federal e presidente do Democratas. Um dos temas aí, uma das bandeiras do partido é o fim da CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira. O Senado rejeitou a proposta do governo de prorrogação da CPMF até 2011, por 45 votos a favor do tributo e 34 contra. A vigência do tributo terminou no dia 31 de Dezembro de 2007]. Eu queria entender que aritmética diferente o Democratas tem, já que todo partido que chega ao poder mantém a CPMF, que o P vira de provisório para permanente, assim aconteceu com o PSDB e assim aconteceu com o PT.

Rodrigo Maia: É verdade. Nós, em 2001, na última reedição da CPMF, no fim do governo do Presidente Fernando Henrique, eu presidi a comissão e fizemos um grande acordo, que a partir de, acredito era dois mil e, no meio do governo do presidente Lula - não tenho uma data precisa - nós transformaríamos a CPMF num imposto apenas para garantir a fiscalização, que segundo a Receita é muito bem feita através da CPMF. Quando chegamos no governo do presidente Lula, tudo pactuado, ninguém, nenhum partido se preparou, que estava na base, a base não se preparou para fazer os ajustes necessários para acabar com a CPMF. Conclusão: mais uma reedição de CPMF e agora o governo quer mais cinco anos de CPMF. Com a queda da inflação, a CPMF passou a ser quase um confisco. Então nós entendemos que o nosso caminho é uma bandeira nossa, sempre foi, não será a única, mas é uma bandeira nossa. Nós entendemos que com o crescimento de arrecadação que o Brasil vem tendo, naturalmente o governo pode, organizando a sua base, a sua base fiscal, até preparando uma reforma fiscal que é fundamental, o Estado brasileiro é um estado certamente inchado, nós temos condições sim, de acabar com a CPMF. Nós temos o estudo pronto mostrando onde pode-se cortar para que o país não precise mais conviver com a tributação que faz tão mal à economia brasileira.

Guilherme Evelin: Deputado, eu queria pegar um gancho na resposta que o senhor deu sobre a base social. O PFL tinha uma base meio rural e ele tinha uma cara muito definida, muito clara. Os Democratas estão querendo entrar, como o senhor falou, nas classes médias urbanas, mas essa é uma identidade ainda em formação, não está muito definida. Não é uma operação política muito arriscada, vocês estão abrindo mão de uma cara definida para uma outra...?

Rodrigo Maia: Não é isso. A Bolsa Família nos derrotou no Nordeste, mas é verdade ou mentira isso? Não foi isso que aconteceu? Nós não temos os instrumentos do governo para entrar no eleitor que, de fato, votavam conosco, no Nordeste principalmente. Cabe ao partido, como eu disse, é um partido congressual com alguns governos estaduais muito fortes. Era o Maranhão, era Pernambuco, era Bahia, mas caminhante o Nordeste, então o que acontece? Com a entrada do Bolsa Família, com o assistencialismo do governo do presidente Lula, foi o que nos derrotou, cabe ao partido entender...

Denise Rothenburg: Sim, mas agora não dá mais para tirar isso.

Rodrigo Maia: O quê?

Denise Rothenburg: Agora não dá mais para tirar isso, como é que vai fazer?

Rodrigo Maia: Sim, mas eu não posso mais ir atrás de uma base que foi construída pelo presidente Lula, através do assistencialismo. Eu tenho que buscar uma nova base para o partido. Não é essa base que vai me fazer vitorioso.

Denise Rothenburg:  Hoje mesmo o deputado Alcenir [Guerra] estava dizendo, ele deu uma entrevista no final de semana ao Estado de S. Paulo, dizendo que pode... ele teme que o partido acabe, porque pode perder a base rural, não tem mais essa base e está difícil de pegar.  

Rodrigo Maia: Nós temos a base rural, ninguém quer abrir mão da base rural, os principais líderes do setor rural estão no Democratas. A senadora Kátia Abreu está aqui, o deputado [Ronaldo] Caiado, nós temos muitos políticos na base. Essa base rural é histórica nossa, é a nossa perna no PSD antigo. Essa base, esses setores médios no setor rural encontram no PFL representação e são representados pela nossa atuação parlamentar. O nosso problema não é ali. Não será uma política que virá de qualquer jeito do etanol, que vai varrer os Democratas do setor rural. O que nós entendemos é que uma base que nós tínhamos que não é essa, que era uma base mais popular, no Nordeste nós perdemos para o Lula, perdemos, o Lula entrou com o Bolsa Família e nos derrotou.

Renata Lo Prete: Deputado, deixa eu lhe fazer uma pergunta. O senhor falou duas coisas. Primeiro, o senhor falou do desejo do Democratas de se constituir numa alternativa de poder, de se apresentar como uma alternativa de poder, e disse também o que foi citado agora, “base social do partido são os setores médios”. Considerando o desenho da pirâmide social no Brasil, ou seja, o fato de que as eleições são decididas pelos pobres, o senhor não acha que, de alguma maneira, essa opção pode condenar o partido a fazer um papel secundário numa aliança com o PSDB em outras eleições, que é do que vocês estão tentando fugir?

Rodrigo Maia: Não é que nós estamos tentando fugir. Nós tentamos, o tempo todo, construir as nossas alternativas. Não fomos vitoriosos nesse objetivo. Tentamos com a senadora Roseana Sarney [conhecida como a “Dama de Ferro do Nordeste”, é filha do ex-presidente da República, José Sarney], tentamos com o prefeito César Maia, não conseguimos, tentamos, e vamos continuar tentando. Agora acho que o momento atual é um momento onde o partido tem condições de construir a sua própria alternativa. Na hora que eu digo que a gente sai do discurso único de menos impostos, de ser, como dizem alguns, esse é o partido que, vamos dizer, defende o contribuinte contra o aumento dos impostos, eles nos restringem a uma faixa do eleitorado que restringiu o partido conservador inglês até esse momento. Então nós queremos ampliar a nossa base. Nós entendemos que para ser poder, não sei se em 2010, em 2014, eu acho que a política brasileira permite sonhar com 2010, mas não é simples, [vários falam ao mesmo tempo] porque existe uma polarização, nós vamos construir esse caminho, é o nosso, ampliar a nossa base.

Sérgio Lírio: Quem é o adversário desta construção? Eu imaginava que o PT é a ponta a ser vencida, quer dizer, vocês estão no extremo. Mas quem é, sobre qual eleitorado que vocês precisam avançar para se tornar... É sobre o PSDB ou sobre o do PMDB? O senhor imagina como, nesse jogo aí, sobre qual eleitorado o DEM precisa avançar?

Rodrigo Maia: Eu acho que o jogo, a partir de 2010, ele está aberto, o presidente Lula não é candidato, certamente...

Sérgio Lírio: Eu digo nas eleições de dois mil e..., por exemplo, as eleições municipais?

Rodrigo Maia: As eleições municipais eu, a máquina do Governo Federal, ela vai atuar como atuou em 2004, em alguns municípios, principalmente os menores municípios onde a avaliação do presidente é maior, certamente vai lograr isso; nos grandes centros eu acho que não será assim. No Rio de Janeiro entraram com grandes publicitários, com recursos, panfletando com camisetas, e não conseguiram passar de 6%, como em São Paulo perderam, num momento que o presidente Lula vinha bem, perderam para o ex-prefeito José Serra na aliança com Gilberto Kassab. Então acho que o governo Lula, cada vez mais, vai caminhar para os municípios menores, para essa base eleitoral que ele construiu através do Bolsa Família principalmente no Nordeste. Cabe à oposição, caminhar na outra base que era, que já foi, em certos momentos, uma base, inclusive do próprio PT, os setores médios urbanos, e que ele saiu, ele perdeu essa base, inclusive pela questão dos desvios da corrupção.

Paulo Markun: Ainda sobre essa questão, eu queria exibir a pergunta de Rubens Figueiredo, cientista político e diretor do CEPAC, Centro de Pesquisa e Comunicação, vamos ver.

[VT de Rubens Figueiredo]: É muito difícil fazer oposição a um presidente popular como é o presidente Lula. Não obstante, nós tivemos, durante o primeiro mandato do governo Lula, dois escândalos muito grandes, o do Waldomiro [referência a Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil, e na época (2004), presidente da Loterj (Loteria Estadual do Rio de Janeiro), foi o pivô da primeira crise importante do governo Lula, foi acusado de ter intermediado a cobrança de propina para a renovação do contrato da multinacional GTech, que detém o monopólio da exploração das loterias da Caixa Econômica Federal, com esta instituição] e do mensalão. E a oposição foi muito mal nesses dois escândalos permitindo que o Lula ganhasse a eleição com alguma facilidade no ano passado. A pergunta é a seguinte: se os Democratas, se a oposição, tem algum projeto para chegar na próxima eleição com chance de vencer Lula?

Paulo Markun: Eu só queria acrescentar, já que uma parte desta questão o senhor respondeu, se o senhor concorda efetivamente que a oposição agiu mal, e se o senhor acha que aquela estratégia de deixar sangrar o governo Lula no momento em que a hipótese de um impeachment estava colocada foi efetiva, funcionou?

Rodrigo Maia: Eu acho que a oposição acertou em tudo e errou em não pedir o impedimento do presidente Lula naquele momento depois do depoimento do Duda Mendonça [publicitário responsável pela campanha de Lula à presidência, foi acusado de lavagem de dinheiro e evasão de divisas nas denúncias de corrupção envolvendo o Partido dos Trabalhadores], onde ele apresentou as provas de que recebeu dinheiro no exterior, aquilo estava comprovado. Acho que naquele momento a oposição errou de ficar na posição, “vamos sangrando porque não tem recuperação”, e essa não era a missão da oposição, de quem fiscaliza. O ato de corrupção foi confirmado, o presidente não tinha mais condições de continuar na presidência. Foi a minha posição, está registrada nos meus discursos. Agora respondendo à pergunta dele, como faz a oposição para ser a alternativa de poder em 2010 em cima de um governo populista, de um governo, de um presidente que fala, fala direto com a sociedade? Eu acho que o nosso desafio é conseguir separar nesse momento a boa popularidade pessoal do presidente da péssima avaliação do governo do presidente Lula. A segurança pública nunca foi tão mal avaliada, saúde pública mal avaliada, a política de combate à pobreza, a avaliação que era extremamente positiva ao governo, ela fechou muito. Hoje você tinha, não lembro o número, mas certamente 60 pontos entre ótimo, bom, ruim e péssimo, isso fechou para menos de 15. Então a nossa missão é mostrar à sociedade que esse governo mal avaliado tem um responsável, que é o presidente. E em governos populistas, é natural que o governo, o presidente, que é o populista em si, o personalista bem avaliado, governo mal avaliado, num determinado momento, esse círculo vai começar a fechar e vai convergir, a avaliação negativa e a avaliação do presidente, com isso o enfraquecimento desse governo. Então eu acredito muito nisso, eu acho que cabe à oposição acelerar esse processo. Nós temos que colar essa avaliação negativa que a sociedade hoje tem das políticas públicas com o governo. Não conseguimos ainda, não fizemos ainda, mas cabe a cada um de nós fazê-lo daqui para frente.

Renata Lo Prete: Deputado, o senhor não acha que é torcer um pouco os números, a partir de avaliações segmentadas desta ou daquela pesquisa, concluir que o governo Lula é mal avaliado? Se o senhor pegar hoje o Datafolha, os principais institutos, o governo tem uma boa avaliação. Por que eu acho que essa pergunta é importante? Por que será que subestimar a avaliação do presidente Lula não teria sido um ingrediente importante para a derrota da oposição em 2006?

Rodrigo Maia: Não. Eu, de fato, analisando as pesquisas todas que eu tive acesso, começando pela do IBOPE, a curva é essa que eu estou passando. A segurança pública nunca foi tão mal avaliada pela sociedade brasileira, a questão do emprego também não, a questão da saúde também não, cabe a cada um de nós conseguir interpretar a pesquisa. Claro que o presidente Lula está bem avaliado, é claro que quem venceu as eleições não foi o governo do presidente Lula, foi o presidente Lula. O presidente Lula é um homem que fala direto com a sociedade brasileira, tem um programa assistencial muito forte, principalmente no Nordeste, que deu uma diferença para ele, deu a vitória. Certamente nós erramos, poderíamos ter avaliado melhor o cenário, agora hoje eu garanto, é minha posição, acho que o governo não está bem avaliado nas suas políticas públicas, cabe à gente interpretar e colar isso no governo.

Denise Rothenburg: Essa questão da segurança, por exemplo, ela não é compartilhada, não é meio tiro no pé na hora que critica a posição do governo, porque ela também é compartilhada entre estados e municípios.

Rodrigo Maia: Municípios não, né.

Denise Rothenburg: Município do Rio de Janeiro, São Paulo, tem violência...

Rodrigo Maia: O que o município de São Paulo, Rio de Janeiro tem a ver?

Denise Rothenburg: O estado do Rio tem violência, e não é o Governo Federal que está lá, quer dizer, então há uma...

Rodrigo Maia: Tem violência, mas não é atribuição... Por exemplo, o que eu acho, cada vez mais o Governo Federal vem sendo responsabilizado. Na hora que você tem o auge da crise de segurança, sim, todos os governos perdem avaliação, inclusive o municipal, apesar de não ter responsabilidade sobre isso. Agora o que eu acredito? Eu acho que os governadores estão errando muito. Por exemplo, o Rio de Janeiro, e não é de agora, toda vez que acontece uma crise aguda no Rio de Janeiro, a primeira coisa que o Presidente da República faz, faz o Lula e fez o Fernando Henrique, é dizer: “Eu vou ajudar o governo”. Não, o governador do estado não quer ajuda, ele quer que o Governo Federal assuma as suas responsabilidades. Por exemplo, nós acreditamos que a criação do Ministério da Segurança Pública é um bom caminho, a aprovação da PEC [Proposta de emenda à Constituição] do senador Romeu Tuma, que cria a Guarda Nacional e responsabiliza as guardas municipais. Eu acho que a única forma de refundar a polícia não será com a polícia atual, será a constituição, nos grandes municípios, de uma guarda municipal seletista para que ela possa ser organizada do zero para acabar com esses problemas que nós temos nas polícias. Agora o Governo Federal hoje tem muito mais responsabilidade na visão do eleitor, do cidadão, do que tinha antes e cabe aos governadores também cobrar do Governo Federal a sua responsabilidade. Ninguém pode aceitar que armas e drogas entrem em todas as cidades do Brasil, que elas entrem pelas fronteiras e a responsabilidade não seja do Governo Federal. E depois quais são os principais problemas de segurança do cidadão hoje? Quais são, entendeu? Certamente não são esses, o cidadão tem muito mais a percepção da violência, muito mais nos crimes do cotidiano do que na questão do tráfico de drogas. Então é o que cabe aos estados e também poderá ser responsabilidade dos municípios, se a emenda do senador Romeu Tuma for aprovada, a criação dessa guarda para dar responsabilidade nas cidades de mais de 500 mil habitantes, eu acho que é um caminho. Agora, que cada vez mais a sociedade vem responsabilizando também o Governo Federal sobre esse tema, vem. Está no principal ponto e nós, cabe a cada um de nós da oposição mostrar quais são as responsabilidades do Governo Federal nesse tema.

Gabriel Manzano Filho: Deputado, uma série de pesquisas e avaliações e muitas análises na mídia dão a entender que os partidos no Brasil, principalmente nestes últimos tempos, por causa de escândalos que não são punidos principalmente, são irrelevantes. Cada vez menos a sociedade conta com partidos como um meio de representação e de solução para os seus problemas. Essas várias hipótese que o senhor apresentou de ampliação, de avanços do Democratas, são praticamente ações partidárias. Não é o caminho mais difícil, não é uma contradição achar que o partido vai ter uma força mobilizadora no momento em que uma série de circunstâncias mostra que a política se tornou uma coisa irrelevante e os partidos, na lista de instituições, está lá em sétimo, oitavo lugar como um dos menos prestigiados na sociedade?

Rodrigo Maia: Olha, se nós acreditamos na democracia representativa, você só tem um caminho: o fortalecimento dos partidos políticos e o fortalecimento do Congresso Nacional, mas não tem outro caminho. Não existe outro tipo de democracia que seja considerada democracia no mundo. Então qual é o caminho nosso do Democratas? É entendendo o que você falou, você está certo, há uma....

Gabriel Manzano Filho: Eu coloquei não que houvesse a alternativa, mas como obstáculo enorme que mal é vencido pelo PT e o PSDB.

Rodrigo Maia: Há uma desesperança em relação aos partidos, em relação ao Congresso. Nós, que estamos na política, acreditamos que este é o mecanismo adequado, a democracia representativa. Nós temos que lutar, colocar o partido na posição que cabe ao partido. O partido representa segmentos da sociedade que nós queremos representar. Cabe este desafio. Não estou dizendo que é simples, não estou dizendo que teremos sucesso, mas vamos trabalhar para que o partido possa representar alguns segmentos da sociedade e melhorar essa imagem que hoje é terminal.

Alexandre Machado: Deputado, o senhor mencionou agora há pouco o nome do senador Romeu Tuma, ele recentemente esteve com o presidente Lula e depois ele deu um declaração de que estava sendo muito mal tratado pelo partido e que ele estudava a possibilidade de mudança. E eu pergunto qual é a posição do partido em relação a isso e se uma mudança de partido do senador Tuma representaria mais uma parte da renovação que o  partido pretende?

Rodrigo Maia: Olha, o senador Tuma vem voltando para o partido, aliás, comigo é muito carinhoso, inclusive ele me beija no rosto. [risos] Então eu não tenho nenhum tipo de problema de citar uma emenda do senador Tuma e reverenciá-lo no tema segurança pública. Poucos políticos têm a experiência que o senador Tuma tem na área de segurança; como o senador Cristóvão Buarque, poucos políticos têm a experiência que ele tem na área de educação, temos que ouvi-lo também, nós não temos nenhuma vaidade de agregar idéias de terceiros. Nós entendemos que hoje a política brasileira precisa ser renovada e ela vai ser renovada a partir do momento em que nós, com as nossas idéias, agregando idéias de terceiros. Como eu disse, o senador Tuma tem uma emenda constitucional independente de ter ido ao presidente Lula; continua votando no partido, é carinhoso, é amigo, eu tenho certeza que o caminho dele é continuar no Democratas. Isso que eu desejo. Em relação a essa questão, eu acho que vou repetir: o senador Cristóvão Buarque tem uma grande proposta em relação a um concurso público nacional...

Alexandre Machado: O senhor não gostaria de trazer o senador Cristóvão Buarque para o Democratas?

Rodrigo Maia: Não, ele não viria, eu gostaria de agregar idéias do senador Cristóvão Buarque na área de educação, a questão do concurso nacional, ele diz muito bem, cidades ricas conseguem fazer concursos para atrair bons professores, cidades pobres não. Vamos atrair essa idéia para os Democratas, vamos atrair essa idéia para que a gente  possa colaborar com o senador Cristóvão Buarque, que essas idéias possam ser implementadas no país.

Paulo Markun: Deputado, vamos fazer mais um rápido intervalo e nós voltamos num instante com a entrevista desta noite que é acompanhada também em nossa platéia por José Aristodemo Pinotti, secretário de Educação de São Paulo; Eduardo Menutti, presidente da Comissão de Análise de Projetos da Secretaria do Estado da Cultura de São Paulo; Ângela Oliveira, jornalista e apresentadora de televisão e Ali Armad Majud,  presidente da União dos Estudantes Muçulmanos no Brasil. A gente volta já, já.

[intervalo]                                                                 

Paulo Markun: Estamos de volta com o Roda Viva, esta noite entrevistando o presidente nacional do Democratas, ex-PFL, o deputado Rodrigo Maia. Queria registrar aqui um erro que eu cometi, José Aristodemo Pinotti é secretário estadual do Ensino Superior de São Paulo, foi secretário de Educação da cidade de São Paulo. Deputado, eu queria fazer uma pergunta que não tem nada a ver com política: o senhor tem 36 anos, mas é um sujeito contido, pensa em tudo que vai falar, não é capaz de dar uma gargalhada, nada, um tapinha nas costas, tal. Onde é que se revela sua juventude?

Rodrigo Maia: Não, eu sou tímido, a timidez me coloca em certas circunstâncias como esta, numa posição mais recatada. Não, mas eu também já não sou tão jovem assim; 36 anos, três filhos, já tenho três filhos. Eu acho que eu, de fato, comecei a trabalhar muito cedo, com 18 anos e aí depois do setor privado, sistema financeiro, fui para a política e certamente tenho menos tempo. Tive a minha primeira filha com 24 anos, então isso certamente me tirou algumas oportunidades da juventude, mas nada que eu sinta falta. Eu acho que o caminho que eu trilhei, a oportunidade que eu tenho hoje de presidir o partido, eu só tive porque eu comecei a trabalhar desde cedo e isso foi me gerando experiências que gerou a possibilidade de eu hoje presidir um dos maiores partidos do país, e com um perfil completamente distinto do prefeito César Maia que é uma coisa que eu aprendi desde cedo, que...

Paulo Markun: O senhor nunca chama ele de papai?

Rodrigo Maia: Aqui no programa certamente não, [risos] em casa sim. 

Sérgio Lírio: Sobrou alguma, daquela admiração antiga pelo Brizola, restou algo?

Rodrigo Maia: O Brizola, no final da década de 70, início da década de 80, era um político moderno. As questões de meio ambiente estão na fundação do PDT. Na questão da educação com Darci Ribeiro, um legado que ficou para todos nós brasileiros. Tenho uma grande admiração pelo governador Brizola, aprendi muito com ele, várias vezes que fui à casa dele, sentei com ele, a atenção que ele me dava. Eu, jovem, com 14, 15 anos, levava documentos para ele assinar, na época do secretário de Fazenda, César Maia, e aprendi muito com ele, tenho uma grande admiração por ele. Acho que ele foi um dos grandes homens públicos que eu tive uma oportunidade de conviver nessa minha ainda breve vida política que eu tenho. 

Rodrigo Camarão: Deputado, só voltando no caráter personalista do voto que o senhor falou, principalmente o presidente Lula e tudo, quando o senhor diz que quer chamar a sociedade civil para ingressar no Democratas, isso não é reconhecer que o Democratas, hoje, não tem um candidato com cacife para ganhar uma eleição majoritária pelo menos com certa folga? Eu digo isso porque o prefeito César Maia já não pode mais se reeleger, ele não escolheu ainda um sucessor, ele está penando para isso. O prefeito Gilberto Kassab também vai precisar de um empurrão do partido, da televisão e também vai possivelmente enfrentar o Alckmin daqui a um ano.

Rodrigo Maia: Eu acho que primeiro, o César Maia não está penando para escolher um candidato, o César Maia comanda a cidade do Rio há 16 anos, talvez algum mérito tenha. O prefeito Kassab é prefeito da maior cidade do Brasil, com uma capacidade de investimento enorme, não será apenas um apoio partidário que vai gerar possibilidades da recondução dele, da reeleição dele na prefeitura de São Paulo, que eu acredito muito nisso, acho que muito mais pela boa gestão do que pela participação no programa. Eu perguntaria: você acha que o governador Aécio Neves abriria mão dos seus quarenta comerciais no estado de Minas Gerias, ou da participação dele no Programa Nacional do PSDB ou o governador José Serra? Então os políticos precisam de espaço nos programas para apresentar as suas idéias a nível local e a nível nacional, isso é do processo. Agora eu acredito muito mais que as possibilidades do Kassab estão, porque a gestão que vem desde o prefeito Serra e continuaram com ele, é uma gestão que vai gerar frutos para a sociedade do que necessariamente da aparição dele nos nossos programas. Eu confio muito nisso e confio que nós venceremos também na cidade do Rio.

Guilherme Evelin: Deputado, os Democratas e o PSDB não parecem estar muito afinados na forma hoje de fazer oposição ao governo Lula, no Congresso. O senhor e os Democratas defendem uma posição aguerrida ao presidente Lula, mas recentemente o senador Tasso Jereissati, presidente do PSDB, foi até recebido no Palácio do Planalto. Eu queria saber, o senhor vê um futuro para os Democratas independente do PSDB? Porque hoje o partido não tem, para 2010, nenhum candidato forte e claro, enquanto que o PSDB tem dois, que é o Serra e o Aécio.

Rodrigo Maia: Nós vamos contribuir, eu acho que o governador Arruda é um nome muito forte, será um nome muito forte.

Denise Rothenburg: Deputado, o senhor vai buscar fora outro nome?

Rodrigo Maia: O quê?

Denise Rothenburg: O senhor pensa em busca outro nome fora do Democratas?

Rodrigo Maia: Não eu acho que se o governador Arruda...

Denise Rothenburg: Se filiar ai com...

Rodrigo Maia: Eu acho que isso pode acontecer, mas se o governador Arruda estiver disposto, ele está muito no início do governo dele, mas com o governo sendo reinventado como ele vem reinventando no Distrito Federal, eu acho que ele é um nome forte para disputar numa eleição pulverizada, onde nós temos toda condição de, numa eleição como esta, chegar ao segundo turno.

Guilherme Evelin: O que o senhor acha do comportamento dos tucanos?

Rodrigo Maia: Eu acho que o comportamento dos tucanos é diferente do comportamento dos Democratas porque são dois partidos. Eu não posso querer de um partido que é aliado dos Democratas na oposição ao presidente Lula, isso é uma questão clara, eu não tenho nenhuma dúvida disso, imaginar que nós vamos fazer tudo igual. Se nós fossemos fazer tudo igual, pensar igual, construir tudo da mesma forma, seria melhor a proposta de uma fusão entre os dois partidos. Nós temos conversado, eu tenho conversado com o presidente Tasso, na semana passada ele me convidou esta semana para uma reunião para a gente montar uma estratégia em conjunto de oposição e faremos isso. Agora o que nós não podemos deixar é que coisas menores, por exemplo, outro dia eu vi na imprensa: divergência dos Democratas com os tucanos porque o [deputado Antônio Carlos] Panuzio, líder do PSDB, gostaria de convocar A e o líder Onix, do nosso partido, gostaria de convocar B. Não é uma divergência fundamental, até porque a CPI era deles e nós fomos solidários à CPI deles, inclusive na obstrução à justiça, então não há divergência maior. A divergência numa coisa menor que não tem nem divergência, porque logo depois sentamos e acertamos o procedimento. Então eu acho que existem hoje, na oposição entre Democratas e os tucanos, muito mais convergência do que divergências, agora as divergências existem e vão existir sempre.

Renata Lo Prete: Deputado, a gente tem assistido nos últimos dias a uma espécie de romaria dos senadores da oposição ao Palácio do Planalto para conversar com o presidente Lula. Foi lá o presidente do PSDB, o senador Tasso Jereissati, para, entre outras coisas, tratar de uma siderúrgica importante para o estado dele, o Ceará; o senador Romeu Tuma, do seu partido, esteve lá, para, entre outras coisas, tratar dos filhos dele que não se reelegeram para os quais ele gostaria de obter cargo no Governo Federal e outros senadores também estiveram lá. Minha pergunta para o senhor é a seguinte: como é que um presidente de partido de oposição como o senhor faz, o que pode fazer para segurar a boiada diante de um governo popular, a esta altura do campeonato como é o governo do presidente Lula?

Rodrigo Maia: Primeiro, o senador Romeu Tuma é da executiva do partido e não tem votado contra o partido. Se ele foi pessoalmente ao presidente Lula tratar dos problemas que ele entende que devem ser tratados com o presidente, contanto que não sejam problemas de nível partidário, essa é uma questão pessoal onde nós vivemos numa democracia. O que eu acho que deve caminhar e eu espero que aconteça o primeiro passo agora, é que o Supremo mantenha a decisão do Tribunal Superior Eleitoral em relação à fidelidade partidária. Ninguém avançou tanto na fidelidade partidária como a interpretação que o TSE deu à legislação brasileira porque a partir deste momento, com a decisão do Supremo, que eu espero que ocorra, nós teremos a fidelidade plena, o mandato é do partido. A partir daí, eu acho que a gente vai poder avançar no primeiro momento no sistema misto de lista aberta e lista fechada, caminhar para o financiamento público, acabar com as coligações na proporcional, voltar com a questão da cláusula de barra e desempenho que é fundamental, para caminhar depois no segundo momento talvez a lista fechada, no sistema misto com voto distrital. Eu acho que esse é o caminho para que os políticos tenham mais compromissos com seus partidos. Na hora que o Supremo decidir a favor da decisão do TSE, eu lhe garanto que a vida partidária vai ser muito melhor para cada um de nós e para sociedade também. O partido vai ter que, hoje virado as costas da sociedade, vai ter que voltar a olhar a sociedade, porque a partir deste momento, o único caminho desse político continuar fazendo política e continuar garantindo os seus mandatos e a estrutura partidária é uma vida partidária intensa. Esse é o caminho que eu acredito. Eu acho que essa decisão do Supremo é revolucionária na política brasileira.

Paulo Markun: Renato Benedetti da cidade de Itu, aqui em São Paulo, pergunta o seguinte: como ficarão os deputados que deixaram o partido? O Democratas irá prosseguir com a idéia de recuperar esses mandatos?

Rodrigo Maia: Já fomos ao Supremo. A discussão que eu tive agora aqui foi exatamente essa. Nós já estamos com um mandato de segurança no Supremo, nós, PSDB e PPS, cada um tem um relator no Supremo e eu tenho muita esperança que os três partidos consigam a recuperação dos seus mandatos, mas mais do que a recuperação desses mandatos, a garantia da interpretação da lei feita pelo TSE. Porque eu acho que é um grande avanço, um mandato a partir deste momento, sendo do partido, eu acho que os partidos ganham uma nova vida. Por que como é que é hoje? Hoje o político briga com a direção do partido, vira as costas e troca de partido. É a saída mais fácil. A partir da decisão confirmada do Supremo, espero eu, a partir deste momento, se ele brigar com a direção do partido, ele vai ter que reconstruir as suas próprias bases para ter espaço na direção e ocupar o seu espaço dentro do partido.

Paulo Markun: O senhor acha que o eleitor vota num partido ou vota no candidato?

Rodrigo Maia: Eu acho que o eleitor vota no partido porque o tempo de televisão é do partido, a lista que é feita é feita pelo partido, quase nenhum parlamentar é eleito pela... atinge o coeficiente eleitoral. Esse ano, essa última eleição, foram 32. Nas eleições majoritárias mais ainda porque aí o voto é no número exato do partido, no nosso caso 25. Então eu acredito muito que as pessoas votam, gera-se esperança naqueles que foram eleitos, e no dia seguinte a pessoa diz que vai ser oposição e é governo, a pessoa pensa de um jeito e já está fazendo outra coisa. Então eu acho que o fortalecimento dos partidos através dessa decisão do TSE, se confirmada com o Supremo, acho que ela vai gerar uma vida nova dentro dos partidos e a obrigação de cada um de nós de ter uma vida partidária permanente, intensa nos municípios, nos diretórios municipais.

Denise Rothenburg: Deputado, agora na hipótese de não confirmar, o que o Democratas vai fazer para manter essa  boiada no cercadinho?

Rodrigo Maia: A renovação do partido não apenas pela parte de proibir, mas também pela parte de agregar. Eu acho que o caminho do partido, a renovação do partido é para gerar daqui a alguns meses ou daqui a um, dois anos, em pessoas da sociedade e nos próprios políticos do partido, gerar expectativa de poder a nível local, estadual e nacional. O caminho que você tem é esse: primeiro, a questão da legislação para restringir esse tipo de política que a sociedade não agüenta mais. Fizeram, no governo Fernando Henrique, fizeram e continuam fazendo de forma muito mais acelerada agora. Agora pior, porque agora o objetivo é: os Democratas não podem ter 51 deputados porque perdem muitos espaços dentro da Câmara dos Deputados. Essa é uma estratégia que eu nunca tinha ouvido falar, nos três mandatos que tenho. Então esse é um caminho e o outro caminho claro, essa renovação, essa mudança, essa aproximação do partido com a sociedade para que a gente possa mostrar aos que querem ingressar na política e aos que estão na política que nós seremos alternativa de poder.

Guilherme Evelin: Qual é a posição do senhor e do partido em relação a esta proposta de fim da reeleição?

Rodrigo Maia: Nós achamos que não é o momento adequado para tratar desse assunto.

Denise Rothenburg: Por quê?

Rodrigo Maia: Porque a reeleição acabou de ser aprovada, a um custo muito alto para o Brasil, um custo político muito alto, e acho que ela ainda precisa amadurecer para que o Brasil volte a tratar desse tema. Acho que este não é um tema prioritário dos brasileiros. Os brasileiros querem na reforma política um compromisso maior do político com o cidadão e o fim da reeleição não resolve isso. Talvez a lista partidária, o financiamento público, o voto distrital misto possa fazer isto. [vários falam ao mesmo tempo]

Rodrigo Camarão: Foi do [José] Mendonça [Bezerra] Filho [(1966-), político recifense, governou Pernambuco de abril a dezembro de 2006] a proposta de reeleição?

Rodrigo Maia: A proposta foi do governo. O Mendonça Filho apresentou a proposta, e eu acho e tenho clareza que nós não podemos mais aprovar emendas constitucionais com nomes, elas não podem ser mais carimbadas. E essa emenda constitucional eu acho que beneficiará apenas uma pessoa e não acho que o Brasil precise continuar mudando a Constituição, um esforço político brutal dentro do Congresso... [vários falam ao mesmo tempo]

Sérgio Lírio: O senhor pessoalmente acha que a reeleição, a opinião pessoal do senhor, a reeleição é um mecanismo bom ou ruim para o processo democrático?

Rodrigo Maia: Eu tenho uma visão que eu acho que ainda não é madura, de que a reeleição não é boa, mas pior do que a reeleição neste momento é por vontade de A, B ou C, em tese, você acabar, mudar a Constituição Brasileira. Então vamos amadurecer mais, vamos tentar caminhar com a decisão do Supremo, confirmando a decisão do TSE; vamos fazer a reforma política a partir daí com um voto distrital misto para frente ou com o voto, lista aberta ou lista fechada para que a gente consiga avançar na reforma política. O financiamento público na parte de lista fechada, a questão da cláusula de desempenho, colocar de novo essa discussão. Eu acho que isso vai aproximar os partidos políticos e dar mais nitidez. Eu acho que o fim da reeleição não vem ao encontro das prioridades, eu acho que nem daqueles que fazem política séria e nem da sociedade.

Paulo Markun: Última pergunta, deputado, nosso tempo está acabando, é o seguinte: o senhor tem anunciado aí a disposição do Democratas de utilizar a Internet intensamente como mecanismo de comunicação com os eleitores, enfim, como um mecanismo de ação política. O que a Internet pode fazer, que tipo de ação se faz e até mesmo como é que os internautas e nossos telespectadores têm acesso evidentemente à comunicação do partido, se é que ele já tem alguma coisa efetiva?

Rodrigo Maia: Nós refizemos o nosso site, democratas.org.br. Criamos um blog, blog democrata.com.br. Estamos começando o nosso trabalho no mundo virtual, no Second Life [Significa Segunda Vida; é um ambiente virtual e tridimensional que simula em alguns aspectos a vida real e social do indivíduo. Dependendo do uso, pode ser considerado como um jogo, um mero simulador, um comércio virtual ou uma rede social],  já temos a nossa sede, os panfletos já estão lá para aqueles que participam do Second Life. Eu acho que é um caminho principalmente para a gente atingir o eleitor, não apenas o eleitor mais jovem, mas também o eleitor jovem para o partido poder ter esses instrumentos. Hoje a Internet tem uma importância para todo mundo, para o setor privado, mas para a política também muito grande. Hoje, talvez a Internet seja mais importante do que a mídia escrita. Então eu acho que é fundamental o partido, nós estamos começando esse trabalho, não é uma coisa simples. Além da questão da Internet, estamos fazendo um programa novo, com uma linguagem nova, tentando atingir também o público jovem para poder fazer essa convergência entre o nosso trabalho na Internet e o nosso programa para as coisas terem sintonia uma coisa com a outra. Então eu acho que eu acredito muito que a Internet, através do site, através do blog, através de todos esses instrumentos que nós temos, nós teremos condições de chegar aí num público, claro, ainda um público de classe média, mas um público que hoje usa muito a Internet, principalmente os jovens.

Paulo Markun: A Internet é essencialmente uma via de mão dupla, vocês estão preparados para levar pedradas?

Rodrigo Maia: Estamos, o nosso blog, ele está pronto para receber comentários favoráveis e os contrários também, é a democracia. O partido tem que estar, para o partido crescer e chegar ao poder, tem que ouvir as críticas. Eu acho que é fundamental o partido, principalmente no seu blog, que é uma estrutura de maior interação, no blog a gente ter condição de poder receber as críticas. E no Second Life também, quando eu estiver lá com o meu avatar [representação gráfica de um utilizador em realidade virtual; pode variar desde um sofisticado modelo 3D até uma simples imagem] lá fazendo o meu discurso, receber também as vaias faz parte também do jogo e não apenas lá, mas nas ruas também. Se a sociedade não estiver satisfeita, ela tem que criticar.

Paulo Markun: Muito obrigado pela sua entrevista, obrigado aos nossos entrevistadores e a você que está em casa.

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